" /> Montreux: casa aberta com um varandão deslumbrante | Festivalando
Fotos: Priscila Brito/Festivalando

Montreux: casa aberta com um varandão deslumbrante

Amar minha passagem pelo Festival de Montreux era uma certeza que eu tinha desde o momento que decidi incluí-lo na rota do Festivalando. Programação com qualidade, quantidade e variedade, além de toda uma atmosfera mítica sustentada pelo peso de 47 anos de história. Não tinha como ser ruim. Mas jamais imaginaria que um festival de música tão grandioso e num país estrangeiro me traria a sensação confortável do estar em casa. Em quatro dias (infelizmente só quatro; o festival dura duas semanas) acompanhando o evento, ouvi Montreux dizer pra mim o tempo todo: a casa é sua, pode entrar.

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Realizado no Centro de Convenções da homônima cidade suíça (sim, na Suíça, e não na França, confusão comum), o 2m2c, e no entorno dele, Montreux tem um apelo extremamente convidativo. Não é preciso credenciamento, ingresso, passar por revista ou catraca para entrar no 2m2c. A porta está sempre aberta, com tapete vermelho e tudo, e a única coisa que você tem que fazer é entrar. Pode ser para comprar um ingresso para os shows em auditórios, para ver os shows gratuitos que compõem dois terços da programação ou só para dar aquela espiadinha.

Uma vez que você entra, se depara com a grande sala de estar que é o hall principal, com lounges, cafés e estações de áudio e vídeo com material de edições antigas do festival prontas para dar o play e assistir, tudo com acesso livre. Saindo pela direita, você chega no parque que faz o papel de jardim da maison e recebe boa parte dos shows gratuitos, à tarde e à noite. Pela esquerda, mais salas de shows, bares e restaurantes, além do espaço que elegi como “meu cantinho”, o Chalet d’en Bas, espécie de centro multimídia de memória do festival com exposição de fotos, memorabília e TVs exibindo dezenas de shows de edições passadas de Montreux. Quando queria dar uma descansada, era pra lá que eu ia. Me sentava nos puffs e assistia essas gravações históricas (incluindo o show na edição de 1985 de João Gilberto, absurda e erroneamente creditado pela produção como Gilberto João. Oi?).

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E contornando a casa pela parte de trás, a riviera. Ah, a riviera, esse varandão natural, com vista para o Lago Léman e para os famosos alpes suíços, tudo de uma vez só, numa única paisagem, pra fazer você não querer sair nunca dessa casa por conta de tanta beleza reunida num lugar só. Tirando proveito desse recurso, o festival concentra às margens do lago a maior parte das barracas de comida, além dos espaços que recebem as atrações de música latina (Bar El Mundo), rock (Rock Cave) e eletrônica (The Studio). Com vista direta para o lago ficam os bares, de onde é possível, em alguns pontos, ouvir a música que vem do parque e, de todos os pontos, simplesmente esquecer da vida e se perder feliz no azul do lago.

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Por quatro dias, aprendi a circular, dar voltas, sair, voltar e entrar outra vez em cada um desses espaços com a mesma naturalidade com que saio do quarto para a cozinha de casa. Ir para o hostel dormir era o momento do estranhamento; voltar no dia seguinte para o 2m2c era o momento do conforto e do alívio, porque era lá que eu me sentia à vontade.

No sábado (19), último dia de festival, deu aquele aperto ao saber que não poderia voltar no dia seguinte, do mesmo jeito que a gente sente quando deixa a nossa casa pra trás. E agora o que restou foi a saudade de casa e a vontade de voltar pra fazer aquela visitinha. Chez Montreux, chez moi.

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Sou uma das mães do Festivalando e fiz Paul McCartney falar uai no Mineirão. Só porque eu gosto de música. Nas horas vagas, faço coisas sérias e tento salvar o jornalismo.

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