Fotos Priscila Brito

Festivais na América do Sul: qual deles visitar?

Viajar pela América do Sul é uma beleza: além da sensação super peculiar de ao mesmo tempo se sentir um estrangeiro e se identificar com tantos aspectos semelhantes ao nosso povo e nossas cidades, é barato e rápido. E ainda tem muito festival para compor o roteiro. No início do ano eu apresentei uma lista de festivais pelas Américas, e agora em março fui conhecer três deles aqui na vizinhança: o Estereo Picnic, em Bogotá, na Colômbia; o Lollapalooza, em Santiago, no Chile; e o Asunciónico, em Assunção, no Paraguai.

Decidir-se por um ou outro pode depender do seu interesse em conhecer cada um desses países, mas também dos pontos positivos/negativos de cada festival. O lineup será o item de menor peso na decisão, pois todos eles têm pelo menos uns 80% de programação semelhante ao Lollapalooza Brasil. Os grandes nomes internacionais estão praticamente em todos e o que muda pra valer são só as bandas locais. Eles acontecem todos na mesma época (o Lolla Argentina, que eu não fui, entra na lista também), praticamente em sequência, em março (estourando até início de abril), já que é mais viável para as produtoras e mais rentável para os artistas fazer uma espécie de mini-turnê pela região ao invés de deslocar dezenas de bandas gringas para visitar um único país.

Ainda nesta semana inicio na nossa categoria “Estrutura” uma avaliação detalhada de cada um deles, mas já começo neste post a dar mais informações que podem te ajudar a escolher o que te parecer mais interessante. Para ficar mais direto, destaco um ponto positivo e outro negativo de cada festival, mais um bônus que cada um apresentou.

ESTEREO PICNIC – BOGOTÁ, COLÔMBIA

Ponto positivo: no tamanho certo
O Estereo Picnic consegue a proeza de ser um festival com três palcos, mini-camping, mercadinho alternativo, praça de alimentação e espaços de ativação de marca em uma área relativamente pequena. Há bons espaços para circulação do público e nada fica amontoado. O resultado é que você não gasta mais que cinco minutos indo de um palco a outro e nem se mata de tanto andar para comprar comida ou ir ao banheiro.

festivais na américa do sul

É um festival de médio porte, que neste ano teve 55 mil pessoas em três dias de evento (uma média de mais ou menos 18 mil por dia). Como comparação, o Lolla Brasil teve em média 60 mil em cada um dos dois dias de festival este ano.

Ponto negativo: acesso ruim
O Festival acontece no Parque Deportivo 222, numa área bem afastada do centro de Bogotá. O Transmilênio, que é o principal sistema de transporte da cidade, não chega até lá e, inevitavelmente, você terá que pegar ao menos dois ônibus para chegar ao local (Bogotá não tem metrô). Há a opção do táxi. De onde eu estava, no Chapinero, a alguns minutos do centro e mais próximo do Deportivo, a corrida ficaria uns 30.000 pesos (cerca de R$ 36) o trecho, mas corria o risco de ficar mais cara porque o trânsito de Bogotá não é dos melhores.

O hostel em que eu estava organizou uma van para levar e buscar os hóspedes que iam ao festival por 23.000 pesos (cerca de R$ 27). Muito mais em conta, e também muita sorte minha de ter me hospedado no lugar certo, na hora certa 😛

Bônus: o visual
Além de ter uma cenografia maravilhosa, algo como uma Alice no País de Salvador Dalí Hipster, o parque está aos pés de belas montanhas. É um festival bonito, com jeitão de cartão postal. Pra quem gosta de frio ainda tem um bônus a mais: Bogotá está acima do Equador, portanto, é inverno em março. Nos dias em que estive lá, a temperatura ficou entre os 15º e 18º.

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LOLLAPALOOZA CHILE – SANTIAGO, CHILE

Ponto positivo: serve se eu disser que é tudo?
Gente, não tenho palavras para descrever este festival que eu mal conheço e já considero pacas. O Lolla Chile é um reflexo de Santiago: vibrante, bem organizado e bem estruturado, sem atropelos. Acontece no Parque O’Higgins, local importante e representativo da capital chilena, está na porta do metrô e ainda conta com apoio da autoridade de transporte da cidade. Já está bem estabelecido, pois desde 2011 acontece no mesmo local, o que já criou certa identificação e adaptação do público ao evento.

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Ponto negativo: shows demais
Quando o ponto negativo de um festival é a quantidade exagerada de shows é porque ele é realmente bom, e o fato de isso ser visto como negativo é, no fundo, uma questão de ponto de vista. Neste ano, foram dois dias de festival, assim como o Lolla Brasil, mas a edição chilena teve cerca de 70 shows, uns 30 a mais que a edição brasileira. Teve atração gringa que só foi pra lá (Chet Faker, Kings of Leon, Cypress Hill).

Já disse aqui que um festival só pode me entupir de atrações se me der tempo suficiente para ver uma quantidade razoável delas e o Lolla Chile não me ajuda muito nesse ponto. As chances de você perder coisas boas são grandes. Seria melhor se o festival durasse ao menos três dias.

Bônus: água de graça + Andes
Sim, água de graça! Isso é mara, isso é fofo, isso é imbatível (principalmente considerando que o verão de Santiago é tão quente quanto o nosso e, fácil, fácil, você vai pegar uns 30º lá). Basta ter uma garrafinha para enchê-la nos postos espalhados pelo festival.

festivais na américa do sul

Como se não bastasse poder se refrescar sempre que necessário sem ter que tirar um centavo do bolso, você dá de cara com a cordilheira dos Andes enquanto vê o Skrillex ou o Foster the People. Tem como ser melhor?

ASUNCIÓNICO – ASSUNÇÃO, PARAGUAI

Ponto positivo: é ridículo de barato
O Guarani, moeda paraguaia, é bastante desvalorizado em relação ao real, e isso é sentido diretamente nos preços dos ingressos. Os valores para este ano foram: R$ 117 (um dia), R$ 210 (um dia vip), R$ 162 (dois dias) e R$ 324 (dois dias vip). Pensa: menos de R$ 200 pra ver Jack White, Robert Plant, Smashing Pumpkins, Bastille, Skrillex, Calvin Harris, Major Lazer, Kasabian e otras cositas más. Ou incluir um pouco mais de R$ 100 pra ver isso tudo e ainda pagar de VIP.

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Para quem mora nos estados mais próximos da fronteira com o Paraguai, aqueles do centro-oeste e do sul, pode ser uma opção realmente interessante. É claro que os custos da viagem vão se somar ao do ingresso, mas você vai conhecer um lugar novo e que vale a pena em uma viagem rápida (falo mais sobre Assunção em posts futuros).

Ponto negativo: não tem muitas firulas
Quem gosta das atividades de ativação de marca e atrações extra-musicais vai se decepcionar. Como o Asunciónico acabou de nascer (a primeira edição foi esta que eu fui, de 2015), ele ainda se mostra bem incipiente nesse aspecto. Havia alguns lounges de patrocinadores e uma mini-galeria de arte, mas nada de muito apelo.

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Bônus: não há conflito de horário nos shows
Além de pagar muuuuito barato pelo ingresso, você vai ver exatamente TODOS os shows. Só não os verá se não quiser. O festival acontece no Jockey Club de Assunção, um espaço bem pequeno, logo os palcos têm que ficar um ao lado do outro, o que impede shows simultâneos. Acaba o show em um palco, começa o show no outro, e tudo que você tem que fazer é dar alguns passos para se posicionar melhor.

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora também coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Além de uma das mães do Festivalando, sou colaboradora da Mixmag e do Brasil Post e autora do Porque eu gosto de música. Também ajudei Paul McCartney a falar uai em pleno Mineirão.

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