Metal Magic, o pequeno que ainda engatinha

O Metal Magic, festival de heavy metal que acontece na cidade dinamarquesa de Fredericia já ganhou de cara aqui o título de pequeno notável. Que ele era pequenino já sabíamos, assim como foi o Aalborg Metal Fest. Mas o que realmente chama a atenção para ambos os festivais é o line up. O Metal Magic, por exemplo, é um dos poucos festivais de metal desse verão europeu a trazer a fantástica banda japonesa Sigh para tocar. Também tiveram como headliners nada mais nada menos do que Girlschool, e ainda agraciaram o público com um fantástico show do Candlemass e do Bombers, a banda cover de Motorhead zueira pura do Abbath.

Nem sempre ser pequeno significa que haverá problemas, ou que não vamos nos divertir. E nem sempre quer dizer falta de estrutura – o Inferno Festival e Aalborg metal festival comprovam isso. Porém, no caso do Metal Magic, apesar de toda a diversão que tive e de toda hospitalidade dos dinamarqueses de Fredericia, tenho que admitir que a estrutura deixou muito a desejar. Que fique claro, esse festival é feito por fãs para fãs, assim como é o Hellfest, Roskilde entre outros. Havia muitos voluntários e sabemos que essas pessoas deram o sangue delas para fazer o evento ser o melhor possível. Mas nem tudo é perfeito, e acho que nossa avaliação de alguma forma tem também como objetivo mostrar alguns pontos em que esses festivais poderiam trabalhar para melhorar.

metal magic people

Há muitos pontos positivos, por exemplo, que não são parte da nossa avaliação, mas fazem muita diferença, como os espaços para descanso, locais de socialização… e nisso o Metal Magic contou com toda a estrutura da Ungdommens Hus a seu favor. Foi um dos festivais mais legais que já fui. O ar acolhedor e intimista estava lá, apesar de o festival ser constituído por dois palcos e ter quase 40 bandas tocando nos três dias de evento.

Metal Magic, a gente te ama, queremos voltar, mas também temos que descascar, infelizmente. Bora, então?

Transporte

Como sempre, todo e qualquer festival que acontece na escandinávia vai ter as fantásticas redes de transporte nacionais a favor. No caso da Dinamarca, a DSB é quase impecável. Havia uma grande oferta de trens durante todo o dia de Copenhague para Fredericia. E durante a noite, ainda havia mais 3 trens para voltar à capital ou cidades próximas, no caso de quem não acampou.

Para o deslocamento entre a estação central de Fredercia e a Ungdommens Hus não era necessário usar ônibus ou táxi, apesar de os mesmos existirem à disposição dos visitantes. O tempo de caminhada até o local era de apenas 12 minutos, em um trajeto favorável aos pedestres, sem muitos problemas.

Além disso, ainda havia um ônibus especial do festival para o primeiro e último dia de evento. Os bilhetes para esse ônibus deveriam ser comprados antecipadamente, junto com os ingressos do festival. Nada mal.

Informação

entrada metal magic

Desde a chegada à estação central de Fredericia notei que não havia ninguém para dar informações, ou mesmo não havia uma sinalizaçäo que indicava a direção do local. Quando cheguei à Ungdommens Hus, ou casa da juventude de Fredericia, também percebi que não havia sinalização para entrada e local onde se trocaria o bilhete pela pulseirinha. Não havia muita organização ou controle de saída de pessoas também. A entrada era bem confusa, na verdade, pois era o mesmo local onde era efetuada a troca de bilhetes, a venda de cupons para a bebida, e o credenciamento ( este último, meio que improvisado e baseado em conversas de facebook, sem muita burocracia, mas também sem muita garantia… tanto que quase não entrei!).

O site é bem completo, apesar de tudo. Havia informações sobre o line up, programação dos shows, mapas, informações sobre acomodação, transporte especial, entre outros. Porém, o canal de contato mais eficiente com o público era a página do festival no Facebook. No site não havia, por exemplo, email para contato.

Havia também impresso o programa de cada dia pregado em algumas paredes da casa. Algumas coisas eram sinalizadas, como a comida para os artistas ou o local onde se comprava o ticket de comida. Mas, outras coisas ficaram simplesmente jogadas e você tinha que se dar à emoção da descoberta. Esse foi o caso do bebedouro de água, dos tickets para cerveja, do setor de camping e também os banheiros, que ficavam bem distantes de tudo…

Hidratação e comida

Água, aquele ponto que sempre pegamos no pé, existia de graça. Porém, em um único ponto, sem sinalizaçäo e muito mal localizado. Não havia copos perto do bebedouro a princípio. Mas depois colocaram alguns ao lado, para evidenciar. Porém, brinquei que eles estavam brincando de ocultismo com a água, pois quase ninguém sabia aonde estava o tal bebedouro! Mas, acho que com o preço de cerveja mais barato de todos os festivais em que pisei na escandinávia, água certamente não era uma preocupação. Foi no Metal Magic que vi, reluzente, 500ml de tuborg  sendo vendidos a apenas 25 dkk, por volta de 13 reais! quase mais de 100% mais barata do que em qualquer outro festival na escandinávia! Nesse ponto, Metal Magic fez bonito.

"Ocultismo" com o bebedouro =/

“Ocultismo” com o bebedouro =/

Já com relação à comida, também não foi um dos piores com relação ao preço. Poderiam ser comprados sanduíches, cachorro quente por 25 dkk também (13 reais). Ou até mesmo um prato de porco assado e batatas, por 100 dkk (50 reais). A variedade, contudo, era bem pequena. Houve a tentativa de ter bolo, chocolates, frutas…. mas nada de sucos ou refeições um pouco mais leves. Apesar de tudo, aquilo que foi disponibilizado era bem gostoso. Mas falta muito para oferecer uma experiência mais legal com relação à comida. A vantagem, pelo menos, é que havia supermercado relativamente perto e tudo que fosse comprado poderia ser levado para a área de acampamento.

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Limpeza

Não era um festival sujo. Afinal, me parece que o público metal que estava lá já tinha crescido, diferente dos adoslescentes histéricos do Roskilde Festival. Há também o fato de ser um festival menor. Por isso, menos sujeira é gerada. As lixeiras eram poucas, meio mal sinalizadas, mas não fez muita diferença. Os banheiros, infelizmente eram poucos, daqueles de água corrente estilo trailer. A limpeza era razoável, mas ao passar do tempo, eles ficaram meio inóspitos. Compensa muito uma atenção para essa parte.

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Conectividade e energia

Não havia nada oficial ou explícito para que as pessoas pudessem usar esses serviços. Lá na entrada, aquela meio tumultuada, havia um papel indicando po nome da rede. Porém, não havia a senha para a mesma. Perguntei ao pessaol da organização e também não souberam informar. Os celulares certamente poderiam ser carregados em algum canto daquela casa, mas isso não foi deixado claro. Sendo assim, é como se essa possibilidade fosse realmente inexistente.

Segurança

O festival é seguro? Sim, porque é pequeno e acontece na escandinávia. Porém, não foi feito nenhum esforço para torná-lo efetivamente seguro, uma vez que não havia segurança, revista de bolsos e bolsas, nada, nada mesmo… saudades da sociedade domesticada e da confiança que um cidadão tem com o outro…
Não me parece que seja preciso investir nesse quesito caso o festival continue com as mesmas proporções. Porém, já é um ponto para se pensar adiante.

Não é uma das estruturas mais bacanas com as quais já nos deparamos, mas ainda é um festival que faz por onde e, caso possível, certamente vamos voltar.

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Transporte9.8
Informação5.5
Hidratação e comida7
Limpeza6.5
Conectividade e energia3
Segurança6.5
6.4

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Gracielle Fonseca

Não faço nada na vida sem paixão. Tanto que, pra me formar em Jornalismo, tive que fazer com 2 colegas um TCC sobre metal, o Ruído das Minas: a origem do heavy metal em BH. Também decidi que faria o primeiro documentário sobre as Mulheres no Metal, o Women in Metal, e fiz. Foi por paixão também que larguei um emprego público, para me aventurar pelo mundo dos festivais com a Pri.

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