terrorismo e viagemFãs aguardando a entrada no Graspop Metal Meeting 2016. Foto: divulgação

Terrorismo e viagem para festival na Europa: supere as neuras!

Atualizado em 14/07/2016 – Eu comecei a pensar no assunto desde que cheguei ao aeroporto de Bruxelas, no dia 16 do mês de junho deste ano, quando ia para o Graspop Metal Meeting. Na verdade, o assunto terrorismo e viagem para festival já estava no meu horizonte desde março, quando foram anunciadas as mortes de mais de 30 pessoas no atentado no aeroporto e metrô de Bruxelas.  Eu já sabia que queria muito ir ao GMM, festival de metal belga, e já comentava com amigos e familiares.  Daí, todo mundo ficava apavorado, falando coisas do tipo: “você vai mesmo descer neste mesmo aeroporto onde as pessoas foram pelos ares há pouco tempo?”.

graspop metal meeting

Atmosfera do Graspop, Bélgica. Pic: Annelies Van Rillaer

Apesar de tudo, resolvi que planejaria minha viagem e não pensaria muito naquilo. No entanto, sei que todo mundo pensa sobre isso, ainda mais quando os atentados não têm deixado um espaço de tempo grande entre eles para que possamos esquecer o assunto.

Recentemente, aconteceu em Paris, em novembro de 2015; Bruxelas, em março de 2016; em junho, foi a vez do aeroporto de Istambul sofrer com um atentado. E agora, na quinta feira, dia 14/07/16, mais um atentado na França, em Nice. Um caminhão matou mais de 80 pessoas durante as comemorações do dia da queda da Bastilha. Ou seja, não tem como não pensar ou não falar sobre isso.

terrorismo e viagem

Foi também o que pensei ao passar por vários policiais e militares no aeroporto de Bruxelas, quando cheguei. Quando fui fazer turismo pela cidade, deparei-me novamente com eles. O clima de fato era de apreensão. Sei que também havia a ocasião da Eurocopa, e por isso o policiamento ostensivo.

É sobre os sentimentos que passaram pela minha cabeça ao ver os homens fardados e seus fuzis nos aeroportos e ruas europeias que quero falar nesse post. Mas  quero tentar  tranquilizar aqueles que pensam nisso como um impedimento para uma viagem à Europa.

 

photobomber

Meu photobomber tinha apenas uma super arma, bem atras de mim… Pelo menos sorriu! – Grand Place, Bruxelas, junho de 2016.

Os riscos reais de um atentado terrorista

Assim como é mentira eu dizer que seu avião não possui chance alguma de cair, também será mentira se eu disser que o risco de viajar para festival e ser vítima de um atentado terrorista é zero. Nada é risco zero nessa vida. Viver é correr risco, o tempo todo. Mesmo se você permanecer dentro do quarto por muito tempo, há uma série de riscos ali também, entende?

Desconsiderando-se o terrorismo, todas as vezes que viajamos de avião, seja por turismo ou por trabalho, existe o risco de uma fatalidade ocorrer entre três milhões de chances. De acordo com a estimativa feita pelo Departamento Nacional de Aviação Civil, no Brasil, de 1.398.168 decolagens realizadas em 1998, não houve sequer um único acidente fatal. Na Europa, o índice de acidentes por milhão de decolagens é de apenas 4,8. Imaginando-se os milhares de voos que decolam todos os dias, há de se convir que viajar de avião é uma das maneiras mais seguras, de fato.

Entre viajar e ficar no Brasil, o risco de morrer pode ser o mesmo

A Europa é um dos continentes mais ricos em festivais, mas também é o maior alvo do terrorismo nos últimos tempos. É difícil dizer que indo para a Europa você vai estar totalmente seguro – nem na Europa, nem em lugar nehum  você pode afirmar que está 100% seguro.

Assim, evitar viajar para a Europa não faz muito sentido. Por exemplo, quando você decide ficar no Brasil,  de acordo com o Atlas da Violência 2016, divulgado pelo IPEA , você corre o risco de ser mais um dos 59.627 mil homicídios que ocorrem anualmente no país. É também preocupante que somente o Brasil seja responsável por 10% dos homicídios que ocorrem no mundo. Portanto, ficar por aqui pode ser até mais perigoso do que pegar um avião e ir para a Europa.

Sabemos que o terrorismo na Europa é um fenômeno que talvez tenha as nossas idades, ou seja, data da década de 80. Começou como algo de cunho político, e hoje tem como pano de fundo as diferenças culturais e religiosas. Há mais de 20 anos, o velho continente lida com as ameaças de atentados e tenta se preparar da melhor maneira possível, investigando os grupos responsáveis, aumentando o policiamento nos lugares públicos, e por aí vai.

E dentro do festival, pode rolar atentado?

Também me peguei pensando o quanto os festivais europeus poderiam ser alvos de terroristas. Por que não seria muito difícil que algumas pessoas se infiltrassem em alguns festivais em que a segurança é menos rígida. Fico imaginando isso principalmente com relação ao Roskilde, na Dinamarca, por exemplo. Lá as pessoas não são tão neuradas com revistas para a entrada nos trens, nem mesmo para a entrada no camping. Basta você ter um ingresso que terá livre acesso à área de camping. Ninguém abre a sua mochila quando você entra no camping do Roskilde Festival.

No entanto, existe uma vigilância à paisana e também alguns fardados dentro do camping. Há ainda o esquema de voluntários da Crowd Safety. Ou seja, existem outras formas de segurança para além da revista. Assim, os dinamarqueses são capazes de detectar atividades suspeitas dentro do festival em tempo considerável.

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Esquema de detectores de metal GMM 2016. Foto: Divulfação.

Não existe um histórico de ataques terroristas em festivais europeus. É confortante saber que estes festivais não parecem estar claramente nos planos das organizações terroristas. Entretanto, é preciso reconhecer que existe certa vulnerabilidade.

Movimentações contra ataques terroristas em festival

A mídia britânica alertava desde o início deste ano para a possibilidade de os fãs de música serem os próximos alvos do ISIS. Afinal, o grupo terrorista ISIS já ameaçou publicamente o festival inglês Glastonbury. Em entrevista ao jornal Independent, em maio deste ano, Adrian Coombs, diretor de segurança de do festival disse que todos os anos eles planejam muito bem essa parte de segurança do evento, e que lançam mão de todas as medidas necessárias para maximizar a segurança do público.

Outras reportagens feitas pelo Guardian e demais jornais europeus mostram que existe uma movimentação internacional entre os promotores de eventos de música e o poder público. Neil Basu, delegado da comissão de segurança metropolitana inglesa se reuniu com promotores para levantar o alerta sobre os festivais de verão deste ano. A discussão tem girado em torno da criação de medidas de segurança mais eficientes para os festivais de música europeus.

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Fãs aguardando a entrada no Graspop Metal Meeting 2016. Foto: divulgação

De fato, eventos com grande aglomeração de pessoas, tais como os musicais e esportivos, são um prato cheio para atentados. Existe uma vulnerabilidade evidente, principalmente nos festivais Open Air. Porém, as autoridades europeias não possuem informações sobre qualquer plano que envolva ataque aos festivais de música. Entretanto,  estão sempre em alerta para a possibilidade de ataque.

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Graspop e Hellfest

Foi possível perceber  as medidas de segurança mais rigorosas no Graspop Metal Meeting deste ano, onde nos deparamos com esquemas bem organizados e de alta tecnologia. Além de haver uma revista mínima das bagagens das pessoas que adentraram o camping, também havia detectores de metal bem precisos e em todos os pontos da entrada. Na Entrada principal, por exemplo, havia portões detectores de metal,  realizava-se a revista e ainda a possibilidade de uso de um detector de metal mais específico. No camping, também havia agentes de segurança circulando frequentemente.

No Hellfest do ano passado, o esquema de vigilância já começava desde as estações, onde cães farejadores e policiais andavam junto às malas e aglomerações de pessoas que estavam prontas para pegar às vans com destino ao festival.

Moral da história: vamos superar o medo do terrorismo

gra graspop

Estive na Bélgica e voltei para te contar que não morri em um atentado! haha

Você não deve cancelar a sua viagem para  festival por conta do terrorismo! Pense bem que às vezes muitas das nossas neuras são totalmente irracionais. E que elas podem fazer com que a gente deixe de aproveitar a vida. Supere o medo e dê uma olhada aqui em todos esses posts que temos que vão te ajudar a viajar para festival. Faça o Download do Planner de viagens exclusivo do Festivalando, siga nossas dicas para economizar e planejar melhor sua viagem. MOVA-SE! Queremos ver você #Festivalando!

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Gracielle Fonseca

Não faço nada na vida sem paixão. Tanto que, pra me formar em Jornalismo, tive que fazer com 2 colegas um TCC sobre metal, o Ruído das Minas: a origem do heavy metal em BH. Também decidi que faria o primeiro documentário sobre as Mulheres no Metal, o Women in Metal, e fiz. Foi por paixão também que larguei um emprego público, para me aventurar pelo mundo dos festivais com a Pri.

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