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Montreux Jazz Festival: antes de julgar pelo nome, considere estes 5 motivos pra ir

Talvez por escapar do formato predominante de festival visitado por nós aqui no Festivalando, o Montreux Jazz Festival, na Suíça, não seja tão citado no blog quanto os demais para os quais já viajamos. Injustiça tremenda porque ele é simplesmente uma das melhores experiências e uma das memórias mais nostálgicas dentre as minhas viagens pra festivais no exterior. A bela riviera suíça como cenário tem muita “culpa” nessas memórias.

Numa reparação histórica com cara de campanha de convencimento misturada com declaração de amor pessoal, eu te apresento o festival e dou razões pra você considerar incluí-lo em futuros roteiros.

O Montreux Jazz Festival acontece ao longo de duas semanas, entre o fim de junho e o início de julho (as datas variam um pouquinho de ano a ano)

1. Não se engane, o Montreux Jazz Festival não é um festival só de jazz

Sei que jazz não é exatamente o estilo musical que vai levar a maioria de quem acompanha o Festivalando a um festival. Por isso começo com este esclarecimento.

O jazz está no nome do festival nascido em 1967, mas somente em seus anos iniciais ele foi puramente dedicado ao estilo. Apesar do jazz nunca ter perdido sua relevância na programação, desde os anos 1970 o festival de Montreux foi tomando um rumo multi-gênero e contemporâneo.

Desde então, artistas de várias vertentes já passaram por lá, de Alanis Morissette a Slayer, passando por Run DMC e Deep Purple. Brasileiros também sempre foram queridinhos de Montreux. Caso de Elis, Gil, João Gilberto e Titãs.

No ano em que fui ao Montreux Jazz Festival, em 2014, vi shows do Damon Albarn e um dueto de Herbie Hancock e Wayne Shorter. Também estiveram naquela edição Lykke Li, Chet Faker, Ed Sheeran, Robert Plant, Stevie Wonder, Outkast, Babyshambles e Pharrell Williams.

Em 2019, a programação inclui Rita Ora, Joan Baez, Cat Power, Bon Iver, Sting, Janet Jackson, Rival Sons, Slash, Mac Demarco, Modeselektor, Thom Yorke e Chemical Brothers, dentre outros. Cito estes apenas para dar uma ideia da miscelânea.

2. Ele tem uma programação gratuita considerável

Um dos motivos que me levou ao Montreux Jazz Festival foi a possibilidade de participar do festival sem ter que necessariamente pagar para estar nele. É que há uma extensa programação gratuita correndo paralelamente aos shows principais, que são pagos – estes citados acima. Há também apresentações pagas em barcos e pool parties no Cassino de Montreux, com entrada baratinha.

Durante todos os dias de festival há shows com entrada livre em um parque e em clubes fechados, sempre mantendo a característica da diversidade de estilos. Foi uma decisão minha de última hora comprar ingressos pra ver o Damon Albarn e o Herbie Hancock com Wayne Shorter, pois meu foco mesmo era aproveitar essa programação aberta. E, sim, eu aproveitei bastante, até tarde da noite.

Com relação aos shows pagos, os ingressos são vendidos por noite e são meio salgados. Por isso, não dá para aproveitar o super lineup em sua totalidade. Eles até vendem um passe pra todos os dias na casa de uns 1.500 francos, mas né?

Não precisa sofrer se o orçamento não der pra pagar o ingresso de uma noite sequer. É possível viver o festival somente com as atividades gratuitas. Mas, se der, se jogue. Se for para um show no auditório Stravinski, melhor ainda. Foi o lugar com a acústica mais incrível em que já estive, inclusive para música pop.

3. Tem história e não é só uma questão de décadas de existência

Estar há mais de meio século em atividade mantendo-se relevante já seria o suficiente para fazer do Montreux Jazz Festival um evento histórico. Ele nasceu em 1967, lembra? Mas o festival vai além com alguns episódios icônicos.

É o caso do clássico “Smoke on the Water”, do Deep Purple. A letra conta a história de um incêndio presenciado pela banda no Cassino de Montreux durante um show de Frank Zappa no festival, em 1971.

“Under Pressure”, parceria do Queen e David Bowie, também nasceu graças ao Montreux Jazz Festival. Bowie estava na cidade para o festival e ficou sabendo que a banda estava em um estúdio gravando novas faixas. Ele então decidiu ir ver Freddie e do encontro surgiu a música.

A propósito, não é justo eu dizer “um estúdio”, como feito no parágrafo acima. É “o” estúdio, o Mountain Studios. Ele foi de propriedade do Queen e o preferido de muitas outras bandas e artistas nos anos 1970 e 1980. A playlist abaixo inclui algumas das faixas que foram gravadas lá. Hoje, ele abriga uma exposição permanente sobre a história do Queen.

4. O Montreux Jazz Festival é ótimo pra quem odeia a muvuca e o perrengue de um festival típico

A configuração dos espaços do Montreux Jazz Festival faz toda diferença na experiência do festival. Mais ainda pra quem tem certa dificuldade em lidar com as muvucas, banheiros nojentinhos, lama e largas distâncias dos grandes festivais.

Os shows principais acontecem em auditórios fechados, no Centro de Convenções, onde há ótima estrutura pra descanso, de banheiros e de alimentação. As demais atrações acontecem no parque ao lado. Na margem do lago, logo abaixo do Centro de Convenções, ficam as demais atividades e mais estrutura de descanso e alimentação.

Circular pelo festival é como andar despretensiosamente por uma cidade, num passeio sem fim. A hora que você quiser uma sombra, um banheiro decente, um lugar pra sentar, tudo estará lá ao seu alcance.

5. A riviera suíça é linda e as possibilidades turísticas na região são imbatíveis

Na minha viagem ao Montreux Jazz Festival, fiquei uma semana na Suíça. Meu plano inicial era ficar por Montreux a maior parte do tempo e reservar um dia para conhecer Genebra, que fica a cerca de uma hora de trem. Quem disse que eu cumpri? Quem disse que eu quis cumprir?

Não sei o que eu perdi deixando de ir pra Genebra. Mas sei o que eu ganhei ficando em Montreux. Um horizonte azul sem fim, que me pegou de jeito desde a hora que desembarquei do trem. O lago Léman sempre presente, os alpes ao fundo, o calor. As caminhadas na beira do lago, a manhã de sábado com vinho liberado no Mercado de Vevey (cidade vizinha). O passeio de barco que me levou até o Castelo de Chillon.

De lá eu só fui mesmo pra Gruyére e Broc, pra conhecer uma fábrica de queijo e de chocolate, respectivamente, porque já havia comprado o ticket para o passeio. A propósito, ele é maravilhosamente conhecido como Train du Chocolat.

Enfim, o Montreux Jazz Festival oferece uma combinação imbatível de festival + turismo. Do jeito que a gente gosta aqui no Festivalando.

Leia mais sobre o festival de Montreux e a Suíça

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Sou uma das mães do Festivalando e fiz Paul McCartney falar uai no Mineirão. Só porque eu gosto de música. Nas horas vagas, faço coisas sérias e tento salvar o jornalismo.

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