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Turismo em Angra dos Reis e o barco da zoeira

Tão logo confirmamos nossa viagem para o Rock in Rio, eu e Pri sabíamos perfeitamente que uma coisa teríamos que fazer, e essa ação certeira era o turismo em Angra dos Reis. A gente adora praia, e por isso não queríamos deixar de conhecer esse arquipélago belíssimo. Além disso, estar no Rio de Janeiro de bobeira entre um intervalo e outro do Rock in Rio é uma ótima desculpa para ir a Angra, pois fica muito pertinho, a apenas 157 km da capital.

O arquipélago de Angra dos reis é composto por 365 ilhas, ou seja, uma para cada dia do ano ( não resisti em reproduzir o discurso de guia turístico, hahahah – porém, é um discurso de marketing. Depois da divisão das cidades da região, a área geográfica mais recente de Angra tem menos de 100 ilhas). Além disso, torna-se um passeio curioso pelo fato de que, durante o mesmo, passamos em frente a ilhas privadas gigantescas, como a do Ivo (evil) Pitangui – aquele cirurgião plástico famosérrimo, para quem não lembrou, e até mesmo a famosa primeira ilha de Caras.

angra

Começamos a idealizar nosso passeio, então, desde quando sobrevoávamos nossas montanhas de Minas. Já sabíamos que os passeios para Angra são feitos por barco – você tem a opção de sair do Rio de Janeiro de ônibus e só quando estiver no centro de Angra pegar a embarcação. Mas também há passeios de barco que saem direto da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro. Enfim, o negócio era barco e já estávamos pirando na batatinha que o passeio ia ser exatamente assim:

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ou assim:

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e até mesmo assim:

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Porém, a realidade dá cada tapa na cara da gente, né….

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Tipo nesse nível…

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Vou explicar: há vários jeitos de ir para Angra dos Reis ( e a gente vai te contar os outros jeitos aqui em seguida). Mas, como tínhamos pouco tempo, estávamos muito cansadas e também um pouco desconfiadas com a onda de arrastões que enfrentamos enquanto no Rio de Janeiro. Então, optamos pelo mais prático para o momento. Asssim, quando eu desci à recepção do Hostel Contemporâneo (onde ficamos hospedadas), não tive dúvidas: eles me disseram que tinham  parceria com uma empresa que ofertava o passeio ( Saveiros Angra Turismo), e que o guia buscava no hostel. Quando foi revelado o pacote, ficou meio impossível de se pensar ainda em fazer o passeio por conta própria. No pacote seriam $140 dilmas para ir e voltar de Angra, incluindo um passeio de barco e parada em 3 ilhas e um almoço. Só para ir e voltar, por conta própria, gastaríamos em média $80. Ainda teria o valor do passeio de barco, o rango, o trampo de se deslocar no centro do Rio… assim, o passeio guiado ganhou! ( e é importante dizer que, para quem gosta desse tipo de passeio, ainda existem muitas pessoas distribuindo flyers no calçadão de Copacabana. Um igual ao nosso, por exemplo, sairia por $110 se tivéssemos ido com a empresa de Copacabana.

A zoeira desse passeio começou logo na saída, sutilmente. Chegamos todos pontualmente. O guia da Saveiros Angra, contudo, apareceu depois do horário e ainda pediu que esperássemos uma dupla de gente sem noção que estava por chegar, mas nunca chegava. Jogando todo o carioquês em cima da mineirada( estávamos em massa: além de mim e da Pri, ainda tinha um casal de amigos nossos, Kênnia e Amaro). O guia queria mesmo que a gente esperasse. Mas começamos pressionar e finalmente ele decidiu sair e deixar a dupla de gente sem noção para trás… afinal, foram 27 minutos ( contados por mim) de atraso!

A princípio, pensamos que seríamos só 6, pois eram as pessoas que estavam reunidas esperando o guia. Mas quando entramos no ônibus de viagem repleto, nosso sonho de dia de glamour e praia em Angra começou a desmoronar… mal sabíamos que o montante do ônibus não era nada em relação ao que nos esperava no barco…

chegada

Durante a viagem, o guia até que ia nos divertindo, destilando aquele humor às vezes forçado para todos os lados. Mas ok, tínhamos uma viagem de no mínimo 3 horas pela frente, e poderia se estender para 4 ou mais, dependendo do trânsito horrível da cidade maravilhosa. Por sorte, foram apenas 4 horas. E quando descemos do busão, avistamos um porto e não mais víamos aonde tinha ido o guia. Entramos em uma fila por intuição, que levava ao cais e a duas embarcações. Uma confusão de gente, calor, gritaria, tudo embolado e uma galera de uns três ônibus para ser dividida em 2 barcos. Eu já estava bem assustada, pensando que o passeio seria um fiasco nesse momento. Finalmente avistamos de novo o guia, entramos em seu barco. E o barco estava lotado até a tampa! Ali os sonhos desmoronaram mesmo, hahaha.

Entramos na embarcação e achamos um lugarzinho apertado para nos sentarmos- bem menos confortável do que nossos sonhos nível Titanic..hahaha. Tinha gente espalhada para tudo que é canto. No meio, a galera encarregada dos drinks e, atrás, um grupo de pagode fazendo um batuque incontrolável. E eles não se contentavam em deixar a desgraça sonora restrista a um lugar só. Eles circularam pelo barco…eles ousaram parar na minha frente para tocar/cantar músicas da Cia. Do Pagode.

*Reparem no nosso amigo Amaro, com boné do Brasil, já de saco cheio, ahaahauahua

A Kênnia logo soltou: aqui a galera é do Rock in Rio, é do rock, do metal… toca metal para nós. Após um tempo e algumas conversas, o grupo de pagode começa a entoar uma música do Legião Urbana… Achei muito, muito, muito surreal!! Hahaha, deu vontade de fazer isso aqui com o cantor:

metal

Corta para a boquinha da garrafa que é melhor. Aliás, o grupo se encarregou mesmo do entretenimento do barco. Na boquinha da garrafa mobilizou gringos e brasileiros a ir até o chão. Os guias viram garçons, as bar girls viram dançarinas e ninguém mais sabe se espreme o limão da caipirinha ou se desce na boquinha da garrafa. Também há alguém no microfone, emitindo informações turísticas em alto falantes horríveis. E existe uma grande competição entre o pagode e essas informações. Tem os caras do comércio do book fotográfico subaquático, os do aluguel dos acessórios de mergulho, e tudo mais, todos competindo em espaços minúsculos.

o pagode

O almoço chega e você que não se sentou numa mesa deve se virar nos trinta para comer e não deixar cair. Pelo menos foi um prato bem gostoso. O capitão não sabia também se tomava cerveja ou se segurava a leme. Também não sabia se dava um puxão de orelha no sobrinho que havia feito algo errado… hahaha, uma zona, tô dizendo!

Apesar de todo esse caos, a parte boa do passeio foi sem dúvida a parada em ilhas lindas. Primeira parada, um mergulho na Lagoa Azul, um ponto mais profundo e aconselhável apenas para os que sabem nadar. Lá os peixinhos ficam ao seu redor e a água tem mesmo uma cor incrível.Depois, parada na Ilha grande. Dá para descansar, nadar, pegar uma corzinha. Por fim, parada naquela que foi a primeira Ilha de Caras, uma graça de lugar!

Nas circunstâncias em que estávamos, tendo a dizer que compensou. O ruim é que quase não há tempo para ficar nas ilhas, e realmente dá vontade de permanecer em cada uma delas muito mais do que horas, ou até dias!! Mas isso é assunto para uma outra viagem, um outro post!

paradas

Para quem quer ir para Angra dos Reis por outras vias que não as empresas de turismo, ficam aqui as dicas:

Angra fica a 157 km do Rio. É um pouco distante, mas com 3 horas de viagem você chega ao seu destino, pode conhecer um pouco do arquipélago e voltar. Vai ser impossível ver uma parcela muito significativa, no entanto, com apenas 1 dia. Afinal, são centenas de ilhas, todas lindas, de águas calmas e cristalinas. A região ainda é muito privilegiada com as bordas de mata atlântica e da paisagens litorâneas mais complexas e belas do país.

Como chegar:

De carro – Acesso pela BR-101 a partir de Santa Cruz, saindo pela Avenida Brasil. Para quem trafega pela Linha Vermelha, pegar a saída em direção a Irajá e, em seguida, a Avenida Brasil.

De ônibus – Ônibus para Angra partem regularmente durante todo o dia do terminal rodoviário Novo Rio ( o qual você acessa por meio da integração metrô-ônibus, descendo na estação estácio, por exemplo, e pegando o 406 A em direção à rodoviária). No terminal você vai procurar a empresa Costa Verde. A viagem vai durar cerca de 2h30 e pode custar até 50 reais, dependendo do horário. Fique atento, no caso de fazer o bate volta, com os horários de retorno. O último ônibus costuma ser às 22h40.

Empresas de turismo – há várias empresas de turismo que oferecem pacotes com vans saindo de Copacabana, ou até mesmo barcos com serviço vip. Você vai desembolsar um pouco mais do que 100 reais para ida e volta, mas pode ser bem compensador.

No nosso caso, fomos com a Saveiros Angra Turismo e pagamos, cada um, $140 para um passeio que inclui: Transfer em ônibus de viagem, ida e volta; passeio de barco com parada de 30 minutos em 3 ilhas ( Lagoa Azul, Ilha Grande e Ilha de Caras) e também um almoço, servido no próprio barco. Apesar de toda a zoeira, parece que as demais embarcações de outras empresas não eram muito diferentes. Talvez fosse interessante conferir a lotação das mesmas antes de contratar. No caso, esquecemos dessa regra básica e por issso achamos o passeio meio caótico com a Saveiro. No entanto, foi um passeio seguro e prático para quem tem pouco tempo e quer conhecer um pouco do lugar. Ah, para quem é intolerante a música ruim, como eu (ainda mais em momentos de contemplação da natureza), compensa perguntar se não tem o grupo de pagodeiros aloprados incluído na parada também 😛

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Gracielle Fonseca

Não faço nada na vida sem paixão. Tanto que, pra me formar em Jornalismo, tive que fazer um TCC sobre metal, o Ruído das Minas: a origem do heavy metal em BH. Também decidi que faria o primeiro documentário no mundo sobre Mulheres no Metal, o Women in Metal, e fiz. Comecei a ir em festivais de metal internacionais em 2009. Desde então, viajar em busca da música, essa outra paixão, tornou-se um projeto profissional que hoje chamamos de Festivalando.

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