Zwarte CrossZwarte Cross/ Divulgação. Ph: Lawrence Mooij Dutchfoto

Zwarte Cross: o maior ou o mais bizarro festival holandês da atualidade?

Não consigo decidir se o Zwarte Cross (NL) é o mais bizarro, maior ou mais zoeiro de todos os festivais holandeses de que se tem notícia. Então, vou precisar desenvolver isso ao longo do texto para chegarmos a uma conclusão.

Depois de achar que o Sziget Festival (HU) tinha passado dos limites, com as festas barangas, e de que o Popegoja era o festival mais Kitsch, o Zwarte Cross chega para abalar meus conhecimentos. Mas antes de tudo, que festival é esse, minha gente?

What the hell is Zwarte Cross?

zwarte cross

Zwarte Cross/ Divulgação. Ph: Lawrence Mooij Dutchfoto

Zwarte Cross é um festival de música bastante peculiar, para não começarmos afirmando outra coisa.  Ele acontece todo verão, em julho, na cidade de Lichtenvoorde, nos Países Baixos. Antes de ser um festival que reúne música, motocross, acrobacias, teatro, humor e manifestações bizarras, o Zwarte Cross foi apenas um festival de motocross.

Na verdade, o festival começou como uma competição de motocross ilegal. E qualquer pessoa na posse de uma moto adequada ou de uma scooter poderia competir (começaram as bizarrices, hauahau)!

Com o tempo, a música e outras manifestações artísticas ganharam grande espaço. Tanto que, hoje, o festival tem 33 palcos! Sim, trinta-e-um-palcos, onde música ( mais de 150 bandas todos os anos) e shows de comédia não param. Por isso, minha dúvida se este não seria um dos maiores festivais do país. Pois até hoje eu não tinha visto nenhum festival nessa vida com esse número de palcos!

O lineup não importa, apesar de haver 31 palcos no Zwarte Cross

Não, o lineup não importa. São 31 palcos, tem show acontecendo o tempo inteiro. Porém, estamos diante de mais um festival que não importa o artista anunciado, em questão de um fim de semana os ingressos já estão todos vendidos. Seria ele mais um desses festivais com alma própria? Assim parece.

Alguns palcos são dividos por estilo. Por exemplo, há um palco dedicado exclusivamente ao reggae, outro à música eletrônica e outros ao rock e metal. Nos palcos principais, rola tudo misturado, sem culpa.

O maior festival da Holanda?

Além deste exagero de número de palcos, o Zwarte Cross também apresenta outros números igualmente impressionantes. Na edição de 2017, reuniu  mais de 220 mil pessoas. Este número é pouco mais de 1% da população total do país, que é um dos mais povoados da região. Então, o festival é realmente um best seller do mundo festivaleiro europeu.

Em termos de comparação com dois grandes festivais holandeses,  os números também parecem bem impressionantes. O Pinkpop, um dos mais antigos e famosos festivais europeus que rolam na Holanda reúne aproximadamente 60 mil pessoas em cada edição. Já o Lowlands, outro grande festival do país, reúne pouco mais que 18 mil.

E apergunta que não quer calar é: o que será que atrai tanta gente?

Parce que o o Zwarte Cross tem uma “alma de festival” bizarra

Vou provar que ~ não estou sendo parcial ou preconceituosa~, enumerando coisas bizarras que acontecem neste festival. Como me aproximei muito do povo holandês recentemente, poucas coisas me assustam, rs. Mas nem por isso deixarei de rotular como bizarro. E barango também, kkkkk.

Motocross e música ou música e “corrida maluca”?

Como a gente disse antes, o festival começou como uma competição de motocross ilegal. Hoje, a coisa está mais organizada. Existem categorias amadoras e profissionais, onde pessoas podem competir com o mínimo de segurança. Mas o que mais chama a atenção no quesito “ser bizarro” é que uma das categorias é a tradução fidedigna para a realidade daquele desenho chamado “corrida maluca”!

Agora, o Zwarte Cross:

Zwarte Cross

Zwarte Cross/ Divulgação. Ph: Lawrence Mooij Dutchfoto

É bonito ou bizarro quando a “mãe” do empresário se torna mascote do festival?

Primeiramente, é preciso dizer que, colocar a mãe como mascote de um festival pode ser algo bonito, uma forma de homenagem, não é mesmo? Contudo, o limite entre a homenagem e a bizarrice é tênue.

Assim, o empresário do Zwarte Cross vem brincando há anos com este limite. Colocou sua própria mãe como mascote do festival. O nome dela é Rikie Nijman e ela está estampada na logomarca, nos vídeos e em vários materiais de divulgação do festival.

Além de estampada na logo, Tante Rikie, ou tia Rikie, sempre está presente nas edições dos festivais. Fisicamente, eu digo. Até aí tudo bem, não é? Porém, Tante Rikie circula no festival, todos os anos, em uma espécie de carro alegórico. Uma liteira, na verdade.

Zwarte Cross

Zwarte Cross/ Divulgação. Ph: Lawrence Mooij Dutchfoto

Ela é definitivamente a celebridade mor do festival, acima de qualquer banda anunciada. Imaginem isso, uma senhora de setenta e alguma coisa anos circulando em uma liteira pelo festival afora? Bizarro, não? rs

Um festival bizarramente selvagem

Os holandeses garantem que esta é uma das festas mais selvagens do país. Afinal, música, goró e loucuras com motores nervosos parecem garantir isso. Também poderia ser uma catarse, um carnaval? Parece que sim!

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Zwarte Cross/ Divulgação. Ph: Lawrence Mooij Dutchfoto

zwarte cross

Zwarte Cross/ Divulgação. Ph: Lawrence Mooij Dutchfoto

Contudo, talvez o Zwarte Cross seja mais do que isso. Assim, seria até mesmo difícil defini-lo apenas  como um festival bizarro. Mas é preciso admitir que esse tom de bizarrice faz a gente ter uma curiosidade danada de ir e ver de perto tudo isso, não?

Pra finalizar, fiquem com o vídeo de fechamento da edição passada, para quem ainda não captou a mensagem com o que foi escrito, rsrs.

Mais sobre o festival.

Ps: não deixe de assistir às animações presentes no próprio site do festival. Elas também são bizarras, hahahaha!

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Gracielle Fonseca

Não faço nada na vida sem paixão. Tanto que, pra me formar em Jornalismo, tive que fazer um TCC sobre metal, o Ruído das Minas: a origem do heavy metal em BH. Também decidi que faria o primeiro documentário no mundo sobre Mulheres no Metal, o Women in Metal, e fiz. Comecei a ir em festivais de metal internacionais em 2009. Desde então, viajar em busca da música, essa outra paixão, tornou-se um projeto profissional que hoje chamamos de Festivalando.

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