Chafurdar na lama e encontrar a felicidade no Graspop

Quando você chega a um festival europeu, certamente não espera encontrar às proximidades manilha de esgoto estourada, lixo e lama mau cheirosa. O Graspop é um festival em que isso acontece, principalmente se chove e as coisas ficam um pouco fora de controle. No entanto, desde o início a sensação é de segurança de que, apesar de tudo aquilo, a gente está naquele lugar para passar bons momentos. Mesmo que a razão insista em avisar que é cilada, é possível encontrar a felicidade no Graspop. A razão perdeu, felizmente.

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Apesar de todos os percalços e uma organização que perdeu a mão das proporções que o festival tomou, o Graspop continuou sendo um espetáculo. Não só pelo line up incrível que foi escalado para este ano, mas também por ter no público presente uma espécie metaleira das mais animadas. Belgas em massa, e também holandeses e alemães fizeram a festa acontecer – sem contar a plateia internacional vinda de todos os cantos do planeta, inclusive a brasileirada toda.Alguns pontos importantes na estrutura – como o ótimo sistema de transporte e pontualidade dos shows fizeram com que fossem superados os problemas irritantes trazidos pelas chuvas.

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Chuvas constantes, é preciso frisar e ressaltar para aqueles que pretendem ir ou voltar ao evento: galocha e capa de chuva são  peças obrigatórias no vestuário Graspop.Há muitos motivos para odiar o Graspop, assim como outros tantos para amar. Das que nos fazem odiar um pouco, estão a chuva, claro (que não é culpa dos caras), há também os malditos tokens, que fazem o comércio do festival ser estabelecido em razões desproporcionais (em que um banho vale a mesma quantidade de tokens do que uma garrafa de água para beber, por exemplo).Acampar quatro dias nesse festival te dá uma sensação bem verossímil de estar em um chiqueiro – e de vez em quando você até encontra alguns doidos pelo caminho para fazer oinc oinc. Há também a irritante limitação dos horários de banho e a insuportável sujeira dos banheiros, bem como a falta de atitude com relação à lama que tomou conta do local do festival – ok, colocaram cascalho e serragem para tentar amenizar, mas a madeira moída só piorou o cheiro insuportável que havia pelos locais. As comidas extremamente caras e também foram um ponto bem chato.

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Por outro lado, era preciso amar o Graspop 2016 por ter sido um dos únicos festivais europeus a proporcionar que víssemos em um mesmo dia bandas como King Diamond e Black Sabbath, Iron Maiden, Saxon, Anthrax, Twisted Sister, Overkill e por aí vai. Ou seja, foi uma edição especial. É preciso amar também o fato de os belgas serem tão gentis, animados e loucos e terem cantado “We’re not gonna take it” do Twisted Sister durante todo o show e pela madrugada afora do último dia de fetival, o que transformou a música em um hino desta edição. É preciso amar também a prestatividade dos vizinhos de camping na hora da necessidade e,  da equipe do FestiTent e das pessoas responsáveis pela segurança do festival, os quais foram muito especiais ao nos tratar em nossa estadia por lá. É preciso amar que havia transporte para Dessel a maior parte do tempo e que qualquer coisa que precisássemos buscar na cidade, inclusive comida mais barata, era possível e indicado.

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Graspop assusta, engana com seu jeitão ogro e sujo, mas conquista no final. A dor de cotovelo pós festival está forte. E à lista das maravilhas belgas entre as cervejas e chocolates, é preciso adicionar o nome do festival.

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Gracielle Fonseca

Não faço nada na vida sem paixão. Tanto que, pra me formar em Jornalismo, tive que fazer com 2 colegas um TCC sobre metal, o Ruído das Minas: a origem do heavy metal em BH. Também decidi que faria o primeiro documentário sobre as Mulheres no Metal, o Women in Metal, e fiz. Foi por paixão também que larguei um emprego público, para me aventurar pelo mundo dos festivais com a Pri.

4 comments

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  1. Marco 30 junho, 2016 at 16:27 Responder

    Haha, Graspop foi meu primeiro festival e confesso que não esperava tanta lama (ja tinha levado um tênis para deixar lá, mas imaginei isso no ultimo dia, não ao chegar no festival), mas o pior foi o fato que as galochas só foram vendidas na sexta feira, o que fez com que eu e minha mina ficássemos com os pés encharcados de lama e congelados na quinta…. na sexa feira, quando iriam abrir as lojas, ficamos esperando nos portões abrir na frente uns 40 min antes, e saimos correndo que nem uns loucos para comprar galochas, e posso dizer que o maior anel de diamantes do mundo não vai deixa-la tão feliz quanto pegar aquelas galochas, tanto que demos um jeito de traze-las para o Brasil, pois são uma lembrança mais marcante do festival do que uma camiseta com as bandas!!!
    ,,,fora isso, tem um ditado que diz que “Comédia=Tragédia+Tempo”, e passado 2 semanas do perrengue, eu lembro dos causos e sortes que demos e choro de rir

  2. Marcelo costa 10 julho, 2016 at 13:28 Responder

    Caros… Passamos três dias acampados… Três dias de diferentes experiências, é só posso lembrar como dias incríveis na nossa vida!!! Muita massa!!! Não sei se foi os horários que frequentamos, mas achei que pra um festival dessa proporção os banheiros estavam relativamente acessiveis!!! Line-up foda demais. Sai do camping segunda ao meio dia satisfeito demais!!! Com certeza irei a outros!

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