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6 anos de Lolla Argentina: intenso e dramático como um tango

Usar o tango como metáfora para tentar explicar a trajetória do Lolla Argentina até aqui é um recurso fácil, óbvio e, pior, pobre. Ficam aqui as desculpas antecipadas. Mas se encaixa tão bem em uma leitura do festival que fica difícil abrir mão do recurso. Tanto a intensidade quanto o drama que caracterizam o ritmo argentino estão presentes no Lolla local.

A intensidade

Caçula dos Lollas sul-americanos, o Lolla Argentina fez sua estreia em 2014 – três anos depois do Chile (2011) e dois anos depois do Brasil (2012). Além da história mais curta, também é o que ocupa o menor espaço físico dentre os três.

O hipódromo de San Isidro, na Grande Buenos Aires, onde o festival acontece, é a princípio suficiente para acomodar um festival como o Lollapalooza. Porém não chega a ter a imensidão do Parque O’Higgins, lar do Lolla Chile, onde até arena fechada para 20 mil pessoas serve de palco, nem a extensão cansativa e cheia de relevo do autódromo de Interlagos, local do Lolla Brasil.

Mas o espaço reduzido e a história mais curta não têm impedido que o Lolla Argentina 1) tenha edições seguidamente esgotadas – tem sido assim desde 2017, 2) que, na média, esgote os lotes com mais rapidez e, por último e mais importante, 3) seja o recordista de público dentre os três festivais irmãos.

Em 2019, foram 300 mil pessoas, aproximadamente cinquenta mil a mais que no Chile e no Brasil, cada um com público próximo dos 250 mil.

Sinal de sucesso, sim, mas também, talvez, de que já esteja na hora de considerar mudar para uma casa maior. O mesmo que aconteceu com a edição brasileira, que saiu do Jockey para Interlagos justamente porque precisava crescer. Eu me lembro de já sentir essa necessidade quando estive no Lolla Argentina em 2018 – e naquele ano o festival dos hermanos tinha atraído bem menos gente: 200 mil pessoas.

O drama

Sucesso recorde de público, porém, não tem sido garantia de sucesso comercial para o Lolla Argentina, um fator importante. Afinal, trata-se de um festival – não só, mas também – de apelo comercial. Perry Farrell revelou em entrevista para o site de notícias argentino Infobae que teve prejuízo em todas as seis edições locais do festival.

O contexto econômico e cambial do país carregam parte importante desse saldo negativo, ainda que não seja motivo o bastante para interromper a história do festival na Argentina, segundo também o próprio Perry afirmou, desta vez em entrevista ao jornal La Nación.

Há ainda outros dramas menores e pontuais, como o cancelamento do último dia da edição de 2018, que seria encabeçada pelo Pearl Jam, devido a uma tempestade que destruiu parte da estrutura montada para o festival, e a ausência completa de cerveja nas quatro primeiras edições devido a restrições legais. Discussões à parte sobre consumo de álcool, a cerveja em festivais e eventos similares é um elemento valorizado pelo público.

A questão foi revista a partir de 2018, quando a comercialização de cerveja foi autorizada, mas com a limitação de duas garrafas de 350 ml por pessoa, assegurada por um controle rígido.

E segue o baile no Lolla Argentina

Às vésperas de mais uma edição, o Lolla Argentina caminha para seguir no mesmo ritmo dos anos anteriores, com ingressos já no último lote, sendo questão de tempo para a bilheteria esgotar.

Quem chega pra dançar junto nesse baile é uma fatia do público brasileiro que, progressivamente, vem percebendo que o festival é a opção mais atrativa dentre os Lollas da região quando a viagem obrigatoriamente faz parte da experiência. Ignorando os dramas e contribuindo com a intensidade, estamos fazendo parte dessa história.

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Sou uma das mães do Festivalando e fiz Paul McCartney falar uai no Mineirão. Só porque eu gosto de música. Nas horas vagas, faço coisas sérias e tento salvar o jornalismo.

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