ForCaos: estrutura atende, mas pode melhorar

Viajamos à convite da produção do ForCaos, festival que acontece há 15 anos em Fortaleza como uma das principais formas de resistência da música underground do Nordeste. Mesmo assim, não deixamos de avaliar a estrutura do evento com os olhos de quem não é convidado. Eles não escaparam do nosso rigorosíssimo festivalômetro. 🙂

Porém, assim como vários outros festivais em que estivemos presentes, é preciso relativizar muito a avaliação, pois alguns deles , incluindo o ForCaos, usam de estruturas já definidas por terceiros. Esse é o caso dos festivais que acontecem em casas de estudantes, parques, centros culturais e outra casas de shows, como foram o Aalborg Metal Fest, Popegoja, Inferno Festival e Metal Magic.

As atividades e shows do ForCaos acontecem em dois centros de cultura: o Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB) e o Dragão do Mar Centro de Arte e Cultura (IACC). Existe uma série de vantagens no fato de o ForCaos acontecer nesses locais, como a gente já te contou aqui. Porém, também existem limitações que se refletem diretamente na estrutura disponibilizada. No CCBNB, por exemplo, as regras internas do banco definem que não se pode beber ou fumar dentro do local, da mesma forma que não era possível, momentaneamente, a comercialização de alimentos dentro do espaço.

Tudo no lugar e atrasos mínimos – mais na programação das palestras do que nos shows. A produção do ForCaos, formada boa parte por integrantes da Associação Cearense de Rock e membros das bandas locais que se apresentaram fez bonito. Mesmo assim, alguns pontos podem ser observados para tornar a experiência festivaleira no evento ainda melhor.

Transporte

O ForCaos traz uma grande vantagem: é um festival que acontece bem no centro da capital do Ceará, Fortaleza. Portanto, serve-se de toda a estrutura que há ali perto. Há certamente mais de 20 linhas de ônibus que se não passam na porta do Dragão do Mar e do Centro Cultural Banco do Nordeste, certamente passam bem perto. Para comprovar isso, veja esse mapa das linhas de ônibus locais e como eles atendem a região onde o festival acontece.

Além dos ônibus, ainda há a oferta do metrô. A Estação João Felipe fica a pouco tempo de caminhada dos centros culturais, e funciona em um rítimo acelerado. Pode-se fazer a integração com vários ônibus que passam mais perto dos centros.

E para fechar com chave de ouro, em frente ao CCBNB existe uma estação de bikes compartilhadas de Fortaleza. Também existe uma estação de bikes compartilhadas nas imediações do Dragão do Mar. Não é o máximo essa estrutura?

bikes ccbnb

Informações

A referência de informação para o ForCaos era a própria fan page do festival nas redes sociais, atualizada com boa constância. Porém, o festival precisa encontrar meios de unificar as informações sobre a programação – havia um folder e banner do centro cultural Dragão do Mar chamando atenção para as palestras e programação de encerramento, e outro banner do ForCaos com a programação apenas dos shows do CCBNB. Isso pode enfraquecer as ações. Com a programação completa em mãos, talvez mais pessoas pudessem ter comparecido aos eventos.

A sinalização externa do evento também seria interessante, para marcar o território ocupado pelo festival nesses centros culturais. Apesar de não existirem grandes cartazes para sinalizar, painéis discretos presentes nas áreas do Dragão mostravam a programação do festival.

info dragao

Como ainda não é um festival de dimensões maiores, equipes para recepção e prestação de informações não são necessárias. Mas a partir do momento em que pessoas de outros lugares do Brasil e de fora tiverem interesse pelo festival, esse tipo de estrutura se tornará imprescindível.

Seria muito legal também se muito em breve o festival pensasse em ter um aplicativo para smartphones, que pode deixar informações como a escala de horário das bandas, mapas dos lugares entre outras informações ao alcance das mãos.

Hidratação e comida

Aí as coisas começam a se complicar. Ambos os centros disponibilizam água potável gratuita para os visitantes. Porém, em pontos muito limitados. Para a dimensão que o festival possui hoje, talvez isso não seja tão problemático. Mas se ele crescer um pouquinho, aí vai ser. Um bebedouro apenas localizado perto da entrada e não dos palcos no CCBNB causou certa fila e espera já nessa edição. Já no Dragão do Mar, constituído de város espaços, deveria ter um bebedouro para cada um deles. Mas não é assim que funciona. Vi apenas um bebedouro, perto da Praça Verde, que é relativamente distante do anfiteatro aonde aconteceu os shows. Da mesma forma, não havia bebedouros perto dos locais aonde aconteceram as palestras do primeiro dia. A oferta de água gratuita e em vários pontos é um ponto muito importante para os festivais, uma vez que shows exigem muita energia e fazem a gente suar de verdade, ainda mais num clima tão quente quanto o de Fortaleza. Portanto, a oferta de água é imprescindível para manter o bem estar dos festivaleiros no local.

água ccbnb

Com relação à comida, o CCBNB não possui estrutura para ofertar lanches ou pratos dentro das suas instalações. Porém, havia carrinhos de cachorro quente e bebidas extra oficiais em frente ao local. O problema disso é que o festival não pode se responsabilizar pela qualidade da comida e experiência gastronômica dos seus participantes.

Já o Dragão do Mar é cercado por restaurantes, como o próprio restaurante ” Dragão do Mar”, e também contava com barraquinhas extra-oficiais de comida e bebida do lado de fora do local. Havia também um café ao lado do cinema do Dragão, bem pertinho do anfiteatro onde aconteceram os shows do ForCaos. Aí sim a estrutura era bem satisfatória. Porém, é preciso haver opções que caibam nos diversos bolsos. A vida financeira festivaleira é quase sempre muito dura. Portanto, é importante que os festivais se empehem em garantir opções de alimentação mais acessíveis para os nossos bolsinhos.

Nesse ponto, o ForCaos e as administrações dos centros culturais devem conversar para encontrar saídas criativas, em função de fortalecer ainda mais toda a estrutura disponível.

Conectividade

Calcanhar de aquiles de ambos os centros culturais. Hoje em dia internet wifi liberada é igual água potável de graça: tem que ter! E é também um ótimo negócio para a repercussão do festival. Por mais que os puristas insistam que o festival seja um local para fruição e não para ficar na internet, esta tem um papel importante no jeito de as juventudes se expressarem e estar nos festivais. Além disso, pode ser uma óitima ferramenta para obter informações sobre bandas, localizações e possibilidades de deslocamento ou de combinações culturais para a noite.

Por ser área urbana, os telefones pegaram muito bem, o que é ótimo!

Limpeza e banheiros

Aqui o festival e os festivaleiros fizeram bonito! Havia vários banheiros disponíveis em ambos os centros culturais. E todos os banheiros eram muito limpos, com água corrente, papel e sabão.

Todo o espaço em que ocorreram os shows estava e permaneceu limpo após o evento. Isso mostra o zelo dos metalheads e punks cearenses pelos espaços que abrem as portas para outras manifestações culturais. No entanto, como um tabalho de prevenção, deve-se sempre deixar mais lixeiras disponíveis nos espaços.

Segurança

Apesar de se ouvir que a cidade de Fortaleza é muito violenta, o centro recebeu certa atenção do policiamento durante os eventos. Mas a segurança da cidade não necessariamente tem a ver com aquela dentro do Festival.

Dentro do ForCaos correu tudo muito bem. Havia seguranças e uma revista nas entradas para a área de shows. Objetos cortantes,perfurantes, garrafas, líquidos, entre outros eram confiscados ou impediam a entrada do portador na área de shows. Isso sem dúvida garantiu um festival mais tranquilo e pacífico.

seguranca

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Transporte10
Informações5
Hidratação e comida6
Conectividade2
Limpeza10
Segurança9
Melhorando a disponibilidade de comida e água, proporcionando conectividade e dando mais atenção para a informação o festival vai ficar mais legal do que já é.
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Gracielle Fonseca

Não faço nada na vida sem paixão. Tanto que, pra me formar em Jornalismo, tive que fazer com 2 colegas um TCC sobre metal, o Ruído das Minas: a origem do heavy metal em BH. Também decidi que faria o primeiro documentário sobre as Mulheres no Metal, o Women in Metal, e fiz. Foi por paixão também que larguei um emprego público, para me aventurar pelo mundo dos festivais com a Pri.

6 comments

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  1. Amaudson Ximenes 6 agosto, 2015 at 15:53 Responder

    A venda de bebidas no interior do Anfiteatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, iria contra o Estatuto da Criança e do Adolescente. Caso tivesse sido liberada, teríamos que adotar a censura 18 anos, o que impediria que muitos jovens assistissem ao evento.

    • Gracielle Fonseca 7 agosto, 2015 at 09:14 Responder

      Sim, por isso a gente já relativizou desde o início que as regras de cada instituição definiriam muito dessa estrutura. Mas quanto aos bebedouros de água potável, muito mais importantes do que bebida alcoólica, o pessoal do Dragão deve dar uma atenção, não só para o ForCaos mas também para outros eventos. Na verdade, quando falamos de hidratação e comida, é hidratação mesmo. A venda de bebida alcoólica nem entra na avaliação. Já a disponibilização de água potável gratuita em vários pontos é imprescindível para uma nota legal =)

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