British Summer TimeTom Hancock/British Summer Time Hyde Park

British Summer Time Hyde Park, Londres: um quase Rock in Rio de corpo, mas com outra alma

Já fazia um tempo eu namorava o British Summer Time, festival que acontece em Londres, no Hyde Park, sempre em julho, desde 2013. Com os meus planos de Glastonbury frustrados mais uma vez e a passagem pra Londres já comprada, veio finalmente a hora de conhecer o festival londrino.

Desde o princípio, ele me lembrava o Rock in Rio no formato do lineup: programação distribuída em dois fins de semana, headliners de peso e de estilos às vezes completamente diferentes (neste ano foram Florence and The Machine, Barbra Streisand, Celine Dion, Bon Dylan, Lionel Ritchie, Neil Young e Robbie Williams, um pra cada um dos sete dias) junto com algumas poucas atrações por dia e cada dia totalmente independente um do outro – só existem ingressos diários.

Chegando ao Hyde Park pra ver Florence, The National, Lykke Li e Khruangbin, foi inevitável não fazer mais associações. São dois palcos basicamente onde acontecem os shows anunciados no cartaz e espaços menores onde acontecem apresentações menores. Tal qual a distribuição Palco Mundo, Sunset e espaços como a Rock Street do Rock in Rio.

Confira momentos dos shows e o clima do British Summer Time Hyde Park nos destaques dos stories do Festivalando no Instagram

Alguns desses espaços, bem como bares e lounges de patrocinadores funcionam em prédios cenográficos, com temática de algum lugar do mundo, muito parecidos também com o que se vê no Rock in Rio. Enquanto na Cidade do Rock já tivemos a África como temática, por exemplo, no British Summer Time o tema era a América Latina.

British Summer Time

Tom Hancock/British Summer Time Hyde Park

Não sei em que medida as semelhanças são mera coincidência, mas isso também não importa tanto assim quando se vai além do espaço físico do festival.

O British Summer Time é sobre desfrutar cada momento possível do verão

Em uma região onde a chuva e o céu nublado são mais recorrentes que o sol e o calor, qualquer oportunidade de passar um dia sob um céu azul e clima quente (ou nem tanto) é valorizada e precisa ser desfrutada. Mais ainda se for pra espalhar-se na grama em um parque, com direito a toalha de piquenique, garrafas de rosé, prosecco ou Pimm’s (uma bebida à base de gin normalmente servida em um drink composto por limonada, pepino e fritas cítricas) e sanduíches. Melhor ainda se for acompanhada dos melhores shows na cidade.

O que eu presenciei no Hyde Park durante o British Summer Time foi só uma expressão em massa (cerca de 65 mil pessoas estiveram no dia que Florence se apresentou) do que eu vi dias depois quando passei uma tarde no Regent’s Park ou do que se vê e se repete nos parques da cidade em dias minimamente ensolarados.

British Summer Time

Rory James/British Summer Time Hyde Park

Certamente muita gente estava lá pelas atrações do dia – música pop é coisa seríssima para os britânicos; talvez alguns pelo festival, mas não necessariamente.

Há festivais na casa dos mil em toda Grã-Bretanha, uma escola de festivais pro resto do mundo, Glastonbury chegando aos 50 anos de existência (sem mais) e essa é a fronteira que limita e distancia bastante a comparação inicial com o Rock in Rio, um festival que atrai grande parte do público pelo simples fato de ser o Rock in Rio, uma marca fortíssima e com uma história respeitável, mesmo com as críticas que temos aqui no Festivalando em relação ao festival.

Acima de tudo, os londrinos querem viver a alegria que é estar sob a mira dos raios de sol, porque sabem que esses momentos são raros e, quando acontecem, duram pouco. Uma dessas boas oportunidades, turbinada pelo que há de mais atrativo no cenário musical pra uma audiência ampla, de jovens a idosos, é o British Summer Time e o nome por si só já incorpora esse espírito.

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Sou uma das mães do Festivalando e fiz Paul McCartney falar uai no Mineirão. Só porque eu gosto de música. Nas horas vagas, faço coisas sérias e tento salvar o jornalismo.

2 comments

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  1. Bruno Rodrigues Alves 23 julho, 2019 at 00:09 Responder

    Foda, meninas. Estarei em Londres neste período do ano que vem é vocês acabaram de retirar a dúvida que pairava dentro de mim sobre ir ou não a este festival. Irei! Arrasaram como de costume. ✌️🏾

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