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Segundo fim de semana do Rock in Rio 2019: P!nk soberana, Anitta, o funk e um festival quente como deve ser

Senta que lá vem textão para falar do segundo fim de semana do Rock in Rio 2019. Na minha percepção, uma segunda metade mais quente – em todos os sentidos – e melhor que os primeiros três dias.

Alguns dos momentos citados neste texto e muitos outros dos sete dias de Rock in Rio você confere também nos stories do Festivalando no Instagram

Um Rock in Rio mais quente

A temperatura subiu no segundo fim de semana do Rock in Rio 2019 e não é só sobre o termômetro que estou falando. Junto com o céu azul e sol brilhando, em um cenário que é muito mais a cara do festival e do próprio Rio (por mais clichê que isso seja), vieram também na segunda parte do festival um conjunto maior de pontos altos e momentos marcantes.

Um dia histórico

Do primeiro show no Palco Sunset ao último show no Palco Mundo, o sábado (5) tem peso importante nessa coleção de momentos que entraram para os novos capítulos da história do Rock in Rio e que, por isso mesmo, vão ser falados daqui a anos.

O funk ocupando os dois maiores palcos do festival

Ele foi simbolicamente barrado em edições anteriores mediante a rejeição a Anitta em 2015 e 2017. Nos primeiros dias da edição 2019, ficou represado no Espaço Favela e no palco Fit Dance da Coca Cola, com direito apenas a um vazamento sutil no Palco Mundo em um medley durante o show de Ivete Sangalo no dia 29 de setembro.

Mas no sábado já não dava mais para conter a vontade de uma parte considerável do público do espectro pop do Rock in Rio. O funk – que é o pop do Brasil no momento – rompeu a represa e inundou a Cidade do Rock.

Começou logo cedo, com a homenagem da Funk Orquestra e Fernanda Abreu aos 30 anos do gênero, num show que teve o maior público em uma abertura do Palco Sunset, de acordo com Roberta Medina. Ludmilla, que entrou como convidada ao fim do show para cantar apenas três músicas mas deveria ter tido um show só pra ela, causou mais alvoroço no público do que muita atração internacional do Palco Mundo.

Anitta abusando com direito

Como tinha que ser, Anitta deu continuidade à enxurrada de funk com sua presença no Palco Mundo, com a referência ao paredão da Furacão 2000 na cenografia e, claro, com parte do seu repertório, principalmente na sessão final do show, mais carregada no gênero. Mas foi além. Ela também levou para o palco principal o feminejo, com Loka, parceria com Simone & Simaria, e o forró eletrônico, com Romance com Safadeza, parceria com Wesley Safadão.

Mais tarde, como se para descontar todo o tempo em que foi esnobada pelo Rock in Rio, ela ainda fez mais duas aparições: uma surpresa durante o show da banda na Arena do Itáu e outra programada no Palco Mundo, no show do Black Eyed Peas, quando cantou o hit Don’t Lie e Explosion, recém-lançada parceria com a banda.

Paralelamente, num canto mais afastado dali, no palco New Dance Order, o DJ Marlboro, um dos precursores do funk carioca, colocava mais pitadas de funk no Rock in Rio em um set ao lado do DJ Meme.

P!nk soberana

O sábado já tinha virado domingo, mas a história ainda continuaria sendo feita. O nome da vez é P!ink, que fez o melhor show entre os apresentados pelos headliners desta edição e um dos mais memoráveis da história do Rock in Rio.

P!nk compensou todos os anos de espera por sua vinda ao Brasil com um espetáculo completo, apoteótico e alinhado com a imagem que o próprio Rock in Rio estabeleceu definitivamente neste ano: não é só música, é uma experiência de entretenimento diversificada.

A cantora trouxe seus hits pra todo mundo cantar junto no refrão e também teatro, drama e as tão esperadas acrobacias. O vôo sobre o público no final conseguiu ser talvez mais impactante que o que se vê em um espetáculo do Cirque du Soleil (uma comparação comum com o que ela faz em seus shows). Já está na galeria de grandes momentos do Rock in Rio, no mesmo nível de Freddie Mercury regendo a plateia em Love of My Life em 1985.

Como se não fosse o bastante, vale ainda mencionar a simpatia e leveza da cantora ao se dirigir aos fãs e as mensagens positivas sobre autoaceitação e pautas LGBT.

Red Hot Chilli Peppers: it’s complicated

Com tantas passagens seguidas pelo Brasil e pelo Rock in Rio em particular, o Red Hot se tocou e fez um set menos óbvio, com o resgate de singles da primeira metade dos anos 1990 e alguns covers. Mas não era o que a maioria queria ouvir. Detalhes da era pré-Californication pareciam ser desconhecidos ou, no mínimo, desinteressantes para boa parte do público.

Falando em desinteresse, a essa altura – meu terceiro show do Red Hot em cinco anos – já deu para desistir de ver Anthony Kiedis voltar a demonstrar vontade de estar ali no palco.

Bruce sendo um deuso, um louco, um feiticeiro à frente do Iron

Calma! Não é heresia com essa entidade do heavy metal. As palavras não são minhas e sim da Gra, a pessoa realmente true metal deste blog. Eu sou apenas uma poser. Mas não foi só o Iron que se destacou na noite mais pesada do Rock in Rio 2019. Depois de quatro anos ausente, o dia do metal voltou quase zero defeitos, tanto que foi necessário a Gra fazer um texto inteiro para celebrar a volta desse dia imprescindível para o festival.

Rock de arena com emoção ou eficiência?

Os dois. Na noite com dois headliners, Imagine Dragons e Muse, o primeiro fez um show transbordando emoção canalizada via um intenso Dan Reynolds. Já o segundo carregou na eficiência da performance – aquele power trio habilidoso e estridente que todo mundo conhece, e do conceito – um espetáculo cênico bem calculado, com alegorias, grandes estruturas, efeitos e dramaturgia.

As duas opções cabem em um festival de multidões como o Rock in Rio e a ordem em que foram apresentadas foi satisfatória. Uma parte considerável do público que estava ali pelo Imagine Dragons foi embora, é verdade. Mas melhor assim, pois ficou quem estava de fato interessado no Muse. A ordem inversa poderia ter resultado em um público majoritariamente enfadado diante dos britânicos à espera dos norte-americanos.

E, apesar da frieza impossível de se separar do conceito trazido pelo show do Muse – um futurismo dominado pela tecnologia, a combinação de um espetáculo audiovisual com o rock épico da banda funcionou como o encerramento da noite e do festival.

“Miolo” do Palco Mundo mais bem resolvido

O segundo fim de semana do Rock in Rio 2019 foi mais expressivo graças também às atrações pré-headliners, que protagonizaram  mais momentos melhores do que o conjunto geral do primeiro fim de semana. Merecem menção honrosa Nile Rodgers & Chic, que fisgaram o público com um super baile e uma banda carismática e o Panic! At the Disco, em seu retorno tão aguardado ao Brasil.

Mais sobre o segundo fim de semana do Rock in Rio 2019

Como o Rock in Rio e nenhum outro festival se resume aos shows, vale lembrar que, junto com o que não havia funcionado no primeiro fim de semana, vieram à tona no segundo fim de semana outros detalhes da estrutura do Rock in Rio em 2019 que merecem ser aperfeiçoados.

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Sou uma das mães do Festivalando e fiz Paul McCartney falar uai no Mineirão. Só porque eu gosto de música. Nas horas vagas, faço coisas sérias e tento salvar o jornalismo.

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