tour alternativo pela Noruega roteiro black metal

Roteiro black metal: um tour alternativo pela Noruega (TROOrismo para iniciados?)

A Noruega é um país lindo a ser visitado, sem dúvidas. Mas o que você sabe sobre eles além de que é um lugar frio pra kct, fica bem ao norte na escandinávia, melhor IDH do mundo, vikings, bacalhau e tal? A gente te conta um pouco mais nesse post aqui. Mas talvez seja também  a hora de você considerar um tour alternativo pela Noruega e incluir nessa lista um item cultural muito importante, mesmo que você não seja tão chegado assim ao estilo musical. Esse pequeno país frio é também o celeiro das bandas que consolidaram um dos estilos musicais mais marcantes da história do heavy metal durante a década de 90, o black metal.

Apesar de o estilo ter surgido na Inglaterra, foi na noruega que ganhou corpo e formato de cena musical mais definidos. Uma meia dúzia de moleques precoces resolveram fazer um barulho cru e brilhantemente atormentador, movimentando as coisas na Escandinávia, junto com uns parceiros vindos da Suécia também. Acostume-se com os nomes Mayhem, Burzum, Emperor, Darkthrone, Immortal, Satyricon e por aí vai…

Como nem tudo nas cenas musicais diz respeito só à música, mas também às ações desses grupos no ambiente em que vivem, a cultura, os locais do encontro entre eles, podemos afirmar que o black metal deixou e deixa vestígios para além das bandas e dos sons. E foi atrás de tais marcas no tempo e no espaço que a gente fez a nossa pequena tour por esse incrível país.

Claro que teve também passeio pelas ruas de Oslo, visita ao distrito de Grünerløkka, Opera, passeio no mercado de peixes de Bergen, Fonicular Floibanen (um bondinho que sobe até o monte Floyen, um dos montes mais altos de Bergen. Infelizmente o Ulrich, o mais alto, ficou para uma próxima visita. Também faltou um Fiorde. Ou seja, tenho que voltar mesmo!) entre outros. Mas a gente estava mesmo interessado era em outras coisas, desde a hora que pisamos no aeroporto. O encontro com o atual baterista do Mayhem, o Hellhammer, em pleno hall do aeroporto de Oslo já era um indício do que nos esperava.

Não é um turismo convencional esse de sair pela Noruega atrás dos vestígios do black metal. Por isso, merece até um nome especial. Foi algo que um amigo meu, o Leandro Lima, acabou intitulando de “TROOrismo”. Bom, vou explicar o termo: já não é segredo para ninguém aqui que sou da turma da metaleiragem, né? Pois bem, Troo, ou True, que seria verdadeiro, é uma alcunha utilizada dentro do cultura do heavy metal para designar pessoas que curtem mesmo o som, contrastando com aquelas que são apenas infiltradas, entusiastas de última hora, ou “posers” que fingem gostar do negócio. Esse termo é mais usado ainda entre a parcela do pessoal que curte black metal, ou metal extremo. Não queríamos visitar monumentos ou museus da cultura popular, então, seguimos para esse roteiro aqui:

Primeira parada: Oslo, Neseblod Records ou mais precisamente, a antiga Helvete

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Helvete significa inferno em norueguês. Ótimo local para se chegar depois de descer de um avião, não é mesmo? A julgar pelo calor que fazia, suor escorrendo pelo meu corpo, havíamos chegado ao lugar certo. Nem colocamos as malas no hostel e já fomos correndo para a loja, pois já era 15h30 e vimos no site que eles fechavam às 16h naquele sábado.

Morrendo de medo de não conseguir chegar, corremos feito loucos. Mas ainda bem que os nossos jovens anfitriões, Iben e Ebbe, não tinham nada da chatice de pontualidade dinamarquesa! Uffa! Ficaram com a Neseblod aberta até o momento que eu puxei o bonde para ir embora, pois achei que eles queriam descansar… mas isso foi tipo, mais de 1 hora depois do horário que era marcado para o fechamento!

O primeiro andar em que você chega é a loja da gravadora Neseblod, com toda variedade de cds metálicos imaginada. No andar de baixo, depois que você passa uma escada e um cafofo tomado por camisas, fica parte do acervo do Museu do Black Metal, que possui a maior parte das coisas online, infelizmente. Mas é legal também, olha aqui: blackmetalmuseum.no .

Vale a visita só por isso, mas também é bom saber que a loja foi propriedade do sr. Euronymous, guitarrista do Mayhem. O local também era frequentado por outros músicos famosos e importantes da cena. Era lá que a galera do Inner Circle, ou Svarte Sirkel (como eles chamaram o grupo ideológico-musical, formado por integrantes do Mayhem, Burzum, Emperror e outros) se encontrava para tomar cerveja e falar bobeira. Sempre tinha participação da metaleiragem sueca também.

Como chegar

Partindo da estação central, é fácil e dá para ir a pé. True que é true não fica com mimi de pegar táxi ou busão não, hein? hehe. Fomos de mala até! Então, você sai da estação central, caminha para o norte da Strandgata, vira à direita na Biskop Gunnerus gate, se vira nos trinta numa confusão de rotatória e viaduto e segue reto na Schweigaards gate, toda vida. Uma hora vc vai se deparar com o símbolo da Neseblod em uma pequena porta ao lado de uma padaria/cafeteira à sua direita, no número 56.

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Segunda parada: Oslo, capela de Holmenkollen

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Sim, lá tem uma estação de esqui famosona, bonitona e tal que já foi sede das olimpíadas de inverno. Um trampolim irado e um museu do esqui muito legal também. Mas, queríamos visitar igrejas! Ficou em dúvida? Achou que pessoal do metal não curtia igreja? Acertou, não curte mesmo não ( pelo menos a galera do Inner Circle, que te falei logo acima). Foram mais de 50 igrejas queimadas na Noruega em 1992, e várias tumbas profanadas que forneceram muitos objetos de decoração para a Helvete.

A capela de Holmenkollen é uma das mais famosas dentre as incendiadas. A que podemos visitar é uma réplica apenas, uma vez que a original fora queimada por membros do Inner Circle. A autoria desse incêndio fica flutuando entre alguns membros dessa organização anticristã. Muita gente confunde, fala que foi autoria do Varg Vikernes, outro ícone do black metal norueguês, multi-instrumentista do Burzum. Mas a Igreja queimada certamente por ele mesmo é a nossa próxima parada, em Bergen!

O incêndio de Holmenkollen ganhou grande repercussão. A Capela é uma construção antiga, costumava ser frequentada pela realeza da Noruega. Além disso, o efeito visual desse ato foi tremendo. Imagina uma capela em chamas, no alto de um morro, de onde poderia ser vista por toda a cidade em volta? Foi bem cinematográfico e inclusive aparece nos documentário Until the Light takes us ( veja em 1:09:25). A igreja foi queimada mas sem gente dentro, só para esclarecer. Até o momento eles não eram assassinos – até começarem a matar uns aos outros… o que conto em outra oportunidade!

Como chegar

Vá para a estação central de novo. Procure o metrô e pegue a linha 1. Desça na estação de Holmenkollen. Chegando lá, saia da estação e siga rumo ao alto, eternamente! Você vai passar pelo restaurante do esqui, por um condomínio fechado… Não desita, suba como verdadeiro true esse morro! Pode parar na estação de esqui, dar uma olhada, tirar foto com o troll em frente ao trampolim e tal. Mas siga adiante. suba mais o morro e verás a luz, ops, a igreja!

Terceira parada: Notodden, Emperial Tattoo Studio

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Bom, talvez deveríamos ter ido ao prédio em que fica o apartamento aonde o Varg matou o Euronymous em Oslo, durante uma treta bem boboca… mas a gente achou bem mais legal conhecer Notodden, onde acontece o Notodden Blues, um dos festivais de blues mais importantes da escandinávia. Mas dele a gente te conta depois.

Notodden também é a cidade onde fica o estúdio de tatuagens Emperial Tattoo, que pertence a um dos bateristas do Emperor, o Trym Torson, figura simpatissíssima que ama o Japão e é doador de um projeto de proteção à Amazônia. Meu amigo Maza queria fazer sua primeira tatuagem, o logo da banda Emperor. Nada mais simbólico do que ser tatuado pelo próprio Trym! O maza teve uma tarde de um pouquinho de dor e a gente aproveitou a boa conversa e todos os conhecimentos culturais do músico/tatuador!

Como chegar 

Sabe a estação central de Oslo? Pois é, em frente a ela tem um terminal rodoviário. Compramos uma passagem para Notodden e ao chegar no terminal rodoviário da cidade o Trym nos buscou, haha. Havíamos combinado com ele no facebook. Por isso não sei te explicar detalhadamente como se chega. Mas é fácil e perto do terminal. Você passa em frente ao supermercado Rema 1000 e sobe aquelas ruas ali. O endereço pelo qual vc tem que procurar é Bjørnstjerne Bjørnsonsgate 8, Notodden =)

Quarta parada: Bergen, Fantoft stavkirke ou igreja Fantofte

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Varg Vikernes, lembra desse nome? Burzum e tal? Pois é. A Igreja de Fantofte em Bergen foi queimada por ele. Essa foi a primeira igreja queimada na Noruega em 1992. E tornou-se ainda mais emblemática pelo fato de ser a igreja mais antiga do país ( data de 1150 a sua primeira instalação. Depois a construção foi movida para as proximidades de Bergen no século 19).

Além disso, seus escombros e cinzas ficaram eternizados na capa do disco do Burzum intitulado Aske (cinzas em norueguês, óbvio!). Impossível não querer ver a réplica dessa igreja de perto. Inclusive, urinei também lá no jardim da igreja, pois eles cobravam absurdas 5 coroas norueguesas para deixar usar o banheiro. Merecida profanação de jardim ( na verdade, acredito que as plantas tenham agradecido o meu xixi).

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Como chegar

No centro de Bergen a gente pega o tram, que vai até a estação chamada Paradis ( ou paraíso… hehehe). Descemos nessa estação e subimos um morrinho até a igreja de Fantofte. Também poderíamos pegar um ônibus até lá, qualquer um que passa no ponto acima da estação para na igreja. Também poderia pegar um ônibus direto, na estação de ônibus central. Seria o12-521 (21) que para em frente ao local da igreja também. O endereço é Fantoftvegen, número 38, Bergen.

Se tudo der errado na vida, certamente vou seguir o conselho do meu amigo Leandro Lima e abrir a empresa “Gra TROOrismo”. O problema é que a ideia não é tão nova assim. Quem já foi para o Inferno Festival, que acontece no início do ano em Oslo, na Noruega, sabe que o multi-instrumentista e produtor Anders Odden (Satyricon, ex-Celtic Frost, Apoptygma, Berzerk, Magenta, Cadaver…), começou a organizar por brincadeira um Black Metal Sightseeing Tour. Logo virou coisa sistematizada e passou a se repetir de ano em ano durante o festival.

O roteiro é composto pelo ap do assassinato do Euronymous, depois a Neseblod ou Helvete, e em seguida, o Museu do Black metal que fica no mesmo lugar da loja, que também não deixa de ser uma loja de souvenir metálico! Mas achei a nossa tour mais legal, cheia de emoções. Fã de metal ou não, você vai ver coisas bonitas e interessantes ao longo dessa trajetória! Aconselho!

Para ajudar no seu tour true e independente pelos países nórdicos, lembre-se que eles sempre têm os sites de planejamento de viagem, com todos os dados do transporte público.

Divirta-se!

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Gracielle Fonseca

Não faço nada na vida sem paixão. Tanto que, pra me formar em Jornalismo, tive que fazer com 2 colegas um TCC sobre metal, o Ruído das Minas: a origem do heavy metal em BH. Também decidi que faria o primeiro documentário sobre as Mulheres no Metal, o Women in Metal, e fiz. Foi por paixão também que larguei um emprego público, para me aventurar pelo mundo dos festivais com a Pri.

5 comments

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  1. Belo Horizonte e Oslo: paralelos turísticos e o roteiro metal em BH - Festivalando 24 fevereiro, 2015 at 10:51 Responder

    […] Outro dia fiz um post falando sobre o roteiro alternativo da Noruega – um roteiro baseado numa nova categoria de turismo musical, especialmente desenhada para nós, seres metaleiros viajantes ou simpatizantes do rock e metal. Tem até nome, o “TROOrismo”. Visitar o país escandinavo, especificamente as cidades de Oslo, Bergen e Notodden numa rota TROOrística do metal não só é possível como foi aquilo que tentei fazer enquanto estive lá. E esse TROOrismo, categoria de turismo musical dedicada aos amantes da música pesada, não é privilégio só da Noruega. […]

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