guia do roskildePer Lange/Roskilde Festival

Guia do Roskilde Festival: dicas práticas

O Roskilde é o festival onde o Festivalando foi parido. Só isso já seria motivo pra gente amar incondicionalmente o maior e mais antigo festival dinamarquês, mas ele já é naturalmente fantástico. A turma do hype ainda não descobriu isso e ele se mantem intacto a essa onda que toma conta de outros festivais (melhor até que fique assim). Mas tem gente aqui nos trópicos se interessando, sim, por ele. E a gente fica feliz em saber que há alguns de vocês pensando em ir pra lá. Este guia do Roskilde, portanto, foi pensado em vocês. Ele condensa todo o material vasto de dicas que já publicamos de uma forma mais compreensiva, servindo como índice e ponto de partida para a sua organização.

Pausa para uma declaração de amor ao Roskilde

Ah, já ia me esquecendo de dizer porque o Roskilde é tão fantástico. É um festival com alma. Acredite, há muitos festivais legais, mas nem todo festival legal tem alma – aquela atmosfera única que te leva pra um outro lugar, com outro ritmo, outro tempo, outras regras e te isola do ritmo mundano. No Roskilde essa alma até nome tem: orange feeling.

O festival foi criado em 1971 e essa longa existência tem grande responsabilidade nisso. Deu consistência, personalidade e identidade. Além disso, Roskilde é um evento sem fins lucrativos. Tem uma legião de voluntários que faz o festival acontecer desde sempre e anualmente os lucros são doados para instituições beneficentes.

Mesmo trazendo um dos lineups mais estrelados do verão europeu (com gente do naipe dos Rollings Stones e Paul McCartney), Roskilde se sustenta com um único patrocinador. É uma cerveja, cuja marca só aparece mesmo nas latas e mais em nenhum outro lugar. Não tem essa de marca querendo ser engolida pelos participantes a qualquer custo.

A propósito, as famosas “ativações” são o que se pode chamar de experiências genuínas. É o caso das experiências sensoriais com comida e a Dream City, que é o que de mais criativo há em um acampamento de festival.

Assim como os voluntários (você pode ser um deles, inclusive), o público é quem faz o festival. O camping é uma festa sem fim, tanto que o festival passa os quatro primeiros dias só com atividades no acampamento para só então começar a maratona de shows nos quatro últimos dias. E adivinha só? As pessoas já lotam o camping desde o primeiro dia pelo simples prazer de estarem lá, imersas em uma outra dimensão. É único.

Encerrado este longuíssimo e apaixonado parêntese, vamos ao que interessa: os aspectos práticos que você vai ter que cumprir para vivenciar tudo isso.

guia do roskilde

Thomas Kjær/Roskilde Festival

O guia do Roskilde

Orçamento: prepare o seu bolso (de verdade!)

O primeiro ponto importante que você deve ter em mente quando decide ir para o Roskilde (e para a Dinamarca de um modo geral) é preparar muito bem o seu orçamento, pois o custo de vida lá é bastante alto, muito maior do que na zona do euro. É o efeito colateral das altíssimas taxas de impostos recolhidas da população – o ponto positivo é que você vê cada centavo investido na infra-estrutura e nos serviços, resultando em uma qualidade de vida que deveria ser padrão no mundo todo.

Para você não se assustar nem ser pegx de surpresa só quando estiver lá, veja os conselhos da Gra para viajar com pouco e mesmo assim conseguir usar o transporte, comer e passear pela cidade. Ela morou lá por um ano e sabe de todos os paranâues para fazer o dinheiro render.

Ingressos: prepare a sua paciência

Antecipe-se o máximo que puder para comprar os ingressos. Normalmente, eles começam a ser vendidos no segundo semestre do ano anterior ao festival). Se nada tiver mudado desde que nós fomos ao Roskilde, você vai precisar de paciência para concluir todo o processo.

A empresa que vende os ingressos só aceita cartões de crédito internacionais emitidos na Europa ou nos Estados Unidos. Se você tem um cartão do terceiro mundo, vai ter que entrar em contato diretamente com a central de vendas para comprar os ingressos. O pagamento deverá ser feito por remessa internacional. À época, eu e Gra fizemos isso no banco. Depois disso, eu precisei fazer esse procedimento algumas outras vezes por razões diversas e descobri que em casas de câmbio a operação é bem menos complicada. Recomendo.

Ouça o podcast em que a gente conta como foi a novela para ter os ingressos em mãos

Acampamento: prepare o seu espírito

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Stiig Hougesen/Roskilde Festival

Acampar no Roskilde é uma opção quase incontornável. Primeiro, porque é uma forma de você economizar algumas diárias de hotel. Segundo, porque o camping é simplesmente a parte mais legal do festival. Tão legal que, como eu disse antes, os quatro primeiros dias do Roskilde se resumem exclusivamente ao acampamento e só nos quatro últimos é que rolam os shows.

As pessoas já lotam o festival nesses primeiros dias, fazem festas sem fim no acampamento e aproveitam as diversas atividades do festival, como as quadras de esportes, as oficinas, o lago e tudo mais. É surreal e uma das experiências de imersão mais legais que já tive em um festival.

Se uma semana inteira de acampamento parecer muito pra você, uma solução pode ser acampar metade do tempo e ficar em hotel na outra metade. Eu e Gra acampamos quando começaram os shows e voltamos pra casa nos dias que era só camping.

Ah, ao comprar o ingresso automaticamente você já tem direito ao acampamento!

Você pode ver aqui uma geral sobre a logística do acampamento e dicas práticas pra você se organizar.

Transporte: prepare o reisekort (o bilhete do trem/metrô)

Ir e voltar do festival é muito fácil. Roskilde (o festival) fica em Roskilde (a cidade), na região metropolitana de Copenhague. Há trens o tempo todo indo e voltando de Copenhague. O tempo todo mesmo, inclusive de madrugada, e não há porque se preocupar em andar de madrugada em Copenhague.

Além disso, nos dias do festival os trens param em uma “estação” na porta do festival, em uma parada exclusiva para o evento. Você só precisa atravessar o camping para ter acesso ao transporte.

Lembre-se de voltar ao post sobre como economizar em Copenhague para saber como funciona o sistema de transporte dinamarquês, que tem algumas peculiaridades

Hospedagem: prepare o seu bolso (outra vez!)

O custo com a hospedagem pode ser a parte mais complicada do seu orçamento. Mas nada de pânico; sabendo escolher o lugar, a sua sanidade financeira não será tão comprometida. Mais uma vez, a Gra, nossa especialista em Dinamarca e assuntos escandinavos, preparou um guia pra você escolher onde ficar em Copenhangue.

Uma seleção de hotéis em Copenhague pra facilitar sua vida

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora também coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Além de uma das mães do Festivalando, sou colaboradora da Mixmag e do Brasil Post e autora do Porque eu gosto de música. Também ajudei Paul McCartney a falar uai em pleno Mineirão.

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