como foi o lollapalooza brasil 2018Cauê Diniz

Como foi o Lollapalooza Brasil 2018: algumas impressões e uma questão

“Oh my God, you really showed up tonight!”. Com essa frase Lana Del Rey só quis expressar gratidão pelo mar de gente que ocupou o palco Ônix pra vê-la. Sem querer, resumiu como foi o Lollapalooza Brasil 2018.

As pessoas realmente compareceram. Meesssmo. Outra vez.

Assim como no ano passado, foram necessários números astronômicos pra contar o público. Foram 100 mil pessoas por dia na contagem oficial, 300 mil no total. Apesar dos números divulgados, o domingo aparentava estar ainda mais cheio que os dois dias anteriores.

Socorro, o Lollapalooza Brasil não para de crescer

Pra quem viu a criança Lolla crescer, mudar de casa e ganhar corpo, continua sendo impressionante a dimensão que o festival está tomando ano a ano.

Pelo menos, a bexiga (ainda) não estourou – no ano passado, eu comparei o Lolla 2017 a uma bexiga de aniversário prestes a estourar, diante do grande recorde de público dos dois dias. Se não estourou, foi porque a organização tentou ajustar os gargalos causados pela excesso de público de 2017.

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Cauê Diniz

Como foi o Lollapalooza 2018: os ajustes feitos

  • A mudança de lugar do Palco Axe, agora vizinho do Ônix, evitou deslocamentos massivos de público por toda a extensão do festival. Se antes era preciso atravessar o Lolla inteiro para ver shows de dois palcos que conversam entre si, agora uma porção do público circula num espaço mais delimitado. A inclinação da área não traz a melhor experiência. Mas, no saldo final a mudança trouxe mais ganhos: encurtou a distância entre dois palcos que atraem público semelhante e eliminou os conflitos de horário tão comuns entre ambos.
  • Uma escada abriu nova rota de circulação entre os palcos Perry e Budweiser, encurtando distâncias. Solução semelhante foi feita na altura do palco Bud, acrescentando um atalho a mais para quem está no Lolla Lounge.
  • O palco Perry subiu na vida, na medida da importância da música eletrônica hoje dentro e fora do festival. Isso acontece depois de anos seguidos de gente de fora dos shows no palco em questão por falta de espaço. Quem aqui não ficou de fora de um show do Perry quando ele era uma tenda? (e o público do festival nem era tão grande assim) Ou durante a primeira experiência como palco pra valer a partir de 2016, num canto apertado?

Alguns problemas persistem

As filas dos caixas para carregar as pulseiras ficaram imensas no meio da tarde, quando a grande maioria chega ao Lolla. Por que não usar um sistema cashless mais prático, como o do Governors Ball, em Nova York? Por lá, basta associar um cartão de crédito à pulseira. No festival, as compras são debitadas diretamente no cartão, sem necessidade de carga, recarga e reembolso. Consequentemente, não há a necessidade de enfrentar filas para carregar ou recarregar a pulseira.

Como bem lembrou o leitor Renan Esteves nos comentários, o Lolla Brasil ainda não oferece estrutura básica no nível dos vizinhos Lollapalooza Chile e Lollapalooza Argentina, nem do compatriota Rock in Rio. Em todos esses, há estações de hidratação com água gratuita e prolongamento no horário do transporte público para atender a alta demanda.

No Chile, o metrô ganha uma hora a mais de funcionamento nos dias do festival; na Argentina, são três horas a mais. O Rock in Rio conseguiu deixar o metrô funcionando a madrugada inteira.

Por outro lado, neste ano especificamente, quem foi ao Lollapalooza Brasil teve menos tempo disponível para usar o metrô. Enquanto em anos anteriores havia uma folga de duas horas entre o fim dos shows e o fechamento do metrô, neste ano os shows terminaram um pouco mais tarde que o de costume, encolhendo o tempo de transferência. A folga maior foi no sábado, quando sobrou uma hora e meia pra usar o trem.

Outros problemas (re)surgiram

Nos primeiros anos de Lolla em Interlagos, o baixo volume dos palcos era uma reclamação constante. Chegou a ser resolvida em edições mais recentes, mas retorna agora por razões diferentes. Com a multidão cada vez maior, as pessoas são obrigadas a ficar cada vez mais distantes do palco. Com isso, o som acaba não chegando como deveria. Quanto mais atrás, pior ouve-se o show.

A circulação entre os palcos Ônix e Bud também é problemática. A rota entre os dois é sempre a mais congestionada, por serem os palcos que mais atraem o público. Em função da dinâmica de cada palco, as colisões são inevitáveis na troca de um show para outro.

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Cauê Diniz

Onde vai parar o Lollapalooza Brasil?

A essa altura, depois de seis anos seguidos vivendo o Lolla, e nos últimos quatro anos também analisando o festival, eu já não sei mais onde ele vai parar.

Ao contrário do Rock in Rio, que tanto se repete, até quando diz que muda, o Lolla surpreende aqui e ali a cada edição. Às vezes é pelo que propõe (neste ano, os três dias, as mudanças de palco). Às vezes, pela resposta do público (lotando, mais uma vez).

Esse crescimento sem freio pode ser bom e pode ser ruim. Quem está conduzindo a coisa toda vai ter que saber usar os freios na hora certa e fazer um pit stop para ajustar os problemas novos e persistentes. Até os carros de Fórmula 1 que correm em Interlagos a mais 200 km/h fazem isso se necessário for pra manter a ponta.

Pra curtir a depressão pós-Lolla: momentos dos shows do Lollapalooza Brasil 2018

A viagem para o Lollapalooza Brasil teve o apoio da eDestinos.

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Sou uma das mães do Festivalando e fiz Paul McCartney falar uai no Mineirão. Só porque eu gosto de música. Nas horas vagas, faço coisas sérias e tento salvar o jornalismo.

2 comments

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  1. Renan Esteves 26 março, 2018 at 03:41 Responder

    Eu tenho as minhas ressalvas. Os banheiros precisam mudar urgentemente. Muito descaso ver pias do lado dos banheiros químicos, bem sem noção. Não dá pra pagar seis reais num copo d’água. O Lolla precisa copiar o vizinho chileno e tratar de usar bebedouros. Por fim, o transporte público. Não será possível, em tanto tempo de festival, a organização do evento não correr atrás junto com a Prefeitura de São Paulo para tratar de colocar o metrô 24 horas? O RIR, mesmo repetindo atrações, porém enxuto, é ainda bem mais organizado que o Lolla. Acho que esses pontos eles precisam corrigir urgentemente.

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