graspop xlPúblico no Graspop Metal Meeting 2018. Ph: Robin Looy

O primeiro e último Graspop XL, porque tamanho não é documento

O Graspop Metal Meeting 2018 foi o maior de todos os tempos. Porém, este foi o primeiro e último Graspop XL. Apesar do cansaço e da gripe forte (parece que gripe forte é minha nova depressão pós festival), esta não é uma fala minha. Mas sim da produção, que adiantou o fim da edição de 4 dias do festival. Inclusive, já foram anunciadas as datas para o próximo ano: O Graspop Metal Meeting volta ao seu formato regular em 2019, com apenas três dias (21, 22 e 23 de junho).

Mas antes que todos os “ahhhhhhhh, que pena!” comecem, precisamos bater um papo sobre como foi esta edição de quatro dias de festival. De alguma maneira, foi sim especial. Não é corriqueiro um festival resolver crescer em um dia, assim “de repente”. Quem esteve lá, assim como nós, viveu esta experiência e presenciou esta edição histórica . Contudo, somos as mesmas pessoas que podemos atestar que tamanho definitivamente não é documento. Ainda mais se você já esteve no festival em suas edições passadas e menores, aí vai concordar mesmo com esta máxima.

Graspop XL atraiu uma multidão para Dessel em 2018

Este ano foi a primeira vez em que todos os dias do festival foram completamente vendidos. Também, com headliners tão estrelados como Guns N Roses, Iron Maiden, Volbeat e Ozzy, seria estranho se não tivesse ocorrido. Por essas e outras questões, o GMM18 marcou a história do festival. A cidadezinha de Dessel não deixou de ser -inha, mas tornou-se destino de 200 mil pessoas, durante quatro dias. Assim, o Graspop deixou oficialmente de ser um festival de médio porte para figurar entre os grandes festivais de metal da Europa.

Contudo, o crescimento numérico vertiginoso traz também consequências por vezes desastrosas. Muitas delas podem até comprometer o desempenho do festival e a experiência dos fãs. É triste, mas é preciso reconhecer que a edição XL do Graspop não o tornou melhor por isso. Afinal, tamanho não é documento.

Choveu em 2016. Em 2018, também ( só que outro tipo de chuva)

Estivemos no Graspop Metal Meeting 2016 e tivemos má sorte. Naquele ano, o que não acontecia há muitas edições do festival se precipitou em forma de muitos centímetros cúbicos de água. Foi a edição mais molhada da história do Graspop. Então, vivemos momentos de caos e lama naquele festival. Apesar do tempo seco e de tudo parecer que iria funcionar às mil maravilhas, também vivenciamos problemas. Entretanto, dessa vez por conta da chuva de gente. [Parece que o Festivalando e o Graspop estão num caso de amor e ódio, de pé frio ou sei lá o quê!]

No primeiro dia, devido a enorme quantidade de fãs, a entrada para troca das pulseiras e acesso ao camping foi um grande problema. Pelo menos 4 horas de espera na fila, enquanto os shows já rolavam lá dentro. Por isso, muita gente ficou insatisfeita. Afinal, essas pessoas já tratam os festivais como um produto, e exigem corretamente seus direitos de consumidor. Uma fã dizia “paguei por um ticket para um dia inteiro. Cheguei no horário da abertura do festival e quero ver todos os shows pelos quais paguei.

Contudo, a demora na fila de entrada era só o prenúncio do que estava por vir em termos estruturais. Uma das nossas grandes preocupações quando anunciaram mais um dia de festival foi justamente se a estrutura do GMM daria conta. Afinal, crescer é fácil. Já crescer com qualidade…

Alguns pontos da estrutura do Graspop Metal Meeting revisitados

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Camping GMM18. Ph: Nathalie Moors

Superlotação do camping

Um dos maiores problemas do Graspop XL foi a superlotação do camping comum. Para esclarecer, existe uma boa oferta de acomodação pro festival, em um local chamado Metaltown, a alguns km da entrada principal. Porém, há também o camping comum, o que é gratuito para os visitantes que adquirem o ingresso para o festival e que está ao lado da entrada principal. Aí neste mesmo camping também existe uma área de barracas especiais, da FestTent, que são pagas e previamente montadas nas melhores áreas possíveis. Em 2016, mesmo com toda lama foi possível manter alguma boa organização no camping.

Porém, com a superlotação de pessoas, as coisas ficaram um pouco mais caóticas. A primeira e mais grave foi a ocupação das faixas de segurança e dos caminhos de passagem com barracas. Muitas pessoas reclamaram que não havia outra maneira de acampar a não ser utilizando este locais. Neste sentido, o festival perdeu muito em segurança para pessoas acampadas. Afinal, uma barraca no meio do caminho não deixa nem a pessoa de fora nem a de dentro seguras.

Pra concluir, é nessas horas que você começa a entender, por exemplo, porque as distâncias no Wacken são tão grandes. Pois, para manter um camping com mais pessoas, é preciso mais área disponível. E a área do GMM não é tão grande assim (o que antes deste episódio eu via como uma vantagem).

Filas e espera para hidratação, banheiros e comida

As filas eram bem grandes, principalmente nas áreas centrais, perto dos palcos principais. Aí quase não era possível tomar água ou ir ao banheiro com certa agilidade. Também no camping as filas não foram amigáveis, principalmente em determinados horários da manhã, quando os europeus curtem mais tomar banho.

Assim como não foi rápido ir ao banheiro nas áreas mais próximas dos palcos principais, também estava difícil se alimentar por ali. Muitas filas e desorganização na hora de pegar a comida, mesmo com o sistema cashless. Além disso, na maioria dos dias, as praças de alimentação com cadeiras e mesas ficaram muito cheias. Contudo, a praça de alimentação perto da entrada principal do festival ainda tinha momentos mais transitáveis do que aquela que ficava atrás da arquibancada montada de frente para os palcos principais.

Pra quem nunca foi ao festival, também pode ter ficado confuso a maneira como as fontes de água foram colocadas. Apesar de elas estarem indicadas pelo mapa do GMM, elas não foram claramente sinalizadas como fonte de água potável. (E isso não mudou, desde a edição de 2016). Localizadas logo nas saídas dos banheiros, muita gente achou que se tratavam de pias para lavar as mãos.

Falta de cuidado na revista

Devido à quantidade de pessoas para entrar no festival, as revistas foram mais breves do que deveriam ser. Também em alguns dias elas foram relativizadas, e a pessoa simplesmente olhava para a sua cara e te deixava passar. Comigo, por exemplo, nunca aconteceu de me deixarem entrar com uma garrafa com água. Este ano, foi a primeira vez que entrei na área de festival com água, duas garrafas, para ser mais precisa. Embora houvesse detector de metal, não entendi muito bem a lógica de deixar a bolsa numa mesa pra passar no detector. Aí, ao final, a bolsa não era passada em nenhum detector ou devidamente revistada… assim, infelizmente o festival decaiu em um dos quesitos mais importantes.

Lentidão para agir em situações perigosas

Também nesta edição eu presenciei duas brigas grandes, ali no gargalo do palco. Dois caras se pegando até esfolar. No entanto, a equipe responsável pela segurança demorou muito a agir. Por causa disso, quem não tinha nada a ver com a briga teve que esperar a situação se resolver e se equilibrar com os empurrões. Definitivamente, bem longe do protocolo crowdsafety que estamos acostumadas a ver em festivais como o Roskilde, por exemplo.

Desleixo na limpeza

 

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GMM18. Ph: Mats Palick.

Já em 2016 era possível entender que a limpeza não era uma grande prioridade do GMM. Na verdade, até relevamos um pouco tais questões na hora de dar a nota da estrutura, porque as condições metereológicas não haviam ajudado muito a organização do festival naquele ano. No entanto, este ano foi tipo a prova dos sete de que nosso palpite tinha algum fundo de verdade. Na maior parte do tempo, o festival estava com um chão bem sujo. Os banheiros também poderiam ter sido mais limpos.

 

Boa conectividade apenas em um lugar

Em 2016, o wifi estava pegando muito bem em vários lugares do festival. Inclusive, tinha wifi em alguns palcos cobertos, como é o caso do Marquee. Este ano, contudo, o local onde a internet tinha um sinal razoável era a praça de alimentação, perto da entrada principal. Mesmo assim, quando ela estava cheia, era quase impossível alimentar o stories do insta pra vcs. Ou seja, outro quesito em que o festival poderia ter melhorado, mas na verdade foi o único que realmente piorou.

Mesmo assim, ainda vale a pena ir ao Graspop?

GMM18. Ph: Dorien Goetschal

Ainda não experimentei o festival em suas condições normais de temperatura e pressão. Portanto, acho que para responder com propriedade a tal questão, vou precisar ir novamente em 2019, e precisarei que não haja chuva, hahaha. Mas falando sério, há muitas pessoas assíduas do festival que sempre relatam com muito gosto suas experiências. Na verdade, havendo possibilidades e boas coincidências, não vejo porque não ir. Inclusive, seguindo os passos do nosso guia de viagem do Graspop você evita alguns percalços.

De uma maneira geral, é sim um festival que tem mantido consistentemente a qualidade no lineup e uma infra estrutura que atende a necessidades mais importantes, mesmo que neste ano tenha requerido um pouco mais de paciência.

Em todo caso, apesar de a edição de quatro dias do Graspop não ter feito dele um festival melhor, também não o fez um festival pior. Na verdade, existem algumas mudanças implementadas desde 2016 que melhoraram alguns aspectos da experiência por lá. Por exemplo, existem mais áreas de descanso, agora, com rede e tudo mais.

graspop xl

GMM18. Ph: Nathalie Moors

Então, talvez seja o caso de esfriar a cabeça e ver o que vão aprontar para a edição de 2019. Afinal, nem precisa dizer que a Bélgica é um dos nossos destinos favoritos por aqui, ainda mais Bruxelas e Bruges <3.

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Gracielle Fonseca

Não faço nada na vida sem paixão. Tanto que, pra me formar em Jornalismo, tive que fazer um TCC sobre metal, o Ruído das Minas: a origem do heavy metal em BH. Também decidi que faria o primeiro documentário no mundo sobre Mulheres no Metal, o Women in Metal, e fiz. Comecei a ir em festivais de metal internacionais em 2009. Desde então, viajar em busca da música, essa outra paixão, tornou-se um projeto profissional que hoje chamamos de Festivalando.

4 comments

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  1. Everaldo 1 julho, 2018 at 07:03 Responder

    Temos a mesma experiência no GMM (2016 e 2018) e quando cheguei aqui pra ler estava curioso pra saber a opinião de vcs sobre as diferenças…
    01. A entrada foi desastrosa…
    02. Escolado por 2016, aluguei o FestTent e essa se mostrou minha mais sábia decisão!rs
    03. Mesmo com o gigantismo deste ano, não notei grandes diferenças nos quesitos Entrada/Saída/Filas (banheiro, bebidas, comidas).
    04. A limpeza realmente piorou, mesmo com o clima melhor.
    05. Curti BEEEEM mais a edição deste ano, muito porque eu cheguei com a experiência passada e um ótimo saldo de tokens! hehehe
    06. Essa área das redes é SUCESSO, sobretudo se vc é do Nordeste! Quase derramei uma lágrima quando consegui deitar (e dormir até roncar!) kkkkk

    Recomendo fortemente a ida ao GRASPOP!

    Beijão!

    • Gracielle Fonseca 2 julho, 2018 at 09:05 Responder

      Ei, Everaldo! Poxa vida, que pena que não nos encontramos por lá desta vez. E sim, Fest tent é vida, né?
      Bom contar com sua opinião aqui também. E é aquela coisa, apesar dos pesares, a gente continua amando esse fest, né? hahaahaua!
      Beijão!!!

  2. Gilberto 12 setembro, 2018 at 08:32 Responder

    Eu estive nas duas edições que a Graci e o Festivalando cobriu e concordo com a review em quase todos os aspectos.

    Minhas considerações:

    1) superlotação: embora digam que todos os dias foram sold out, eu achei na média bem mais tranquilo que os dias do volbeat e o Iron Maiden em 2016, 3o e 4o respectivamente. Aquele último dia em especial do Maiden em 2016 estava foda até para andar de um palco pra outro, ir as barracas de comida, banheiro, etc. os deslocamentos estavam piores. Fiquei até preocupado quando a previsão era que tinha mais gente ainda este ano, mas, correu bem e não peguei muitas filas para comer, beber

    2) banheiros: aí sim peguei filas e notei também que não deram conta da limpeza mediante a demanda

    3) limpeza em geral: achei que estava bem sujo apenas no último dia, no restante, pólio. Poderia ser melhor, mas ano comprometeu nos 3 primeiros dias .

    O ponto egativo de vez:

    A caótica entrada no primeiro dia com a fila e a falta de agilidade. Acho sim que isto foi unânime. Perdi o show do cancer Bats por isso. Uma lástima!

    Queria compartilhar com você a visão de quem se hospeda em Turnhout e tem que e pro festival por conta própria, pois, deve haver leitores que não tem essa info e pode ser muito útil.

    De dia eh bem fácil ir de ônibus de Turnhout até o graspop, as saídas são de hora em hora e leva-se cerca de 1h15 pelo trajeto todo de porta a porta, para aqueles que ficarem num raio de 1 km da estação de trem de Turnhout e onde tem os pontos de ônibus.

    O ônibus não eh caro, custa 3 euros e você tem que descer no ponto Dessel Market. De lá, atravessando a rua tem o shuttle pro festival, dai, só caminhar mais ou menos 1 km da parada do mesmo até o final.

    O problema eh voltar. O primeiro depois que o festival acaba eh somente umas 4h50 da manhã de Dessel Market e um taco são muito caro, cerca de 45 euros. Se compartilhado com até 10 pessoas, até rola sem stress, mas, sozinho e tive que apelar para isso no 1o dia, foi de f****.

    • Gracielle Fonseca 17 setembro, 2018 at 13:45 Responder

      Olá, Gilberto! Muito obrigada pelas suas contribuições. Pois é, acho que 2016 foi tão, mas tão caótico que eu esperava algo muito melhor em 2018 e não rolou. Fiquei bem frustrada com tudo de negativo que rolou em mais uma edição, infelizmente. Mas sim, esses pontos sobre a lotação os quais você apontou acho que a coisa mais grave e unânime foi mesmo a questão da entrada no primeiro dia. Uma lástima =(. Achei massa essa sua vivência se hospedando em Turnhout. Eu vi que a cidade é super pertinho do festival e poderia mesmo ser uma opção. O que é complicado é o que você disse, a volta! Chega uma hr nessas cidades pequeninas que não há mais transporte público. Tendo em vista um festival deste tamanho, eles deveriam fazer acordos com as empresaas de transporte para oferecer mais horários, né? Mas enfim, táxi só é mesmo opção com amis gente. Do contrário, muito, mas muito caro mesmo. Valeu demais pela contribuição, querido! Bjão!

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