" /> Glastonbury, 50 anos: o que há pra celebrar além da data redonda? | Festivalando
glastonbury 50 anosCharlie Raven/Divulgação

Glastonbury, 50 anos: o que há pra celebrar além da data redonda?

São pouquíssimos os festivais que chegam aos 50 anos de existência, o que por si só já é o bastante para fazer do marco uma grande coisa. Mas tanto tempo de vida pode ser suficiente para construir uma história que justifique uma celebração para além da data redondinha. O Glastonbury, que chega ao meio século de vida este ano, tem um currículo que permite fazer isso, eu concluí ao ler sobre a trajetória traçada até aqui pelo festival da Worthy Farm.

Dos feitos mais óbvios que fazem ele ser o que é nos dias de hoje à manutenção quase improvável de convicções originais num mundo bem diferente daquele em que nasceu, o festival pode comemorar o seguinte quando soprar as velinhas na hora do rá-tim-bum:

A grandiosidade

Em sua mais recente edição, o Glastonbury teve quase três mil atrações espalhadas por cerca de 80 palcos. Tudo pensado para 200 mil pessoas que esgotaram os ingressos em 36 minutos. Muito, muito distante da marca modesta de 1.500 pessoas que viram mais ou menos uma dúzia de shows na edição inaugural, em 1970.

Entre um extremo e outro, o festival foi progressivamente se tornando grande graças à sua consistência e identidade. Mas também se beneficiou da exposição na TV a partir dos anos 1990 (quando a BBC começou a transmiti-lo) e do crescimento e internacionalização da cena de festivais na última década.

As convicções

O Glasto nasceu com uma premissa anti-comercial. Ok, era bem fácil ser anti-comercial 50 anos atrás, com aquele resquício de cheirinho hippie no ar, quando só 1.500 pessoas se aventuravam ir num festival desconhecido em uma fazenda aleatória. Quando os números crescem para 30 mil, 70 mil, 100 mil pessoas e você precisa manter de pé uma estrutura profissional pra toda essa gente e pagar o cachê dos top artistas do momento, como faz para manter essa postura?

Aceite dinheiro de patrocinadores, mas faça com que eles se adaptem aos seus princípios. E o principal deles para o Glastonbury é: meu festival não é espaço publicitário. A política de patrocínios do festival impede que marcas exponham sua logo na Worth Farm, no site ou em qualquer outro canal de divulgação do festival. Se elas querem colocar dinheiro no festival, precisam investir em medidas que melhorem a experiência de quem vai ao Glastonbury e só – não há a contrapartida da exposição. Meu festival, minhas regras.

A política anti-comercial do Glastonbury sempre esteve acompanhada também de uma postura pró-social, que igualmente foi conservada em cinco décadas. Começou com a criação, em 1981, da Children’s World Charity, organização que trabalha a educação criativa de crianças, principalmente as excepcionais. No mesmo ano, o festival passou a doar parte dos seus lucros para organizações que trabalham por bandeiras sociais.

A primeira delas foi a Campanha Nacional pelo Desarmamento Nuclear, que recebeu as doações por toda a década de 1980, enquanto a ameaça de guerra nuclear era real em um mundo ainda em Guerra Fria. A partir dos anos 1990, o dinheiro começou a ser distribuído entre o Greenpeace, a Oxfam (que trabalha na erradicação da pobreza), a Water Aid (com atuação no acesso à água potável em regiões de extrema pobreza) e outras organizações e projetos menores dedicados a diferentes propósitos. O volume de doações pulou de 20 mil libras em 1981 para 3 milhões de libras em 2017.

Os esforços

Ser grande significa gerar impactos – alguns positivos, como o financiamento de causas sociais citado acima, mas também negativos. Um festival do tamanho do Glastonbury, ou até mesmo menor, provoca impactos ambientais, o que obriga a adoção de medidas que reduzam esses danos. Já em 1994 o festival adotou a energia eólica como fonte principal de abastecimento da área do Pyramid Stage, o palco principal.

Hoje, a Worthy Farm usa variadas formas de energia limpa em diferentes áreas, incluindo biocombustíveis e painéis de energia solar, que ocupam uma área de 1.500 metros quadrados. Uma das medidas mais recentes, em 2019, foi o banimento do uso de copos e garrafas plásticas.

Os 50 anos do Glastonbury foram resumidos em um livro especial e também estão registrados em detalhes no site do festival.

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Sou uma das mães do Festivalando e fiz Paul McCartney falar uai no Mineirão. Só porque eu gosto de música. Nas horas vagas, faço coisas sérias e tento salvar o jornalismo.

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