festival mais completo do brasilI Hate Flash/Divulgação

Lollapalooza é, cada vez mais, o festival mais completo do Brasil

O slogan do Lolla palooza Brasil deste ano era “ninguém volta o mesmo”, mas o mais certo é que o Lolla é quem nunca volta o mesmo de um ano pro outro. Nessa constante de incorporar a cada ano novos elementos e novidades, o festival fechou sua quinta edição com a configuração mais próxima do que é um festival de verdade que se tem no Brasil hoje.

Na medida do possível, o lineup traz nomes relevantes e a estrutura é grandiosa e profissional – tal como os outros dois grandes festivais que temos hoje no país – Rock in Rio e Tomorrowland. A partir daí começam as diferenças que tornam o Lolla mais completo que os demais.

O Lollapapooza Brasil tem pluralidade e personalidade

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O lineup é heterogêneo e ao mesmo tempo agregador e proporciona experiências musicais diversas, do jeito que pede o mundo plural de hoje. Quem se esbaldou com o eletrônico do Jack Ü, que foi de dubstep a MC Bin Laden e Wesley Safadão, foi ver depois a beleza épica de Florence and the Machine. Não há as segregações por dia e gênero como o Rock in Rio, nem foca num público/gênero específicos, como o Tomorrowland.

O Lolla não tem se mostrado até agora repetitivo em sua estrutura extra-palco, como o Rock in Rio (a essa altura já defasado nesse aspecto). Também não reproduz à risca elementos da filial gringa, como o Tomorrowland (o tema da edição deste ano, The Key to Happiness, que dá o tom da cenografia dos palcos, vem pra cá depois de já ter sido apresentado ao público em 2014 na Bélgica).

Assim como já repeti aqui várias vezes, a mudança do Lolla para Interlagos deixou o festival com mais cara de festival. Ano a ano, as novidades incorporadas à estrutura vão deixando o festival mais completo, com mais frescor e com feições próprias, mesmo sendo originalmente uma “marca importada” dos Estados Unidos.

Pouco a pouco, o Lolla foi abrindo espaço para o entretenimento extra-musical, depois atentou para as áreas de convivência e descanso, tornando o festival mais aconchegante de um jeito brasileiro, com redes e ocas, fora o cuidado com as experiências gastronômicas.

Este ano tudo isso veio no superlativo, com os patrocinadores criando quase de maneira orquestrada um parque de diversões dentro do festival, um aprimoramento das áreas de convivência e mais um espaço gastronômico (a Botecaria). O palco Perry avançou para acompanhar o tsunami que é a música eletrônica hoje. Deixou de ser tenda para virar palco aberto.

Precisamos agora de mais tempo para vivenciar tudo que o Lolla oferece

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No ano em que completar cinco anos no brasil, em 2017, o Lolla deve vir com muito mais, se mantiver a tendência observada até aqui. Mas, se vier com mais, que venha também uma nova maneira de experimentar o festival. O Lolla tem oferecido sempre mais, porém no mesmo espaço de tempo.

O público precisa de mais tempo para conseguir viver tudo que é colocado ao seu dispor. É muita coisa pra se ver, muito chão pra andar e o que fica é a sensação de que não dá tempo de aproveitar tudo e muita coisa fica pra trás. Mais dias, mais horas, portões abertos ainda mais cedo, mais tempo de funcionamento do metrô…?

Que no aniversário de cinco anos no Brasil, o Lolla cresça mais ainda (meu Deus, onde esse festival vai parar?) e equacione melhor a sede de ser um festival cada vez mais completo.

Lollisses

  • As coroas de flor persistem, mas houve quem lançasse um novo adereço de cabeça: Chifre de unicórnio. Adereço de Carmen Miranda e orelhas de animais diversos também enfeitaram as cabeças de meninas e meninos
  • A saia (longa e curta) foi um item de vestuário muito presente no figurino de… meninos <3
  • O que era bom ficou melhor e o Lolla Market ficou mais aconchegante: as ocas ganharam grandes almofadas, mais balanços e mais áreas de sombra
  • Os pôsteres que desde o ano passado deixam os tapumes mais coloridos e o autódromo menos árido estavam este ano ainda mais interessantes e com mensagens inspiradoras

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A melhorar

  • A dignidade enfim chegou ao palco Perry, agora aberto. Mas o espaço ainda é pequeno. Uma atração do porte de Steve Aoki ou Major Lazer, como no ano passado, atrairia mais gente do que o espaço consegue comportar
  • O Kidzapalooza precisa de mais atenção e de ser mais bem resolvido. Está meramente protocolar e é pífio perto do rol de atividades infantis que o vizinho Lolla Chile oferece, por exemplo
  • O Chef Stage perdeu alguns dos bons espaços para refeição instalados no ano passado e o chão voltou a ser a “melhor” opção para comer pratos gourmet. Não orna
  • A volta pra casa continua sendo tensa. Muita gente, muita mesmo, abre mão dos headliners para ir embora mais cedo. Tudo isso pra pegar o trem logo e evitar dar de cara com as estações fechadas
  • O som dos palcos voltou a oscilar. Florence soava baixo do fundo do palco Skol. Mas o Planet Hemp era um estrondo já na altura do lounge VIP; o show do Jack Ü começou alto e terminou baixo
  • O som do palco Perry chegou a vazar para o palco Skol em alguns momentos, como lembrou a leitora Karina Fernanda Palma Costa
  • Já que tem dado tanto espaço para alimentação, o Lolla deve considerar passar a fazer o anúncio de um food lineup. Alguns festivais gringos já fazem isso, como o Roskilde. São dezenas de food trucks, um bocado de chefs, agora os botecos, fora as opções nas barracas, e o público simplesmente não faz ideia de tudo que tem ao seu dispor pelo simples fato dessas informações não estarem reunidas num único lugar – coisa fácil de resolver

O Festivalando é Embaixador Oficial do Lollapalooza Brasil.

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Sou uma das mães do Festivalando e fiz Paul McCartney falar uai no Mineirão. Só porque eu gosto de música. Nas horas vagas, faço coisas sérias e tento salvar o jornalismo.

4 comments

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  1. Rodrigo Airaf 15 Março, 2016 at 21:37 Responder

    vdd o lance do tempo pra ver as coisas, com o tamanho de interlagos e a distancia entre os palcos eu acabei focando no deslocamento. passava nas atraçoes, atividades e instalaçoes so pra olhar por uns 10s e ir embora. nos shows que tinham a noite (só show bom que nao dava pra perder 1 minuto sequer) eu tive que comer pasteis dos ambulantes mesmo sadufufhahuadfs

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