Fotos Priscila Brito

Lollapalooza Chile é acima da média sul-americana

Eu já declarei meu amor pelo Lollapalooza Chile aqui. Não me aguentei de tanto amor transbordante e abri meu coração aqui também. É que não tem erro: o Lolla é naturalmente um dos meus festivais favoritos, em se tratando de lineup e de ~vibe~; somando-se à organização e eficiência acima dos padrões latino-americanos que se vê em Santiago, o evento beira a perfeição. O único “defeito” que consegui encontrar no Lolla Chile foi a quantidade exagerada de shows, cerca de 30 a mais que o Lolla BR, distribuídos por apenas dois dias.

Sob o céu azulíssimo do delicioso verão de Santiago, com a Cordilheira dos Andes ao fundo e dentro do popular Parque O’Higgins, o Lolla Chile é uma parada obrigatória para você que é fã da “franquia” Lollapalooza. A versão chilena justifica a honraria de ter sido a primeira edição do festival a acontecer fora dos Estados Unidos, lá em 2011. Além da boa organização e do ambiente sussa, sem atropelos, o festival tem muitas estrelinhas de ouro:

1) Há uma preocupação evidente com a acessibilidade do evento em sentido mais amplo. Há ônibus acessíveis exclusivos para pessoas com mobilidade reduzida, tradução simultânea dos shows para a linguagem de sinais (assim como eu presenciei na Suíça, no Festival de Jazz de Montreux), serviço de recarga de bateria de cadeiras de rodas elétricas e centros de informações sobre a acessibilidade do festival espalhados pelo parque. As medidas de acessibilidade também tentam agrupar condições para grávidas e pessoas acompanhadas de bebês ou crianças pequenas

2) O festival tira partido de toda estrutura do parque. As áreas arborizadas são transformadas em zonas de descanso, os amplos gramados usados como zonas de segurança e a Movistar Arena, com capacidade para 15 mil pessoas, é utilizada como um dos palcos do festival. Com jeito de panela de pressão, pra fazer o público ferver e enlouquecer, protagonizou alguns dos melhores e mais loucos shows que eu consegui ver, caso do Cypress Hill e do Major Lazer

3) O Kidzpalooza não é apenas um palco com shows para criança. No Lolla Chile, Kidzpalooza é um festival dentro do festival. Em uma ampla área decorada de forma lúdica (as árvores viram monstros coloridíssimos, o ar é infestado por bolinhas de sabão) com oficinas, jogos, pista de skate e atividades para toda a família

lollapalooza chile

Esses detalhes que citei acima são as estrelinhas douradas extra do Lollapalooza Chile. O festival também brilha em praticamente todas as categorias que usualmente a gente avalia os eventos aqui no Festivalando. A saber:

Transporte
Acesso mais fácil impossível. Chega-se ao Parque O’Higgins pela estação de mesmo nome e basta atravessar a avenida para estar na porta do festival (a foto abaixo foi tirada da saída do metrô). O parque está na região central de Santiago e as chances são grandes de você se hospedar muito, muito perto de lá, o que vai reduzir mais ainda o seu tempo de deslocamento. Eu, por exemplo, tinha a opção de encarar uns 20 minutos de caminhada do hostel até o parque ou vice-versa, mas não o fiz por motivos de lombeira do Estereo Picnic, na Colômbia, que tinha sido um dia antes, e também por motivos de conexão em Lima de madrugada na viagem Bogotá/Santiago.

lollapalooza chile 2015

O metrô amplia o funcionamento em meia hora nos dias do festival e o sistema de ônibus também tem reforço robusto. Neste ano, oito linhas circularam com veículos a mais nos horários de pico de chegada do público ao festival e nos horários de saída. Além disso, nove linhas especiais (eu disse N.O.V.E) circularam exclusivamente em direção ao Lolla, partindo de diferentes pontos de Santiago. O festival também estimula o uso de bicicleta, com um bicicletário na entrada. Há também os ônibus com acessibilidade que eu citei acima. O estacionamento tem lugares limitados e parte deles é automaticamente reservada a pessoas com mobilidade reduzida.

Depois de tudo isso, eu pergunto: como não amar Santiago e o Lolla Chile? Vamos mandar nossos governantes pra um estágio sobre transporte público lá em Santiago!

Informações
Ninguém é perfeito, né? Assim como lá no Estereo Picnic, senti falta de ter gente distribuindo o guia do festival na entrada. Havia um totem gigante na entrada com os horários dos shows, mas ninguém decora os horários de 35 shows em seis palcos. Era preciso encontrar algum dos centros de informações espalhados pelo parque, mas sem um mapa em mãos só se encontrava os mesmos acidentalmente, caminhando pelo O’Higgins.

Hidratação e comida
Mais uma estrelinha dourada pro Lolla Chile: a água é de graça, assim como no Wacken, na Alemanha, e no Roskilde, na Dinamarca. Basta levar sua garrafinha de água e encher em algum dos postos espalhados pelo parque. Havia um certo clima de ~água ostentação~ no ar, pois além de encher a garrafinha quantas vezes quisesse, o público também podia se refrescar nas torneiras molhando a cabeça. Pra criançada foi uma baita farra.

lollapalooza chile

A única falha no sistema de bondade de hidratação foi no fim do segundo dia de festival: os postos de água foram fechados logo que começaram os últimos shows em cada um dos palcos e a água mineral à venda se esgotou rapidamente, restando apenas água com gás (que pra mim faz tudo, menos matar a sede).

As opções de comida eram grandes em número, mas considerei medianas em diversidade. Havia opções veganas e vegetarianas, além das gordices típicas de comida de rua, mas as coisas não ultrapassavam muito a barreira do hambúrguer/pizza/batata-frita. Senti falta de mais opções de doces. Acho também que fiquei mal acostumada com a gourmetização do Lolla, que neste ano arrasou mais ainda, e fiquei esperando opções semelhantes à do Chef Stage. Sim, eu dou corda pra gourmetização.

Conectividade
A principal área de circulação do público dispunha de wi-fi aberto, mas notei uma certa instabilidade para se manter a conexão, apesar da ampla faixa em que o sinal operava. Já na Movistar Arena a conexão era excelente e o local ainda contava com estações para recarregar a bateria, com cabos adaptados para diferente tipos de smartphones.

Limpeza e banheiros
O festival é relativamente limpo, com exceção das áreas próximas aos palcos, onde é comum não haver lixeiras. Em sua maior parte, as lixeiras estimulavam a separação do lixo para posterior reciclagem. Os banheiros, em sua maioria químicos, não eram dos piores pois não ficaram sobrecarregados, já que os banheiros da Movistar Arena também estavam em funcionamento, razoavelmente limpos para o fluxo intenso de usuários, e salvou quem (eu!!) se desespera com as casinhas químicas.

lollapalooza chile

Compra de ingresso
Os ingressos para os dois dias neste ano variaram de R$ 280 (55 mil pesos) a R$ 630 (125 mil pesos), dependendo da antecedência da compra (foram seis lotes e o primeiro começou a ser vendido em agosto do ano passado). Quem é estrangeiro pode comprar pela internet via PayPal e Webpay, e há também um call center para atender quem faz compras fora do Chile. Há cobrança de taxa, infelizmente. Para esta edição, elas variaram entre R$30 e R$ 75, de acordo com o lote do ingresso.

Ah! No Lolla Chile os ingressos são trocados por pulseiras, aquelas que eu e a Gra amamos colecionar.

lollapalooza chile

Segurança
Santiago é uma das cidades mais seguras da América do Sul, longe desse espectro triste de guerra civil que ronda a gente aqui no Brasil. As medidas de segurança do festival são as básicas: revista simples na entrada e policiais nos arredores para organizar o fluxo de pedestres e de trânsito e para dar informações.

E eu escrevi esse testamento todo só para chegar aqui no final e te dizer: se você é fã do Lolla, vá ao Lollapalooza Chile. Vá, apenas vá!

Transporte10
Informações7.5
Hidratação e comida8.5
Conectividade9
Limpeza e banheiros8.5
Segurança9.5
O Lollapalooza Chile não é um festival nota 10 por conta de detalhes, como a falta de uma circulação mais eficiente das informações para o público. Mas são detalhes menores perto dos aspectos nos quais o festival se destaca, como a facilidade de acesso, a distribuição gratuita de água e a conectividade (com wi-fi muito bom em um dos palcos, a Movistar Arena, e ainda com direito a estações de recarga). Um arraso!
8.8

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora também coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Além de uma das mães do Festivalando, sou colaboradora da Mixmag e do Brasil Post e autora do Porque eu gosto de música. Também ajudei Paul McCartney a falar uai em pleno Mineirão.

3 comments

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  1. Lazaro Inacio 20 janeiro, 2016 at 02:49 Responder

    ótima materia …bem esclarecedora do padrão de qualidade ..do que deveria haver em todos festivais ..pela média de preço que estão atingindo 🙂 …afinal água , conectividade ,transporte e música booooooooooooooooa ..são vitais

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