graspop 2018Parkway Drive. GMM18. Ph: Nathan Dobbelaere

Graspop 2018: entre tapas e beijos com mais uma edição do festival

O Graspop Metal Meeting sempre me desperta sentimentos ambíguos com a experiência de estar por lá. Tudo bem que até hoje eu não consegui estar em nenhuma edição “normal” do festival. Pois, em 2016 estive em um ~dilúvio belga~ e agora, no Graspop 2018, na versão GMMXL com um dia a mais e todos ingressos vendidos.

A grande expectativa com o aumento de um dia no Graspop 2018 foi também o crescimento do número de bandas. Este ano, foram 120 bandas tocando nos 6 palcos do festival. Apesar de nem tudo ter saído às mil maravilhas, [como você vai ler mais no texto que sai amanhã], esta edição teve seus momentos de muita dignidade. Seria até estranho caso não existissem tais momentos, uma vez que o lineup do Graspop 2018 não deixou a desejar, além de ter headliners super estrelados como Guns N Roses, Iron Maiden e Ozzy.

No entanto, pra experimentar tal dignidade, nossos ouvidos tiveram que relevar muitos momentos em que o som dos palcos principais estava ruim. Também o fato de o festival ter sido invadido por um mar de pessoas, o que fez com que muitos concertos estivessem quase intransitáveis.

Mas, felizmente, quase sempre tudo acaba bem, em nome da música e por causa da música, mesmo que seja entre tapas e beijos (já dizia a sabedoria da música popular brasileira) kkkk. Assim, ainda que com certas questões a serem pontuadas, o Graspop 2018 arrancou sorrisos e ofereceu memórias bonitas para xs bangers que estiveram presentes.

Finalmente, um Graspop seco!

Uma das coisas que me deixaram bem contente foi encontrar o Graspop 2018 seco. Afinal, depois do drama na lama que vivi em 2016 neste mesmo festival, já era hora de ter uma experiência seca no GMM. Posso assegurar agora que faz muita diferença transitar pelo festival sem lama nos pés, sem a chuva gelada molhando o seu corpo.

No entanto, não se iludam com a palavra “festival de verão” quando ouvirem algo sobre o Graspop. Apesar de não ter chovido, o festival teve temperaturas muito frias durante as noites. Por conta desses 8 graus e alguns excessos, a pessoa aqui deste lado de cá vos escreve com uma caixa de lenços de um lado, e uma bateria de antitérmicos e analgésicos do outro.

Não teve chuva, mas foi igualmente caótico em alguns momentos

Este ano, apesar de não haver chuva pra causar hecatombe na área de festival e camping, a lotação máxima e o aumento de um dia teve suas consequências. A confusão não foi pequena e alguns serviços foram comprometidos. Porém, a gente vai falar mais sobre isso no texto de amanhã, que vai ser uma espécie de update da avaliação da estrutura do Graspop feita por nós em 2016.

Teve copa!

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Jogo na Bélgica no GMM18. Ph: Peter Jongh

Os Belgas estão realmente empolgados com o mundial de futebol este ano. Por isso, o Graspop não poderia ignorar toda a situação. Resolveu fechar uma área chamada fanzone no camping, para que as pessoas pudessem assistir aos jogos. Eventualmente, também colocaram telões na torre de controle de som com transmissão dos jogos. No dia do jogo Bélgica x Tunísia, você pode imaginar que festa tremenda rolou por lá por conta da vitória com 5 gols.

O metal e seus festivais estão mudando

Neste Graspop 2018, ficou nítido e evidente pra mim que o metal, seu público e seus festivais já não são mais os mesmos. Desde o primeiro dia, havia uma divisão bem clara entre um público super jovem/adolescente e o público veterano. Mas a primeira grande epifania desta mudança foi um colete jeans que um rapazinho usava. Nele, havia patches do Avenged Sevenfold, Parkway Drive, Five Finger Death Punch e pelo menos mais umas quatro bandas das quais eu nunca tinha ouvido falar.

A segunda epifania foram alguns shows que vi no palco principal. Por exemplo, Bullet For My Valentine, Avatar, Billy Talent, Hollywood Undead e Parkway Drive. Simplesmente é outro tipo de vibe, com um som muito mais produzido e comercial. Me sinto um pouco perdida quando vejo e escuto essas bandas, como alguém que ainda não se adaptou aos novos moldes do que realmente está se tornando a cena internacional do metal.

A terceira epifania também tem a ver com isso, e já tinha me ocorrido desde 2016: o nome dela é Volbeat.

Volbeat, um dos pivôs da mudança?

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Volbeat no GMM18. Ph: Dorien Goetschal

Podem apostar: Volbeat é a próxima grande banda de metal a figurar em tudo que é festival como headliner, daqui pra frente. Isso já era visível para mim em 2016, quando vi aquela turma de dinamarqueses levantando o público do GMM debaixo de chuva. E olha que naquele ano o pário foi apertado. Tinha show do Iron Maiden e do Black Sabbath.

No entanto, ninguém fez o público curtir tanto, pular e sair do chão como o Volbeat. Em 2018, mesmo tendo a concorrência difícil de Ozzy, Iron Maiden e Guns N Roses, o Volbeat voltou a dominar o Graspop. Ainda mais quando fizeram nesta apresentação um tributo sincero a Vinnie Paul (ex-Pantera, Hellyeah), falecido no dia anterior.

Mas não é só o Volbeat que causa toda esta sensação. Também o acompanham bandas como Avenged Sevenfold e Ghost, com uma legião de novos fãs e possível proeminência como grandes headliners daqui para frente.

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Ghost no GMM18. Ph: Tim Tronckoe

De alguma maneira, é preciso virar o disco, mesmo. Festivais feitos apenas com bandas antigas podem ser um pouco enfadonhos. Até mesmo assistindo a alguns shows das super famosas do lineup eu senti certa fadiga. Porém, nem todas as bandas novas possuem esse “frescor verdadeiro” do novo, pois ainda bebem nos clássicos, mesmo que seja para ferrar com eles, rs. Além disso, muito menos podem garantir a capacidade de cativar o público como as antigas fazem.

Fato é que estamos numa fase de transição e é preciso ter um pouco mais de paciência e audição. Lembrete pra mim, lembrete pra todo mundo.

Mas sempre há lugar (e muito responsavelmente guardado) para o oldschool

Felizmente há lugar para o oldschool. E, por isso, foi possível ver um momento tão bonito como a apresentação do Judas Priest. Com sua nova formação, a banda veio lançar o disco Firepower. No entanto, o show trouxe vários clássicos do passado. Além disso, a grande surpresa de alguns deles terem sidos tocados por Glenn Tipton, um dos guitarristas originais da banda. Ele entrou para tocar Metal Gods, Breaking the Law e Living after Midnight e deixou todo mundo boquiaberto.

Recentemente, Glenn anunciou seu afastamento do grupo por conta do mal de Parkinson. Assim, fazia algum tempo que ele não estava em turnê com o Judas Priest. Então, sua aparição no show foi um momento super comovente.

Mas a invasão dos clássicos ingleses não para aí. Felizmente, Bruce Dickinson e sua turma ainda estão com todo o gás e reinando absolutos em lineups. A Donzela de Ferro fez mais um show inesquecível, com um palco onde cabia até mesmo uma réplica de um avião de guerra.

O set list talvez tenha sido um dos mais bem elaborados de todos os shows que vi da banda. Saca a sequência que importa (na minha humilde opinião): Aces High+ Where Eagles Dare + 2 minutes 2 midnight+ The Clansman + The Trooper e logo Flight Of Icarus+ Fear of The Dark+ The Number of the Beast+ Iron Maiden e ainda terminar com Hallowed Be Thy name e Run to the Hills.

Ozzy deu um adeus festivo, mas sem pirotecnia

Eu estava esperando até há pouco algum sinal de fogos de artifício, mas nada kkkkk. Foi meio assim que terminou o show do Ozzy. Logo depois de Paranoid, achei que ia ter foguetório. Afinal, era o grande show da noite e o apresentação de fechamento do festival. Mas não importa. Pois, no fim das contas, Ozzy e sua banda são eles mesmos a pirotecnia.

Na verdade, só mesmo um foguete chinês colorido para ser mais exibido do que Zackk Wild. O guitarrista subiu em plataformas, foi pro meio do público, tocou com a guitarra nas costas e tal. Amostrado é que fala, né? rs

Começando o show com imagens projetadas de Ozzymenino na transição para Ozzymadman, Bark At the Moon na sequência abriu um grande espetáculo. Felizmente, até que enfim haviam tomado o controle do som do festival. Assim, seguiu-se uma das apresentações com melhor qualidade sonora até então (pena que foi o último show do mainstage 1). Pelo menos, saímos felizes de ouvir em alto e bom som os sucessos como Mr. Crowley, No More Tears, Shot in the Dark e Crazy Train na voz original pela última vez. Se é que Ozzy realmente cumprirá sua promessa de aposentadoria.

Algumas broncas com o Graspop 2018

Eu já estava relativamente contente ao ver um certo número de bandas de mulheres ou com mulheres no lineup do GMM deste ano. Contudo, eu não tinha prestado muito atenção nos horários reservados a elas. Quando me deparei com o show de Doro Pesch e Warlock às 16h50 de uma quinta-feira, surgiu uma certa revolta dentro do meu coraçãozinho. Afinal, quinta feira ainda era dia de trabalho pra muita gente. Fora isso, era o primeiro dia de festival. Como teve muita confusão e fila para pegar pulseiras e entrar, muita gente perdeu o show de uma das artistas mais importantes do metal.

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Doro Pesch no GMM18. Ph: Tim Tronckoe,

Fora ela, também outros shows de mulheres não estavam escalados para os horários mais nobres. Por exemplo, além de ter sido no Jupiler Stage, um palco secundário, o show da L7 também rolou às 16h40. Porém, foi menos grave pelo fato de ter sido no fim de semana.

Além delas, as integrantes da Vixen tocaram às 14h do sábado, terceiro dia de festival. E cá pra nós, tá quase todo mundo morgando ainda na barraca neste horário! Como se isso não bastasse, ainda colocaram um telão na área de shows transmitindo jogo da copa durante o concerto delas. Desrespeitoso, não?

Vale a pena estar no Graspop outravez?

Sem pensar muito, digo que sim. Afinal, o Graspop é um festival que sempre fisga a gente pelos lineups bem estruturados. Caso acertem melhor  a programação, pra promover mais equidade com bandas de mulheres, as coisas podem ficar ainda melhores.

Já em relação à experiência, ainda que o festival tenha ficado grande demais, com quatro dias, ainda não é tão exaustivo como o Wacken, que tem uma área a ser percorrida muito maior. Porém, não se pode deixar de considerar o efeito que a desorganização com relação a algumas questões de estrutura causa em nosso humor e físico ( amanhã contamos mais).

Também é um festival tranquilo, com um público bacana e clima consideravelmente amistoso. As pessoas são receptivas e prestativas. Sendo assim, caso surjam oportunidades, vá e se jogue!

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Gracielle Fonseca

Não faço nada na vida sem paixão. Tanto que, pra me formar em Jornalismo, tive que fazer um TCC sobre metal, o Ruído das Minas: a origem do heavy metal em BH. Também decidi que faria o primeiro documentário no mundo sobre Mulheres no Metal, o Women in Metal, e fiz. Comecei a ir em festivais de metal internacionais em 2009. Desde então, viajar em busca da música, essa outra paixão, tornou-se um projeto profissional que hoje chamamos de Festivalando.

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