estrutura do rock in rio lisboa

Como é a experiência do Rock in Rio Lisboa

Tem Palco Mundo, tem tirolesa (ou slide), tem o jingle batido dos anos 1980 e o globo com a logo do festival na entrada. Até o calor é parecido, com quase 30 graus à sombra. Mas há uma certa serenidade que passa por toda experiência do Rock in Rio Lisboa que ajuda a lembrar que nem tudo é reproduzível mesmo dentro de um modelo bem consolidado e consistentemente repetido.

Furor, substantivo brasileiro-carioca

Perto do original do Rio de Janeiro, o Rock in Rio Lisboa é um festival light. A serenidade que dá esse clima mais leve ao festival em Portugal vem da ausência de um sentimento: furor. Algo que na versão brasileira existe em abundância.

Pra começar do começo, não existe furor na venda de ingressos. Dos quatro dias de Rock in Rio Lisboa 2018, apenas um se esgotou (o dia de Anitta, Demi Lovato e Bruno Mars). Um dia antes da abertura do festival, eu me deparei com uma máquina de venda de ingressos pro festival (semelhante a um caixa eletrônico) na entrada do Mercado da Ribeira, um dos principais pontos turísticos de Lisboa.

experiência do rock in rio lisboa

Não existe aquele apego à marca Rock in Rio como existe no Brasil, e as razões pra isso são óbvias e compreensíveis – temos uma história com o festival, que faz parte do imaginário de pelo menos umas três gerações. Também não quer dizer que o público não se empolgue com o festival, mas parece ser muito mais por tudo o que acontece na prática – os shows e as atividades – do quê com o simples fato de se estar no Rock in Rio, o que no Brasil já é o suficiente para esgotar o festival.

Já a serenidade da experiência do Rock in Rio Lisboa começa na ida para o festival. Dependendo de onde você estiver, não mais que 20 minutos de metrô são necessários pra se chegar ao Parque da Bela Vista, onde acontece o festival. Eu gastei só dez. Esqueça a epopeia que é chegar na Barra da Tijuca (quase uma viagem, né?), metrô lotado e o BRT partindo com gente pela porta.

É tudo suave.

experiência do rock in rio lisboa

Lá dentro, o maior símbolo do Rock in Rio Lisboa traz mais suavidade: o sofá inflável laranja distribuído há várias edições seguidas por um mesmo patrocinador é objeto de cobiça e gera filas longuíssimas pra se conseguir um. Todo mundo quer ter o conforto de ver o festival de um pufe, e o resultado é que a grama (esta sim original, ao contrário do Brasil) fica colorida de pontinhos laranjados.

As árvores e o gramado do parque ajudam a dar mais leveza à experiência do Rock in Rio Lisboa como um todo, mesmo com o calor do verão português. Pode ser insuportável ficar debaixo do sol na frente do palco, mas nada que os pequenos bosques cheios de sombra nas áreas laterais não resolvam.

E, convenhamos, um parque de verdade é mais acolhedor que um parque olímpico que, na prática, é um deserto de concreto.

Conseguir um bom lugar pra ver o show é uma tarefa pouco árdua. Sem excesso de público e com um palco instalado em uma área de vale (parecido com o palco principal do Lolla), não foi difícil conseguir um lugar próximo à grade nas laterais do palco, com uma elevação ideal.

O suficiente pra ver bem de perto, no sábado (23), Anavitoria fazer dueto com o português Diogo Piçarra (e ouvir o público cantar sucessos da dupla brasileira); a firmeza das irmãs Haim, que fizeram um show crescente, com encerramento apoteótico, o Bastille ainda acertando os ponteiros ao vivo do temido segundo disco de estúdio e o Muse despejar aquele show de tom grandioso e cheio de hits de sempre.

O furor e a presença de Anitta

Curiosamente, o dia que fugiu um pouco à regra da pegada light da experiência do Rock in Rio Lisboa foi o dia mais brasileiro do primeiro fim de semana, graças à presença de Anitta (sorry, não consigo evitar o trocadilho).

Único dia com os 90 mil ingressos esgotados, o domingo (24) levou fãs em massa pra ver Bruno Mars ser preciso no papel de show man, pra ver Demi Lovato estrear em Portugal e, claro, pra ver ela, Anitta.

Os três shows ficaram lotados e conseguir um lugar mais próximo do palco já não foi tão simples. As filas também ficaram maiores – dos brinquedos e de albums bares, mas a serenidade dos portugueses deu o tom mais uma vez.

(Mas vamos falar de Anitta)

experiência do rock in rio lisboa

Vestida de Carmen Miranda ao surgir no palco em um container que estampava o nome da turnê, Made in Brazil, Anitta explorou simbolismos da cantora portuguesa que foi criada no Brasil para dar muitos recados de uma vez só.

Direto do Brasil para uma vitrine de alta exposição em Portugal em um palco como do Rock in Rio, e para a turnê europeia que ainda vai passar por Londres e Paris, ela estava ali para exportar uma imagem de Brasil atualizada para o mundo, com seu protagonismo e pioneirismo, tal qual fez Carmen Miranda entre os anos 1930 e 1950.

Entre um hit e outro dos muitos que ela acumulou nos últimos anos, incluiu sutilezas que mostram sua vitória no embate para chegar ao palco do Rock in Rio. Preterida por Roberto Medina para o Rock in Rio 2017 no Brasil porque, segundo ele, o estilo não se encaixa no festival, Anitta levou o paredão da Furacão 2000 para o palco e discursou sobre a felicidade de poder estar representando o gênero e levando-o tão longe.

A propósito, a poucos metros dali, no espaço de um dos patrocinadores, desde o dia anterior o DJ tocava Ludmilla, MC Kevinho, Naldo e outros artistas do gênero para portugueses que não se cansavam de dançar.

Derrotado nessa queda de braço, Medina, enfim, reconheceu que levar Anitta para o festival era obrigação (ainda que tenha reconhecido de maneira torta, atribuindo a decisão mais a uma pesquisa de mercado que aos méritos da artista).

Veja também: a nota que levou a estrutura do Rock in Rio Lisboa

Vale a pena viver a experiência do Rock in Rio Lisboa

Retomando a serenidade do Rock in Rio Lisboa, fica a recomendação para vir conhecer o festival, havendo po$$ibilidade$. Desnecessário dizer que a viagem pra Lisboa por si só justifica mais ainda tudo isso. O coração já está apertado por ter que deixar essa cidade tão agradável.

Antes de mais nada, é a chance de viver um Rock in Rio com menos furor, sim, mas também com menos afobação e mais tranquilidade. Degustar em vez de devorar. Afinal, é tudo light.

Tem mais da experiência do Rock in Rio Lisboa nos stories em destaque no Instagram do Festivalando

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Sou uma das mães do Festivalando e fiz Paul McCartney falar uai no Mineirão. Só porque eu gosto de música. Nas horas vagas, faço coisas sérias e tento salvar o jornalismo.

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