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Desconstruindo a Noruega (na minha cabeça) em dois dias

Quando você está na Dinamarca, em Copenhague, sabe que a Suécia é logo ali. Se a Suécia é logo ali, a Noruega também é e não custa nada ir lá, certo? Nem tanto. Demora no mínimo 1 hora de avião e custa, custa muita grana! As passagens para Oslo, saindo de Copenhague, não ficaram em menos de 100 euros (+ou- 300 reais), mesmo tendo sido compradas com algum tempo de antecedência. Além disso, estamos falando de um lugar em que 500 ml de água custam em média 24 cororas norueguesas (+ou-12 reais). Mas se você vier à escandinávia sem ir à Noruega, é como se não tivesse conhecido realmente esse pedaço encantador do norte do mundo. Por isso, recomendamos fortemente essa viagem!

Todas as vezes que vou para um lugar novo, não fico lendo tanto a respeito dele, fora os aspectos práticos. Por isso, talvez algumas imagens simplificadas sobre esses lugares fiquem fixadas na minha cabeça. Daí, quando chego neles, gosto muito das surpresas e desconstruções das ideias que eu tinha. É claro, até as novas “desconstruções” podem ser um pouco simplificadas. Afinal, não posso falar que conheci a Noruega inteira só por ter ido em três cidades. Mas posso afirmar que, pelo menos parcialmente, a ideia de Noruega que eu tinha na cachola foi desconstruída.

A primeira desconstrução

A Noruega é um país estonteante e as surpresas já começam no relevo. Para quem tinha passeado apenas pela parte principal da Dinamarca, ou a Zelândia, onde fica a capital, e por Malmö, na Suécia, a Escandinávia seria apenas uma terra plana, fria, cercada por partes litorâneas. Essa talvez seja a definição adequada apenas para a Dinamarca. Quando se avança ao norte, tanto Suécia como a Noruega ganham formas montanhosas imponentes. E foi lá de cima, no avião, que comecei a reparar essas belezas naturais gigantes. A aeronave parecia quase esbarrar nos cumes, cobertos pela neve, em pleno verão! A primeira desconstrução então foi essa – tem montanha na Escandinávia! E muita!

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A segunda desconstrução

Apesar de toda a neve nas montanhas, assim que desembarcamos em Oslo, a capital, veio à tona a segunda desconstrução: tive que tirar a minha blusa de frio, pois o calor estava insuportável – 28 e 29 graus nos dias em que passamos por lá. Noruegueses derretendo e nós até que nem tanto. Para mim, sinceramente, a Noruega era gelada até no verão. E era mesmo.

O problema é que o aquecimento global tem deixado as coisas aqui no hemisfério norte meio descontroladas. Ao chegar no hostel, nos desesperamos com o fato de que a janela aparentemente não abria! E não há, evidentemente, sistema de refrigeração ou ventilador nos quartos. Chamei a moça da recepção e, finalmente, ela abriu a janela e admitiu: “nunca passamos por um verão tão quente. Não estamos preparados para isso”. Céu azul ensolarado não faltou nesses dias, o que nos levou a perguntar: aonde está o “eternal winter” frio para kct citado em 9 de 10 letras de músicas das bandas de Black Metal norueguês? srsrsrs

Nunca me imaginei usando tais trajes na Noruega, nem no verão!

Nunca me imaginei usando tais trajes na Noruega, nem no verão!

A terceira desconstrução

A terceira desconstrução veio logo em seguida, quando procurávamos dentro do aeroporto o caminho para a plataforma do trem que nos levaria ao centro de Oslo. Olhando meio bobos para algumas placas, eu e meus amigos estampávamos no nosso comportamento certa desorientação. Isso atraiu o olhar de uma senhora que não era funcionária do aeroporto e mesmo assim veio até nós e perguntou se precisávamos de ajuda. Ela foi extremamente prestativa e afável. Aonde estão os noruegueses frios, indiferentes e sisudos?

Mais tarde, quando paramos para comprar uma água, outra mulher me parou para conversar e foi extremamente simpática. Ela tinha o símbolo da banda brasileira Sepultura tatuado na perna e se desdobrou em elogios ao Brasil e ao metal tupiniquim. Depois, ainda fomos visitar a loja de CDs mais famosa de Oslo, a Neseblod Records, ou antiga Helvete, e encontramos dois jovens gracinhas e atenciosos dos quais sou amiga até hoje no Facebook: A Iben Lavgnia e o Ebbe Magnus.

Ou seja, não tem isso de que toda pessao norueguesa é fria e distante!

A quarta desconstrução

A quarta desconstrução vem da noção de que países desenvolvidos devem ter ruas com acabamento de diamante, limpeza e organização impecáveis. Imagina, então, na Noruega, o país dos recordes de PIB e qualidade de vida. Tem que estar tudo brilhando, não é mesmo? Não!

As ruas de uma certa parte de Oslo aparentam “ruídos”, algumas obras deixaram trechos meio desorganizados, algumas calçadas um pouco quebrados, há pichações nas paredes e em alguns monumentos – ou seja, qualidade de vida não tem nada a ver com a existência ou não de tais ruídos!

Há também algumas pessoas marginalizadas andando bêbadas pelas ruas, pedindo dinheiro.  Claro, numa escala ínfima quando comparamos com o Brasil. Essa, no entanto, é uma impressão mais condizente com os arredores do bairro de Grünerløkka, onde ficamos hospedados.

 

A quinta desconstrução

E o transporte público? Você também imagina que nos países superdesenvolvidos como a Noruega eles sejam coisas supersônicas e futurísticas. Não, também não era. Apesar de ser extremamente funcional, bem distribuído e com ampla oferta, os trens não eram tão novinhos, os ônibus eram bem comuns (apesar de ter painel e gravação avisando os pontos) e, além disso, todos eles dividiam espaço com o tram, ou charmosos bondinhos do século anterior. Então, fica por conta do transporte a quinta descontrução.

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Ao pensar na população da escandinávia, principalmente na Noruega que fica mais ao norte, a primeira coisa que vem à cabeça é um povo predominantemente branco e loiro. No entanto, Oslo mostrou para a gente uma população extremamente diversa, de etnias variadas. Outra desconstrução interessante.

Uma desconstrução da zueira

Por fim, uma desconstrução da zoeira: achei que todo mundo andava de corpse paint na Noruega, com calça de couro e tachinhas na roupa (pois, para quem não sabe, não é apenas o bacalhau um dos mais famosos produtos de exportação da Noruega, mas também o black metal, legado extremo do gênero musical heavy metal, em que os músicos usam essas pinturas de cadáver na cara e as roupas de couro citadas). Não, ninguém anda de corpse paint nas ruas lá, rsrsrsrs. Deve ser porque o A-HA (essa banda pop você conhece, né? Taaake onnnn meeeee…) é norueguês! Fim da zueira.

Dicas pra sua viagem à Noruega

O porquê da minha viagem à Noruega, sendo que aparentemente não havia festival por lá naquela época, te conto aqui depois. Por agora, caso esteja pensando em passar uns dias lá, algumas dicas rapidinhas para você:

  • Tente comprar suas passagens com o máximo de antecedência possível, para conseguir preços melhores
  • Geralmente, a Norwegian airlines tem preços melhores do que a S.A.S
  • Mesmo que pense em um hostel para economizar, não será tanto. O mais barato que conseguimos custou 33 euros (+ou-100 reais) por pessoa a noite. Veja nossas dicas de hotéis em Oslo e em Bergen
  • O café da manhã dos hotéis é bem mirrado. Compensa você comprar suas comidinhas nos supermercados
  • Os supermercados mais baratos são o Kiwi e o Rema 1000

Vai viajar para a Noruega? Faça agora o seu seguro viagem. Ele é exigido para entrar na Europa, e se você não apresenta-lo será barradx na migração. Além disso, é a garantia de que você estará amparadx caso haja algum imprevisto com a sua saúde. Aqui você pode pesquisar o melhor preço em várias seguradoras, comprar o que se adequar ao seu orçamento, conseguir um desconto e parcelar sem juros.

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Gracielle Fonseca

Não faço nada na vida sem paixão. Tanto que, pra me formar em Jornalismo, tive que fazer um TCC sobre metal, o Ruído das Minas: a origem do heavy metal em BH. Também decidi que faria o primeiro documentário no mundo sobre Mulheres no Metal, o Women in Metal, e fiz. Comecei a ir em festivais de metal internacionais em 2009. Desde então, viajar em busca da música, essa outra paixão, tornou-se um projeto profissional que hoje chamamos de Festivalando.

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