onde ficar em santiago lollpalooza chileFotos Priscila Brito

Lolla é tudo igual? Não! – Notas sobre o Lollapalooza Chile

Estou em Santiago, no Chile, porque neste último fim de semana vim conhecer o Lollapalooza Chile, que acontece no parque O’Higgins. Venho da Colômbia, onde fui ao Estereo Picnic (mais detalhes em breve) e vou na quinta para o Paraguai, onde vou ao Asunciónico. A saga termina em São Paulo, com o nosso Lolla Brasilis. Mas, pera aí. Dois Lollas em 15 dias?

Pois é, até eu me questionei isso. Por que ir ao mesmo festival, ainda que em lugares diferentes, duas vezes, e ainda por cima no mesmo ano (e em tão pouco tempo!!!)? Conhecer Santiago era uma justificativa mais que razoável, mas pensei se realmente compensava incluir o Lolla Chile na rota já que as atrações eram praticamente as mesmas.

Só que comecei a me informar mais sobre o festival em Santiago, a primeira “filial” do Lolla na América do Sul, e vi que existiam algumas variações na comparação com a edição brasileira – apesar da maioria das atrações coincidirem. Depois de dois dias loucos e aventureiros in loco à beira dos Andes, posso dizer que são várias variáveis, umas melhores, outras nem tanto, mas no somatório a vinda ao festival foi uma escolha acertada (e também uma treta, porque agora eu tenho dois Lollas para amar e vou querer visitar os dois todos os anos).

Como dizia a priminha de uma amiga, o Lolla Chile é igual, mas é diferente. A saber:

O Lollapallooza Chile é gigante, imenso

São seis palcos, só um a mais que o Lolla BR, mas neste ano a versão chilena teve cerca de trinta (30!) shows a mais. Só que tudo foi distribuído em dois dias, mesma duração da versão brasileira, o que é péssimo. Pode ser uma vantagem para muita gente, mas, quanto a mim, cada vez mais me convenço que um festival só tem o direito de me entupir de atrações se ele me dá tempo suficiente para curtir uma parte razoável delas. De que adianta ter 30 shows a mais se eu vou ter o mesmo tempo que no Brasil para tentar (ou em alguns casos só sonhar) vê-los?

Ok, tem artistas gringos que só vieram pra cá pro Chile (Chet Faker, Kings of Leon, Cypress Hill), mas há os exclusivos do Brasil também, como o Pharrell (e acho que o Brasil acaba levando a melhor nesse quesito). E com tantos shows a mais na mesma quantidade de dias, falta tempo e sobra angústia: eu não fiquei pensando só nos shows que eu tinha que ver, pensei também naqueles que eu obrigatoriamente teria que perder. #festivaleirasofre

A água é de graça

Taí um quesito que faz o Lollapalooza Chile ganhar estrelinha dourada. A água é gratuita para o público e é distribuída em postos espalhados pelo parque – basta levar sua garrafinha para encher. Isso faz toda diferença no verão de quase 30º de Santiago e diante dos preços um pouco acima do normal que os festivais costumam praticar (com o câmbio não muito favorável pra nós nesse momento, faz mais diferença ainda). O Roskilde, na Dinamarca, e o Wacken, na Alemanha, são outros dois festivais visitados por nós do Festivalando que também são fofos nesse ponto.

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Em tempos de má gestão pública dos recursos hídricos ~crise hídrica~ não faz sentido querer que todos os festivais façam o mesmo, mas fica a inspiração para quando vivermos tempos melhores 😉

A comida é apenas OK

Há uma grande quantidade de barracas de comida em toda a área do festival, mas não há tanta diversidade assim. Variações de hambúrguer, hot dog, empanadas, batata frita. Uns food trucks dispersos. Nada do sensacional Chef Stage do Lolla BR ou de uma área que congrega os food trucks (como vai rolar este ano) para que você não tenha que andar o festival inteiro até descobrir onde está aquele truck que vende brownie. Tem que ter comida de verdade e menos óbvia num evento em que você pode ficar por horas e horas (fiquei 11 horas lá no domingo).

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As atrações vão além dos shows e das ativações de marca

O combo shows + ações de patrocinadores é a regra dos festivais, mas o Lolla Chile faz mais que isso com duas áreas muito bem sacadas: o Lolla Market, uma feirinha hippie(ster) com expositores de moda, acessórios e decoração, e a Aldea Verde, espaço que reúne ONGs que lutam por diferentes causas e que estão lá para estimular o público a aderir a tais causas.

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Era possível, por exemplo, assinar uma petição a favor da realização de um plebiscito para aprovação do casamento gay, adotar um cão ou doar fundos para uma organização que combate o câncer de mama em mulheres jovens. Tudo isso num clima bem lúdico e descontraído, sem chatice e caretice.

O acesso é fácil

O Lollapalooza Chile acontece no parque O’Higgins, numa região central de Santiago. Há uma estação de metrô que leva o nome do parque e basta atravessar uma avenida para sair da estação e entrar no parque (a foto abaixo foi tirada da saída do metrô). Além disso, o horário de funcionamento do metrô é ampliado em uma hora nos dois dias de festival. Ouviu, CPTM?

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A paisagem é imbatível

Eles estão lá, cortando o horizonte, imponentes, lindos, inescapáveis: os Andes podem ser vistos do parque O’Higgins e te lembram a todo momento que você não está apenas em um festival, está em um cartão postal também – e eu me paguei várias vezes parando para admirar a paisagem.

Como eu cheguei em Santiago no primeiro dia do Lolla na hora do almoço e vim correndo para o hotel sem tempo para ver a cidade, meu primeiro contato (impactante) com as montanhas foi dentro do Lolla e os dois vão ficar sempre relacionados na minha memória.

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Compensa?

Os ingressos para os dois dias neste ano variaram de R$ 280 a R$ 630, dependendo da antecedência da compra (foram seis lotes). Há os custos adicionais com a viagem, claro, mas Santiago merece muito uma visita. Ou seja, compensa, sim; e compensa também emendar com o nosso Lolla Brasil, pois Lollas são iguais, mas diferentes (e só o nosso tem mini-churros :P)

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora também coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Além de uma das mães do Festivalando, sou colaboradora da Mixmag e do Brasil Post e autora do Porque eu gosto de música. Também ajudei Paul McCartney a falar uai em pleno Mineirão.

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