Popegoja é um pocket festival

Estrutura de festivais gratuitos às vezes é imprevisível. No Brasil, estamos acostumados com alguns gratuitos que são grandinhos, como o Natura Musical, As Viradas Culturais, Festival Cultura Inglesa, entre outros. Mas não há regra, apesar de todo mundo geralmente calibrar a expectativa lá em baixo, só porque é gratuito. O Popegoja era uma incógnita para nós, até chegarmos ao Folkets Park em Malmö, na Suécia e vermos que se tratava de um pocket festival.

Por ser em outro país, não sabíamos bem como seria a configuração do evento, nem se as bandas que iriam tocar eram aclamadas por lá – mesmo que o estilo fosse Indie e que, geralmente, não seja um agregador de densidade demográfica.

Sem guias, sem pulseirinhas, sem patrocinadores, sem muvuca. Foi basicamente assim e, em torno de 3 palcos espalhados pelo não muito grande parque que o festival aconteceu.

 

parque

Vinte e duas bandas tocaram em shows que se alternavam entre um palco principal, outro palco minúsculo ao lado desse principal, e um palco auxiliar, perto de uma das entradas principais do parque. Os shows também eram bem pequenos, duravam em média 20 minutos. Os intervalos entre eles também não ultrpasssavam mais de 15 minutos, o que foi legal e deu dinâmica para o evento.

 

palcos

 

Chega de blablabla e vamos a uma avaliação um pouco mais objetiva da estrura pocket mas funcional do Popegoja:

 

Transporte:

triangeln editada

O Folkets Park fica localizado em uma região bem central de Malmö, então, transporte não era o problema. Vindo de trem, de Copenhague ( no nosso caso) era possível descer na estação Triangeln, que fica a poucos metros do parque. Pegamos o Øresundtog, aquele que já contamos para vocês como faz para pegar, nesse post aqui. Mas a gente repete.

Os trens para a Suécia partem da estação central de Copenhague e do Aeroporto de 20 em 20 minutos, e tinha trem até durante a madrugada para ir e voltar. A viagem de ida custa 88 coroas dinamarquesas, enquanto a volta fica em 112 coroas suecas. Ao totdo, fica tudo mais ou menos em 100 reais, no final das contas. Os bilhetes podem ser comprados on line, ou então nos guiches da DSB nas estações, bem como nas máquinas automáticas – cuidado, pois na Dinamarca elas só aceitam cartão. Já na Suécia, cartão, notas e moedas são aceitos.

A oferta de trens, metrô e ônibus para o local também era bem farta. Bastava procurar aqui, nesse planejador de deslocamento no sistema de transporte público sueco. E, assim como Copenhague, Malmö também é toda cortada por ciclovias. Então, você poderia ir pedalando de qualquer lugar na cidade facilmente para o Folkets Park.

Da estação central de Malmö, era possível chegar ao parque com apenas 20 minutos de uma prazerosa caminhada pela bela cidade. Nesse quesito, o Popegoja fez bonito.

 

Informações:

info2

Elas estavam disponíveis no site oficial do Popegoja, e também no site do Folkets Park. Mas, tudo em sueco. Para nós, a falha já começou bem aí. Quando chegamos a uma das entradas do parque, havia cartazes pequenos, pouco chamativos e misturados a um tanto de coisas, todos em sueco também.

A úncia informação que detínhamos e havia nos sido dada pela organização foi a tabela de horários e palcos onde as bandas se apresentariam. Esta também estava disponível em tímidos cavaletes perto dos palcos. Não havia aplicativos para os smartphones, algo bem presente no quesito informações nos festivais em que fomos.

 

Hidratação e comida:

 

comida

Absurdamente cara e com poucas opções dentro do parque. Havia três quiosques vendendo cachorro quente, café, pães, refrigerantes e sorvetes por um preço impagável. Havia também uam churrascaria, um Café e um outro grande bar/restaurante que ficou fechado ambos os dias. Percebemos, contudo, que não era proibido entrar com comida no parque. Muito pelo contrário, os gramados eram um convite para que fizéssemos nosso pique nique.

Boa parte do público tinha feito isso e, teve até mesmo gente que fez churrasco. Assim, saímos  a rua em busca de um supermercado e, ao sair da entrada principal e atravessar a avenida já estávamos em um deles, ainda bem! Afinal, dentro do parque um copo de chocolate quente era 85 coroas suecas, aproximadamente 40 reais. E, no supermercado, compramos pedaços de frango assado, pão, molho, chocolate e bebidas por 88 coroas suecas. É para ficar de queixo caído, não é mesmo?! Comer fora na escandinávia é, na maioria das vezes, um mau negócio!

A gente só não reprova o Popegoja aqui porque o supermercado era a menos de 1 minuto da entrada do festival, e a farofagem tava liberada!

Já com relação à água, aqui na escandinávia o canal é sempre a torneira dos banheiros – apesar de ser um parque, não havia bebedouros. Mas, sabemos que a água da torneira do banheiro é potável e com opção geladinha, apesar de o gosto ser muito peculiar – foi assim que abastecemos nossas garrafinhas ( eu havia esquecido a minha e tive que pagar 14 coroas suecas, ou 6 reais por uma garrafinha de 500 ml…)

 

Conectividade e energia:

Inexistente. Havia um ponto, em frente a uma espécia de “transitolândia” para a criançada sueca, em que um misterioso wifi aberto dava o ar da graça, com um sinal bem fraquinho. Não havia pontos de recarga de celular ou coisa parecida. Sacaneou, hein Popegoja?
Limpeza e banheiros:

Os banheiros, eram muitos. Nem todos limpos e bem arrumados mas, a maioria, em estado satisfatório. Ah, e não se assute ao entrar num banheiro por aqui e se deparar com um homem. A maioria dos banheiros na escandinávia é mista! O parque estava bem limpinho, apesar de todo mundo ter levado suas churrasqueiras descartáveis e coisas para fazer pique nique.

Serviços Sociais e Ass. Médica:

Não havia nada disso por lá. Mas também, os suecos não parecem ser tão apavorados com esse quesito quanto os dinamarqueses.  E não havia quantidade de gente o suficiente para ter um caos que exigisse um serviço médico dedicado ao festival. Por ser na área central, provavelmente o parque está perto de hospitais públicos.

Compra de ingressos:

Não se aplica, pois o festival era gratuito e também não havia distribuição de senhas para entrada, ou coisa do tipo.

Segurança:

Havia o policiamento rotineiro do parque. Nada na quantidade de policiais fazia parecer que pudesse ter sido planejado um esquema especial para os dias de festival. E a paranóia da segurança da platéia em shows parece ser mais uma febre dinamarquesa. Nada de Crowd Safety, pois também nem tinha muito “crowd” para fazer algo assim ser necessário.

Nosso balanço sobre o Popegoja é de que, para o porte do festival, a estrutura foi adequada e satisfatória. Um festival pequenininho mais arrumadinho. O parque ainda oferecia um playground extenso para quem tivesse trazido crianças, fontes de água para se refrescar no calor, vários bancos, áreas para lazer e descanso. Ainda tinha uma vendinha de produtos variados, 3 barraquinhas tímidas que vendiam bonés, roupas, lenços, nada relacionado com o festival ou com as bandas. No mais, havia gramado de sobra para que todos pudessem se espichar e aproveitar a música, sob um sol tímido e ventos gélidos ao fim do dia de um verão à escandinava.

Veja um videozinho que fizemos sobre o clima do Popegoja:

 

Transporte10
Informações0.6
Hidratação e comida5
Limpeza7
Conectividade0.5
Segurança9
Seria difícil exigir mais do que isso de um festival tão baby e pequenino. A gente é que é muito exigente mesmo. Mas fica a dica dos pontos que a galera precisa melhorar no Popegoja ;)
5.4

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Gracielle Fonseca

Não faço nada na vida sem paixão. Tanto que, pra me formar em Jornalismo, tive que fazer com 2 colegas um TCC sobre metal, o Ruído das Minas: a origem do heavy metal em BH. Também decidi que faria o primeiro documentário sobre as Mulheres no Metal, o Women in Metal, e fiz. Foi por paixão também que larguei um emprego público, para me aventurar pelo mundo dos festivais com a Pri.

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