woaWacken Open Air 2014. Photo? Patrick_Schneiderwind

Como avaliamos os festivais, para além do Festivalômetro

A gente já te contou como o Festivalômetro foi concebido e como ele funciona para avaliar os aspectos de estrutura de um festival. Para quem não leu, vale a pena dar uma passada rápida aqui. Mas a gente adianta: o festivalômetro é uma maneira objetiva de avaliar alguns aspectos estruturais em festivais, simples assim. A maneira como avaliamos os festivais vai um pouco além disso, entretanto. A estrutura é importante, pois é a partir daí que a gente pode te contar se aquele festival que você está a fim de conhecer tem as condições mínimas para te oferecer a melhor experiência possível. Afinal, as pessoas pagam pelos festivais não só pelos artistas, mas por todos os serviços que envolvem estar nesse tipo de evento e que precisam ser bem feitos.

Porém, a estrutura não poderia ser a palavra final sobre um festival, uma vez que a experiência é múltipla e subjetiva. Ou seja, várias pessoas vão achar coisas diferentes sobre um mesmo festival. A estrutura indica um ponto em comum na experiência da maioria, mas não é ela que define se o festival é bom ou ruim no conjunto da obra, pois há muito mais coisas para além do bom funcionamento dos serviços básicos. Existem outros pontos que, na nossa opinião, são cruciais para tornar a experiência de festival inesquecível. Assim, geralmente estão em nossa mira nos festivais:

LINE UP

Não adianta, um dos pontos mais visados e considerados mais importantes em um festival é o line up – apesar de haver eventos que já transcendam o cast de bandas, e atraiam pessoas que gostam do festival em si, independente dos músicos que estarão presentes. Mas como regra geral, quando falamos sobre festivais de música as atrações musicais precisam corresponder às expectativas das diversas audiências. Um bom line up é geralmente construído quando a curadoria musical conhece seu público. Além disso, é preciso ter uma ótima experiência gerencial para conciliar bandas importantes com as que se colocaram disponíveis, ou em tour nas épocas específicas.

Consideramos interessante quando o line up traz diversidade, mesmo quando dentro de um gênero musical específico – atualmente, a tendência dos grandes festivais de música é acabar com as barreiras de gênero musical. No entanto, a cada dia ficam mais fortes eventos que possuem um line up direcionado para um único público e trazem a diversidade dentro dos subgêneros.

Quando a curadoria dos palcos e escala dos horários é bem feita, parece que o line up ganha mais brilho ainda. Também é considerada importante os esforços que alguns festivais fazem para cota de gênero sexual. Ou seja, tentar trazer números aproximados de artistas dos gêneros masculinos e femininos,uma atitude muito legal que vemos em muitos festivais.

É também super importante que os festivais tentem trazer artistas que estão na crista da onda, ou seja, fazendo grande sucesso no momento. Isso agrega bastante ao festival.

OPORTUNIDADES IMERSIVAS

sauna

Aqui falamos daquilo que os festivais nos oferecem e está para além dos palcos principais ou da experiência imersiva que um show pode permitir. Não se trata apenas de colocar uma série de brinquedos ou tendas com artes ou apresentações desconexas. Muito menos de joguinhos bobos promovidos por patrocinadores para distribuir brindes tolos no final. Falamos de atividades que nos permitam entrar em contato com novas ideias, com percepções diferentes, com pessoas diferentes. Por que não aula de Yoga em pleno festival? Ou uma consulta a uma livraria humana, ou participar de um experimento científico sobre a relação entre música e gosto? Que tal participar de novos experimentos em arquitetura e aproveitamento de energia, soluções de gestão compartilhada? Tudo isso são coisas que já vimos e vivemos em festivais, e que achamos simplesmente experiências reveladoras.

Acampamento em festival conta muito aqui, pois aliado às demais atividades é uma ótima oportunidade para a imersão no clima do festival e poder curtir sem pressa todos os shows, ou o dia e a noite inteira no local.

Outras atividades que proporcionam apenas entretenimento contam bem menos, pois não consideramos como algo de fato imersivo. Mas os famosos brinquedos ou jogos não são totalmente ignorados, desde que sejam de fato abertos para todos, acessíveis e gratuitos.

MEET AND GREET GRATUITO

sweden rock

Sweden Rock 2015. Photo: Mingel Anders Olsson

Tem festival em que você conversa com os artistas no público, e isso é fantástico. As coisas se tornam mais naturais. Mas essa é uma característica de festivais menores. Já nos festivais gigantes o meet and greet é o que mais funciona, quando fãs podem ir, encontrar seus artistas, pedir autógrafos e fotos. Quando essa atividade é bem organizada e gratuita, nossos corações se alegram!

AMBIENTE

Sweden Rock 2015- Official website

Sweden Rock 2015- Official website

Talvez essa seja uma das categorias mais subjetivas, pois depende de tudo, até do seu humor no dia. Mas existem convergências com relação à vibe transmitida em alguns festivais. Um festival com ambiente legal tem que ser pacífico, as pessoas precisam se respeitar independente de qualquer coisa. Isso já é um grande passo. O ambiente também tem que ser acolhedor, e isso dialoga não só com a estrutura, mas também na forma que os membros da equipe do festival te tratam. Equipe que trabalha sorrindo e te atende com educação e atenção é linda!
O ambiente também diz muito daquela sensação de vontade de voltar no próximo ano.

Ainda podem existir outros elementos mais subjetivos ainda nessas avaliações, e nem sempre dividimos em categorias tão delimitadas como o fizemos aqui. Mas são essas algumas das categorias que permeiam geralmente os nossos textos de encerramento de festival, ou outros que relatem sobre a experiência de estar em um determinado evento.

É por conta dessa segunda avaliação, talvez menos explícita, que alguns festivais com notas altíssimas no Festivalômetro podem não ser tudo aquilo em termos de experiência, como é o caso clássico do Rock in Rio. E também acontece muito o inverso – festivais com notas baixinhas da estrutura, como foi o Metal Magic, ou mesmo o Roça n Roll, Popegoja, mas que adoramos cada segundo da experiência.

E você, quais outros critérios além da estrutura você usa para avaliar um festival? Acha que a gente viajou demais, que faltou alguma coisa? Comente 😉

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Gracielle Fonseca

Não faço nada na vida sem paixão. Tanto que, pra me formar em Jornalismo, tive que fazer com 2 colegas um TCC sobre metal, o Ruído das Minas: a origem do heavy metal em BH. Também decidi que faria o primeiro documentário sobre as Mulheres no Metal, o Women in Metal, e fiz. Foi por paixão também que larguei um emprego público, para me aventurar pelo mundo dos festivais com a Pri.

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