comparativo do lollapaloozaLollapalooza Chile/Divulgação

Comparativo do Lollapalooza: Brasil x Argentina x Chile

O Festivalando já fechou a conta dos Lollas sul-americanos presenteando Lollapalooza Brasil, Chile e Argentina com sua presença. Mas como não estamos nos festivais somente a passeio, pra acumular milhas, carimbos no passaporte e selfies (ok, isso também, mas não só), chegou a hora de passar a limpo os três festivais com um comparativo do Lollapalooza na América do Sul.

Desde a viagem pro Lolla Chile deu para concluir que o nome igual não é sinônimo de festival igual e a ida pro Lolla Argentina confirmou. Mas só colocando os três festivais lado a lado para que fique claro onde residem essas diferenças.

Há muitas maneiras de avaliar os festivais e já falamos que aqui no Festivalando usamos critérios mais subjetivos, como o lineup, a atmosfera e a experiência, e também critérios mais objetivos, aqui no blog centrados na infraestrutura oferecida ao público.

O primeiro grupo de critérios pode gerar avaliações muito mais diversas, pois podem entrar em jogo juízos bem particulares. O segundo grupo está longe de ser isento, e também é influenciado por vieses particulares. Mas tem elementos que podem ao menos ser mensurados ou categorizados em respostas do tipo sim/não, ausente/presente, facilitando a comparação. Além disso, eles dizem respeito aos requisitos mínimos para que o público do festival tenha uma experiência mais agradável.

Por essa razão, esse comparativo do Lollapalooza na América do Sul, entre Brasil, Chile e Argentina, vai levar em conta os critérios de infraestrutura, alguns deles já presentes no Festivalômetro e outros pertinentes às características dos três festivais em questão.

Comparativo do Lollapalooza: Brasil x Argentina x Chile

Sem mais enrolação, fica assim o comparativo do Lollapalooza no Brasil, Argentina e Chile

QUESITO

LOLLA BRASILLOLLA ARGENTINALOLLA CHILE

Ampliação no horário do metrô pós-festival

x

 

 ✓

Água de graça

x

✓ 

 ✓

Wi-fi aberto

x

 ✓

Acessibilidade

Setor PNE nos palcos

Setor PNE nos palcos – Setor PNE nos palcos
– Intérpretes de libras nos palcos
– Setor próximo ao palco para pessoas com deficiência visual ou auditiva parcial
– Rotas acessíveis para cadeiras de rodas
– App para pessoas com deficiência visual
Sustentabilidade e responsabilidade social

– Evento neutro em carbono
– Programa de reciclagem

– Programa de reciclagem
– Espaço para ONGs, palestras e questões sociais
 – Evento neutro em carbono
– Programa de reciclagem
– Espaço para ONGs, palestras e questões sociais

Temos um vencedor.

Pisa menos, Chile!

Se os Lollas da América do Sul disputassem um campeonato de futebol, teríamos o Brasil na lanterna, a Argentina vice e o Chile pleníssimo em primeiro lugar, com aquela “gordura” no fim da competição.

A água de graça (tão comum em festivais gringos), a ampliação no horário do metrô no pós-festival e as zonas de wi-fi colocam Argentina e Chile na frente.

Além disso, Lolla Argentina e Lolla Chile também se diferenciam pela presença de um setor dedicado a questões sociais, trazido originalmente do Lolla dos Estados Unidos. O Lolla Cares do Lolla Chicago é o Espíritu Verde na Argentina e a Aldea Verde no Chile. Nesses espaços é possível ter contato com organizações de conservação ambiental, direitos humanos, proteção aos animais, dentre outras. No Brasil, cri-cri-cri…

Pra fazer justiça, o Lolla Brasil tem um programa de reciclagem assim como Argentina e Chile. E também é neutro em carbono como o Lolla Chile, mas no conjunto de ações de responsabilidade social o Lolla Chile é o mais completo dos três.

Gol de letra, de placa, de cobertura…

Quando o assunto é acessibilidade, o Lolla Chile se supera não só no comparativo do Lollapalooza aqui na América do Sul, como também na comparação com praticamente quase tudo que já vimos até agora nos festivais pra onde viajamos, inclusive na Europa, com poucas exceções.

Com isso, garante o título com sobra para os chilenos e ainda deixa um exemplo para os demais festivais por aí, que têm ficado no feijão com arroz nesse quesito. Inclusive, quando voltei de lá este aspecto foi um destaque à parte na avaliação da estrutura.

Bônus points

Cabe abrir um parêntese para um detalhe que não se encaixa exatamente na estrutura, mas que difere muito de um festival pro outro: o Kidzapalooza. Enquanto ele praticamente sumiu da programação aqui no Brasil, na Argentina ele mantém seu espaço dedicado.

No Chile, ele é um festival dentro do festival. A área é ampla, com uma decoração lúdica de dar gosto, e uma programação bem diversa, com oficina, jogos e pista de skate. No comparativo do Lollapalooza, o Chile amplia ainda mais a vantagem. A médio e longo prazo, não só o público como o festival se beneficia disso.

comparativo do lollapalooza

Lollapalooza Chile/Divulgação

Temos hoje uma nova geração de mães e pais que gostam de levar os filhos pra esse tipo de evento e é interessante para os festivais dar atenção aos pequenos com atividades dedicadas como respeito a essa faixa etária e estratégia de formação de público.

Algumas perguntas

O público brasileiro é quem paga mais caro por um festival quase todo idêntico em atrações (considerando as internacionais), mas com serviços ausentes.

Considerando o valor do lote mais barato do ingresso de três dias nos três festivais em relação ao salário mínimo vigente no Brasil, Chile e Argentina em março de 2018,a disparidade é grande.

Na Argentina, o ingresso corresponde a 18% do salário mínimo. No Chile, a 34%. Em ambos os países não existe meia entrada. No Brasil, a meia entrada equivale a 68% do salário mínimo; a inteira, por sua vez, supera em 36% o salário mínimo.

Repetindo: ingresso equivalente a

Argentina: 18% do salário mínimo
Chile: 34% do salário mínimo
Brasil: 68% do salário mínimo (meia entrada) e 36% superior ao salário mínimo (inteira)

via GIPHY

Mais drama

Considerando o valor do ingresso em dólar, um referencial determinante para um festival que tem caráter internacional, a disparidade continua grande.

Na Argentina, o lote mais barato do Lolla Pass em 2018 foi o equivalente a cerca de 100 dólares. No Chile, a cerca de 150 dólares. E no Brasil, cerca de 200 dólares para a meia e 400 dólares para a inteira (é o preço do ingresso do Coachella, gente!)

Repetindo: ingresso equivalente a cerca de

Argentina: 100 dólares
Chile: 146 dólares chile
Brasil: 200 dólares (meia) e 400 dólares (inteira)

Por que a gente paga mais caro por atrações iguais e menos serviços? Por que a produtora que organiza o Lollapalooza Brasil conseguiu oferecer água gratuita quando organizou o Electric Daisy Carnival, mas não faz o mesmo com o Lolla? Por que o horário do metrô foi prolongado em 2013 e nunca mais?

Por que o Rock in Rio conseguiu metrô aberto 24 horas e tem bebedouros há varias edições, banheiros com água corrente e o Lollapalooza, único festival no Brasil capaz de fazer frente ao carioca, não consegue se equiparar nesses aspectos?

Lolla Brasil, meu bem, você pode e deve melhorar.

Gostou deste post? Temos muito mais pra você!

Receba nossas dicas, histórias e novidades de viagens para os melhores festivais de música do mundo.

Compartilhe este post

Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Sou uma das mães do Festivalando e fiz Paul McCartney falar uai no Mineirão. Só porque eu gosto de música. Nas horas vagas, faço coisas sérias e tento salvar o jornalismo.

5 comments

Add yours
  1. Renan Esteves 25 abril, 2018 at 00:59 Responder

    O Lolla Chile, junto com o Lolla Argentina, foi um dos únicos a ter a Camila Cabello, além de ser o único do primeiro fim de semana a não chover. Até nisso eles tem sorte! Pena que o Lolla Argentina deu azar com a chuva que prejudicou o último dia, a ponto de ser cancelado. Uma curiosidade que me bateu aqui e que gostaria que você me esclarecesse: os banheiros. Os banheiros do Lolla Argentina e Chile são de nível RIR ou estão no mesmo padrão que o Lolla Brasil? Mais uma questão: lá tem banheiros unissex ou ainda é utópico sonhar com isso no Lolla?

    • Priscila Brito 25 abril, 2018 at 15:15 Responder

      Oi, Renan! O Lolla Argentina tem banheiros químicos mesmo. O Lolla Chile, além dos químicos, tem banheiros “normais”. Mas não coloquei na comparação porque esses “normais” do Lolla Chile na verdade fazem parte da estrutura do parque O’Higgins, onde acontece o festival. Ou seja, não é resultado de uma ação direta da organização do festival; eles só tiram partido de uma estrutura que já existe. Ficaria difícil comparar com os outros nessas condições. De todo modo, é ótimo poder usar banheiros decentes num festival e esse é mais um ponto a favor do Chile. Sobre a separação, no Lolla Chile era segmentado entre mulher/homem no ano que eu fui. No Lolla Argentina não tinha uma separação explícita. As pessoas meio que espontaneamente entravam numa fila única (quando tinha fila) e usavam o que tava à disposição mesmo.

    • Priscila Brito 23 novembro, 2018 at 10:16 Responder

      Oi, Elisa! Tem venda por dia também. Mas só começam a vender ingresso diário quando sai o lineup por dia, assim como no Brasil. Isso costumava ser em novembro, mas como o atraso na divulgação do lineup este ano não dá pra saber quando vai ser. Mas tem sim, é só acompanhar.

Deixe seu comentário