lollapalooza brasil 2017M Rossi/I Hate Flash

O Lollapalooza Brasil 2017 foi como uma bexiga de aniversário prestes a estourar

Eu saí ontem do Lolla tentando entender qual foi a equação que resultou em um recorde de público absoluto dentre todas as edições do festival, com impressionantes 100 mil pessoas no sábado e 90 mil no domingo, mesmo depois de meses de reclamações quanto ao alto preço do ingresso, a qualidade do lineup e percalços com a pulseira cashless (estranhamento do público, dúvidas sem fim e problemas técnicos), a grande novidade do festival.

Daí pensei numa bexiga de aniversário.

Quanto mais você enche de ar, mais bonita, reluzente e com formas definidas ela fica. Mas se você enche de ar demais, ela estoura. Por essa razão, chega um momento em que você precisa parar de encher e dar um nó para conservá-la em sua melhor forma.

lollapalooza brasil 2017

M Rossi/I Hate Flash

O Lolla e a metáfora da bexiga

Em sua curta história, o Lollapalooza Brasil é essa bexiga que se encheu de ar progressivamente e tomou forma. Neste ano, chegou naquele ponto em que está mais plena do que nunca, mas um sopro a mais e…. booom!

Foram muitos sopros que fizeram a bexiga encher de 2012 pra cá: a mudança pra Interlagos, que deu mais espaço; a exposição na TV aberta e fechada via Globo e Globosat; o incremento da estrutura nos últimos três anos, com novos espaços, atividades e procedimentos (caso das pulseiras). O festival cresceu, apareceu e está chegando àquele status em que a marca vale mais e vira um objeto de desejo.

Na era (da bolha) dos festivais, em que o (por enquanto) maior festival do Brasil, o Rock in Rio, acontece a cada dois anos; e em que grandes festivais internacionais tentaram, mas ainda não conseguiram estabilidade na sua empreitada por aqui (vide Tomorrowland e EDC), o Lollapalooza é o festival que tem periodicidade, estabilidade e todos os pré-requisitos necessários para atender a demanda por um grande festival no Brasil. É a bexiga cheia, bonita e reluzente.

lollapalooza brasil 2017

Mila Maluhy

Como a bexiga de aniversário quase estourou

Mas é também a bexiga que este ano esteve prestes a estourar, “graças” ao recorde de público, atraído por todos os bons predicados do festival. As estimativas dias antes passaram longe do que de fato se concretizou. Alguém errou a conta ou subestimou imprevistos de última hora. E quem pagou foi o público, que teve uma experiência conturbada, em níveis não observados em anos anteriores.

Filas, filas, gente, gente, filas, gente repeat

Os problemas já começaram do lado de fora. Teve quem quis comprar ingresso na bilheteria e desistiu depois de passar mais de duas horas na fila. Lá dentro, mais filas: 40 minutos, uma hora e até 1h20 para comprar água, cerveja, etc. Nos bares ao fundo do palco Skol, um dos “corredores centrais” do Lolla, digamos assim, as filas eram tão grandes em determinado momento da noite de sábado que ocupavam quase todo o espaço que em tese era para circulação de pessoas. Sobrou pouco espaço para o público se descolar, gerando um engarrafamento de gente.  Isso se repetiu em outros pontos do festival e, em determinados momentos do dia, circular entre certos locais se deu em ritmo de procissão, mesmo num lugar tão grande.

Nos últimos anos, um ano seguido do outro, destaquei como o festival cresceu, se aprimorou e se tornou completo. Olhando em retrospecto, é possível vislumbrar um desenvolvimento e crescimento com contornos muito bem definidos. A bexiga foi se enchendo de ar e ficando cada vez mais esplêndida. Neste ano, o ar lá dentro chegou no limite. Tomara que tomem cuidado para a bexiga não estourar no ano que vem.

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora também coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Além de uma das mães do Festivalando, sou colaboradora da Mixmag e do Brasil Post e autora do Porque eu gosto de música. Também ajudei Paul McCartney a falar uai em pleno Mineirão.

12 comments

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  1. Renan 27 março, 2017 at 13:30 Responder

    Foi bom você ter tocado nesse assunto das filas longas. Eu fiquei sabendo disso acompanhando pelo twitter.Mas espero que ano que vem eles estejam preparados para colocar mais pessoas para suprir a essa demanda. Me tira uma dúvida: ainda tem aqueles caras vendendo shopp pela bolsa com a marca da cerveja. Tinha visto isso em 2014 e 2015 e vi gente reclamando que devia ter esses caras por lá. E acho que a questão dos bebedouros precisa ser solucionada para o ano que vem. Festival sem bebedouro não dá. A Gra foi ao Lolla? Senti falta dos posts dela sobre o festival. Ela deve tá se preparando para o Maximus.

    • Priscila Brito 27 março, 2017 at 19:39 Responder

      Ei, Renan! Tinha esses caras vendendo cerveja sim. Teve gente que achou que diminuíram esse pessoal esse ano. Eu não sei se foi isso mesmo ou se foi a lotação do festival que impediu que eles chegassem até as pessoas. A questão da água já passou da hora, principalmente quando a gente pensa que inclusive o Lolla vizinho aqui no Chile dá água de graça. A Gra não pôde ir dessa vez, fui eu e a nossa fotógrafa.

  2. Rodrigo Airaf 27 março, 2017 at 15:13 Responder

    Eu costumo encher a cara no Lolla mas fui impossibilitado por motivos de 45 MINUTOS NA FUCKING FILA. Vivi de água da geladeirinha da imprensa – que também era todo um rolê pra chegar em meio à dita procissão. Andar incomodava muito, a curva do chef stage que antes só lotava no final quando as pessoas estavam indo embora, estava sempre engarrafada…

  3. Luh 27 março, 2017 at 22:29 Responder

    Vi muita gente reclamando das filas, mas eu não sofri com isso não. Comprei em cerca de cinco minutos, água e Skol Beats nos bares atrás do palco ônix, no fim da tarde. Tb sempre consegui Skol Beats, até mesmo durante o show lotado do The Weeknd. Pra comer, foram uns 10 minutos de fila no food truck. Minha única reclamação sobre comes e bebes, foi o ambulante ter dito que não havia mais saldo na minha pulseira, quando eu ainda tinha sim. Não sei se ele mentiu ou foi falha técnica, mas agora vou ter que pagar a taxa de 5 para estornar.
    Agora, se não sofri com filas, achei péssimo o sufoco pra sair do axe após o show do Vance Joy. Não sei se foi pela superlotação ou se eh sempre assim (ano passado passei o dia inteiro na grade), mas o Lolla precisa rever os caminhos das trocas de palco, ampliar, não sei, pq foi complicado e um pouco sufocante.

    Ahh. E achei o show do Strokes bem chatinho, mas isso não eh culpa do Lolla ne rsrs.

    • Priscila Brito 28 março, 2017 at 22:12 Responder

      Ei, Luh! Que bom que você teve uma experiência melhor nos bares. Essa saída do palco Axe é bem estreita e uma quantidade de gente mais que o normal já é suficiente pra atravancar a saída. A propósito, você não foi a única pessoa a fazer essa observação sobre essa questão do Axe. Acho que você está certíssima sobre a necessidade de rever os caminhos entre os palcos!

  4. Tiago Pena 27 março, 2017 at 23:10 Responder

    Opinião mais precisa do que esta não há. Foi exatamente isso que ocorreu. No palco Perry estava prestes a ocorrer algum incidente grave, de tanta pessoa que havia, estava entupido. Ainda bem que fui um dia só. Pelo que observei quem lucrou feio foi o evento, pois o número de pessoas que saiu com as pulseiras cheias de créditos foi grande.

    • Priscila Brito 28 março, 2017 at 22:15 Responder

      Pois é, Tiago. O palco Perry continua sendo um problema. Mudaram de tenda para palco aberto, o que foi bem acertado, mas ele continua sendo pequeno pro porte de algumas atrações. Num ano superlotado como foi dessa vez, fica mais complicado.

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