" /> Metallica no Lollapalooza 2017: stop the mimimi | Festivalando
Cambria Harkey/Lollapalooza Chicago/Divulgação

Metallica no Lollapalooza 2017: stop the mimimi

Anote aí: Metallica no Lollapalooza 2017. Rancid também. Como sempre, quem antecipou e cravou a informação via jornal Destak foi José Norberto Flesch, principal e mais confiável fonte sobre shows internacionais no Brasil. Naturalmente, as reações emergiram e elas foram, hum, bem… ~polêmicas~. O Rancid, ainda inédito no Brasil, não inflou tanto os ânimos. Já a banda do James… Para um festival com tanta pluralidade e diversidade, foi surpreendente ver a rejeição e até mesmo algumas reações preconceituosas por parte de quem não gostou de ver o Metallica no Lollapalooza 2017.

É importante deixar claro que:

Se você não gosta de Metallica, pode continuar não gostando. Não há problema algum nisso. Mesmo!

Se você se decepcionou porque queria na verdade o artista X ou Y como headliner, ok. Acontece, bola pra frente. Lineups de festivais são essa montanha-russa de emoções, que geram expectativas, euforia e decepção, tudo nas mesmas proporções.

Ainda há dezenas de atrações pra serem confirmadas e certamente você vai se empolgar com os nomes que estão por serem anunciados. E certamente vai ter alguma banda do seu agrado tocando no mesmo horário do Metallica, em outro palco, e você nem vai se lembrar que o James e sua crew está lá.

Mas.

Se você acha que o Metallica não deveria estar lá, que a curadoria do festival está equivocada e está com nojinho de dividir o mesmo espaço com fãs de um outro estilo, você não ainda entendeu completamente o que é o Lollapalooza, nem onde o Metallica se encaixa nessa história toda.

Metallica no Lollapalooza 2017: entenda

Como eu disse, me surpreendi com algumas reações à vinda do Metallica. Dá pra resumir tudo em mais ou menos uns cinco argumentos muito frágeis. Comento cada um não com a intenção de defender o Metallica ou o Lollapalooza (ok, só um pouco), mas principalmente com a intenção de mostrar como o mimimi se estrutura em incompreensão, desconhecimento e preconceito.

“Ah, mas é que o Lolla não é um festival pra bandas de metal”

O Metallica foi headliner do Lolla Chicago 2015. Antes, já havia tocado no festival em 1996. O Ghost, banda de metal da Suécia, foi atração do Lolla Chile e do Lolla Argentina este ano, 2016.

Levando o argumento para um lado oposto, Lady Gaga (e por pouco Rihanna), com seu pop comercial, já foi atração do Lolla. Neste ano, aqui no Brasil, vimos MC Carol e MC Bin Laden, dois funkeiros, subirem no palco como convidados.

O Lolla pode ter um gênero dominante e/ou prevalecente, mas não é um festival homogêneo musicalmente falando.

Claudio Reyes/Lollapalooza Chile/Divulgação

Claudio Reyes/Lollapalooza Chile/Divulgação

“Ah, mas o problema é que o Metallica já veio muito pro Brasil nos últimos anos”

O Diplo e o Skrillex estiveram um ou outro, ou os dois juntos com seus projetos, em todas as edições do Lolla desde 2013 (sem contar o EDC Brasil) e ninguém reclamou que o festival estava trazendo “gente que vem demais pro Brasil”.

Quando o Franz Ferdinand veio pro Lolla 2013, depois de uma meia dúzia de shows por aqui, não teve alarde. Florence retornando ao Brasil pro Lolla depois de ter sido atração do Rock in Rio também não incomodou. Ninguém também reclamou quando o Muse foi headliner do Lolla e do Rock in Rio no mesmo ano (2013), mesmo depois de duas passagens anteriores da banda pelo Brasil (2008 e 2011, nesta última abrindo para o U2).

“Ah, mas o Metallica tem um público muito específico”

O Metallica é uma das bandas mais influentes do thrash metal, mas um dos principais legados da banda pra história da música foi ter conseguido atingir e fidelizar uma audiência que até então não se identificava com o heavy metal e suas vertentes. O Metallica foi uma das poucas bandas que conseguiu fazer o gênero ser ouvido fora do gueto, por gente que ouve qualquer outra coisa menos rock pesado. O Black Album (1991) foi o divisor de águas nesse sentido.

Em trabalhos subsequentes, a banda suavizou ainda mais o tipo de som e passou até a ser acusada de ser comercial demais para os ouvidos mais puristas do metal.

“Ah, mas esse povo vai fazer mosh durante o show, não vai dar nem pra ficar lá perto”

Eu assisti o show do Metallica no Rock in Rio. Estava mais ou menos na quinta ou na sexta fila, muito perto da grade. Assisti com uma folga de espaço ao meu redor. Ninguém me empurrou, ninguém me agrediu. Foi um show absolutamente tranquilo.

Entenda a ética do mosh. O mosh não é feito para atingir deliberadamente quem está fora dele. O mosh é quase como um campo de força que só age sobre quem decidiu entrar dentro de seus limites.

“Ah, mas esses fãs metaleiros vão fazer bagunça, não vão respeitar os outros”

AMG, joga fora esse preconceito. Não determine o caráter e o comportamento das pessoas pelo tipo de música que elas ouvem porque é feio.

Não seja o Donald Trump da Indielândia

festival mais completo do brasil

Fotos I Hate Flash

O Lollapalooza é, dentre outras coisas, um festival com diversidade e pluralidade. De gente, de gostos, de roupas, de interesses. De gente que vai lá às 14h e fica grudado na grade até as 21h porque só quer ver um show; de menino que vai lá usando uma saia; do cara que vai lá só pra ficar no palco de eletrônica; da menina que acha o máximo quando toca funk no meio do show.

Se você não se incomoda com absolutamente nada disso, você também não deve se incomodar com uma banda X ou Y no lineup. Você consegue, eu sei.

Não seja o Donald Trump da Indielândia, aquele cara que quer construir muros pra impedir a entrada de gente diferente dele.

Não faz mais sentido hoje um mundo que não dá espaço pra pluralidade e que sufoca o que é diferente. Os festivais de hoje são um reflexo disso na esfera musical. O Lolla é o exemplo local disso. Aproveite a vinda do Metallica pra entender melhor como o Lolla funciona e como o mundo funciona. 😉

Sobre abrir os ouvidos para coisas diferentes em um festival:

Por que ir a um festival de metal sem ser headbanger?

Por que ir a um festival pop? (da perspectiva headbanger)

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Sou uma das mães do Festivalando e fiz Paul McCartney falar uai no Mineirão. Só porque eu gosto de música. Nas horas vagas, faço coisas sérias e tento salvar o jornalismo.

32 comments

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  1. Mateus Dias Ferreira 8 agosto, 2016 at 21:11 Responder

    Sonhando com Red Hot, Radiohead, LCD Soundsystem e me vem Metallica. Haja paciência. Pelo menos a ansiedade pra comprar ingressos diminuiu e agora só compro depois de confirmado o line-up completo, separado por dias.

    • Priscila Brito 9 agosto, 2016 at 09:35 Responder

      Matheus, o Metallica é um nome no meio de pelo menos uns 50. Ficar com o pé atrás com um festival inteiro por causa de um artista quando tem mais de 40 pra confirmar é exagero. 😉

    • Leonardo Pereira 9 agosto, 2016 at 10:06 Responder

      Nesse momento da volta do LCD, álbum novo do Radiohead,Kendrick Lamar mostrando uma musica surreal, chega a ser irônico ter Metallica no festival, concordo com vc meu caro!
      Dá pra entender a pluralidade do festival, até acho ótimo que isso aconteça, mas faltou um pouco de tato se for verdade essa especulação mesmo… Lollapalooza virando um RIR 2 e perdemos mais um festival de musica mais alternativa, como perdemos TIM Festival, Planeta Terra…Uma pena.

        • Mateus Dias Ferreira 9 agosto, 2016 at 12:36 Responder

          Deu uma broxada, saca?

          Dá pra notar que vc gosta muito de Metallica e tá sofrendo com as críticas. Eu entendo.

          Não é que a gente seja contra pluralidade e muito menos contra Metallica, que eu considero uma baita banda.

          É como o Leonardo falou, faltou tato. Isso na opinião de quem foi desde o primeiro Lolla e estava animadão com o possível lineup do ano que vem depois do Lolla Chicago.

          Pra um fã de Metallica pode parecer exagero, mas pra mim é mais um WTF?!

          • Priscila Brito 9 agosto, 2016 at 13:27

            Eu não gosto “muito” de Metallica. Também não sou fã. Eu gosto de Metallica assim como eu gosto de uma tonelada de artistas, mas fã mesmo eu sou de poucos. E a essa altura, se tivesse que escolher, preferiria mais um show do Radiohead que do Metallica porque já vi o segundo, mas ainda não vi o primeiro (e minha história musical tem muito mais a ver com o Radiohead do que com o Metallica).

            Não estou sofrendo com as críticas. Eu já escrevi crítica em jornal apontando defeito em artista que eu realmente gosto porque aprendi muito a tratar as coisas com distanciamento com o jornalismo. Se eu mesma sou capaz de criticar meu ídolo (coisa que pouquíssima gente é capaz de fazer), porque não seria capaz de tolerar crítica pra cima de um artista que eu gosto, mas não está entre os meus preferidos? Se você leu o texto com atenção, tem uma frase que diz que esse não é um post em defesa do Metallica. A discussão é em outra esfera – o que o Lollapalooza tem sido nos últimos anos e o que os festivais de modo geral têm sido atualmente.

            Meu incômodo mesmo é com a incompreensão das pessoas com o que é um festival (e com umas reações realmente preconceituosas em alguns casos). Acho descabido que as pessoas ameacem desistir de um festival que oferece dezenas de atrações por causa de uma só. Nos últimos anos eu também cheguei a olhar pro lineup do Lolla e pensar “WTF” algumas vezes e nem por isso ele deixou de ser o festival de que mais gosto e pelo qual sempre alimento as melhores expectativas. Tudo isso porque ele sempre me oferece alternativas ao WTF e porque, no fim das contas, festival é isso: é te oferecer opções.

          • Mateus Dias Ferreira 9 agosto, 2016 at 18:01

            Bah, não consigo mais responder, acho que chegou no limite, hahaha.

            Concordamos em quase tudo. Festival é isso mesmo, pluraridade.

            Eu também acho tosco a galera que ofende alguém (no caso a banda).

            Mas não é todo mundo que é mimizeiro.

            Acho legítima a reclamação porque o Lolla acaba criando uma expectativa baseado no que já rolou (aqui, fora, em anos anteriores).

            É esse ponto que eu achei o texto muito na defensiva da banda/festival. Você simplesmente não vê NENHUM motivo pra alguém que gosta do festival ter reclamado da possível presença do Metallica. Aliás, você acha todos os argumentos de quem reclamou frágeis.

            É claro que eu não vou deixar de ir por causa do Metallica. Mas, sim, minha empolgação em vez de aumentar, diminuiu. Não acho que por conta disso eu seja o Trump da Indielândia nem que minha visão de mundo e de festival seja deturpada.

            No final das contas eu espero muito ser surpreendido pelo restante das atrações. E quero dividir o festival com todo mundo: fãs de Metallica e reclamões como eu. Já os babacas que adoram ofender gratuitamente (pela Internet, claro) esses eu quero distância.

          • Priscila Brito 9 agosto, 2016 at 18:09

            Eu também acho que já estamos caminhando pro fim da discussão, Matheus 😛

            E eu também não acho que você é o Donald Trump da Indielândia, você é o cara lá do início do texto: “Se você se decepcionou porque queria na verdade o artista X ou Y como headliner, ok. Acontece, bola pra frente.” Se você fosse do tipo Donald Trump, aquele tipo comentarista de portal que só ofende gratuitamente, eu nem teria te respondido. Dediquei meu tempo a fazer essa discussão com você porque você veio apresentando seus argumentos, conversando do jeito que seria legal de todo mundo fazer.

            Certamente vou fazer um post dedicado ao Lolla quando sair o lineup completo. Volte aqui pra gente conversar. Ou então, até o Lolla 2017!

  2. Italo Rangel 9 agosto, 2016 at 17:09 Responder

    Excelente matéria! Imparcial (dentro dos limites…hehe) e propulsora a uma reflexão do que de fato é a proposta do Lolla! Me emocionei lendo pela forma como você relacionou os pontos centrais! E também porque esse é uma possibilidade que me surpreendeu muito: Metallica pisar no Lolla Brasil!! E uma surpresa muito bem vinda! Terei a chance de emplacar o 4º show dos caras em solo brasileiro!! Tô tão surpreso que tô pessimista e pensando em coisas ruins acontecerem (tipo uma desistência da banda ou algo do gênero)! Mesmo assim, alegre! Muito alegre!

  3. Italo Rangel 9 agosto, 2016 at 17:21 Responder

    Esse ano foi minha primeira experiência no Lolla. e foi particularmente muito legal sair do show da Bad Religion e participar ativamente de Of Monsters…e, em seguida, apreciar a galera de Mumford nos deixando em catarse! O efeito foi tão “isso” que nem consegui assistir ao Eminem depois (uma de minhas outras pretensões). Fui logo pro hotel! Concordo muito com você, Priscila, sobre a infelicidade nas reações de ódio e desprezo após a “confirmação” de apenas uma das atrações do festival, sendo que teremos mais várias outras por vir. Essa minha primeira experiência escancarou para mim a diversidade que não vi em em nenhum outro festival que participei. E foi essa a magia do Lolla que consegui captar (dentro dos meus limites)! “Ahhh..Line-up? Fora de line-up? Primeiro show da noite? etc. e tal?” Galera…já estamos grandinhos pra levar isso à “seriedade infantil”…

    • Priscila Brito 9 agosto, 2016 at 18:16 Responder

      Pois é, Italo. O Metallica acabou sendo o foco da discussão porque foi o estopim da treta, mas na verdade o debate é tentar entender o que é o Lollapalooza. Vamos aguardar o lineup sair, mas é bem certo que quando todo mundo vir a lista completa de atrações, vai acabar notando que o Metallica é só um detalhe no meio disso tudo. Espero que todo mundo fique satisfeito dentro do possível (100% de satisfação com lineup é impossível), pois é muito importante que o Lolla mantenha o público pra seguir nessa trajetória de consolidação que vem sendo construída até aqui.

  4. Vitor 14 agosto, 2016 at 17:48 Responder

    Pra quem ta de mi mi mi sobre Metallica, ja foram em algum show deles? é sensacional, impossivel explicar, mesmo se você nao gosta, ou nunca quis parar pra escutar direito, o show é incrivel.

    • Priscila Brito 15 agosto, 2016 at 12:15 Responder

      Ei, Vitor! Eu vi o Metallica no Rock in Rio e adorei. O show é mesmo incrível. Mas, sendo incrível ou não, tanto faz. Quem acha incrível vai lá ver, quem não acha vai ter a alternativa de ver outra banda em outro palco. Festival é isso 🙂

  5. Marcio Gabriel 15 agosto, 2016 at 10:55 Responder

    só acho que qualquer show e bem vindo …. lolla e um workshop musical eu vi de Robert Plant a Skrillex passando por Altj um drop basico no d2 esbarrei com Jack white fui ver o tal do major lazer e me despedi ao som de Bastille … ta vendo lolla e vida e que o Kendrick abra pro Metallica

  6. Marcus 19 agosto, 2016 at 16:23 Responder

    Cara, mandou muito na publicação! Parabéns mesmo! Expôs exatamente a visão de um fã do Metallica, como também fez com que essa mesma pessoa julgue menos outros festivais onde o line-up não “agrada” tanto.

  7. Augusto 28 setembro, 2016 at 12:05 Responder

    Sabe por que ninguém reclama quando o Skrillex vem todas as vezes para festivais aqui no Brasil? Pq o cara é foda, e todos curtem quando ele vem, Pq não é sempre que alguém vai ter a oportunidade de ver ele

    • Priscila Brito 29 setembro, 2016 at 09:18 Responder

      Eu adoro o Skrillex, vi uns cinco shows dele a essa altura, veria mais sem reclamar e ele tem uma base de fãs imensa. Mas ao mesmo tempo tem uma galera que acha o cara o lixo. Nem todos curtem Skrillex, nem todos curtem Florence, nem todos curtem Metallica, nem todos curtem x, y ou z. Mas os fãs acabam fazendo “mais barulho” que os não fãs. A pergunta no texto é apenas retórica.

  8. Mateus Dias Ferreira 28 setembro, 2016 at 13:44 Responder

    Voltei aqui pra dizer que o line-up tá mais ou menos.

    Amo The XX, Cage the Elephant e Two Door Cinema Club (apesar de já ter visto os últimos dois).

    Tô muito afim de ver The Strokes, Criolo, MØ e Glass Animals.

    Masss, massss, fico lembrando dos line-ups anteriores e não tem como esconder a decepção.

    • Priscila Brito 29 setembro, 2016 at 09:39 Responder

      Ei, Mateus! Pois é, eu também me empolguei mais com lineups de edições anteriores. Pontualmente tem artistas que eu quero muito ver e estou feliz por ter essa oportunidade no Lolla: Strokes, Tove Lo, MO, Baianasystem e a parte “velha” também – Rancid, Duran Duran. Porém, no conjunto, acho que já houve lineups com mais apelo. Eu fico pensando que às vezes eu tenho que aprender a regular as expectativas com esses lineups e me deixar ser surpreendida. Porque no fim das contas o resultado final é uma combinção de tantos fatores que as chances de agradar ou decepcionar são quase iguais se a gente ficar esperando muito por coisas determinadas. Mas nem na vida real eu aprendi a fazer isso ainda, então tenho um longo caminho de “sofrência” pela frente rsrs

  9. Carolina Pesco 16 outubro, 2016 at 23:05 Responder

    Amiga, você arrasou! O problema é não entender a temática do festival, o que é um puta absurdo e aconteceu hoje de novo com o garrix. Me bate aquela vergonha alheia, mas é aquele ditado, né?

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