Hellfest 2019Kiss/ Hellfest 2019. Ph: JDMK

Hellfest 2019 foi amor à segunda vista

Hellfest se repaginou e colocou algumas coisas no lugar onde deveriam estar. Deu um tapa no visu ( que antes era meio barango) e na forma de fazer as coisas acontecerem. Então, não teve outro jeito: fiquei totalmente rendida! Assim, a primeira impressão para esse Hellfest 2019 foi de amor à segunda vista pelo festival. Por isso, volto a dizer que dar uma segunda chance a um festival é de fato muito bom. Seja pra confirmar impressões, ou ver a evolução do mesmo.

Agora, ao te contar como foi o Hellfest 2019, é importante eu deixar vocês sabendo de uma coisa: tudo de bom que eu falar sobre o festival neste post é porque ele de fato mereceu, uma vez que não foi fácil eu estar lá. Na verdade, não foi fácil existir nessa minha segunda quinzena de junho. Pra contextualizar vocês rapidamente: além do Festivalando, eu trabalho 8 horas e ainda faço pesquisa. Tive que apresentar um trabalho no congresso internacional sobre metal em Nantes, antes de ir pro Hellfest. Há tempos não dormia mais do que 4hrs por noite antes de estar na edição de 2019 do festival.

Apesar de todo a correria, saí do Hellfest 2019 com a sensação de que foi ótimo voltar. Foi ótimo conviver mais alguns dias com várias e vários franceses tão cordiais, comer o melhor do vinho, do pão, do queijo e da música que o país tinha a oferecer. Então, recebam aí meus relatos cansados mas sinceros sobre o Hellfest 2019!

Como foi o Hellfest 2019: encantadoramente repaginado

hellfest 2019

Hellfest 2019. Ph: JDMK

Da primeira vez que fui ao Hellfest, eu tive a impressão de que o festival ainda estava em um processo pouco amadurecido com relação a sua própria imagem. No entanto, em poucos minutos andando pelo festival em 2019, percebi que amadureceram um conceito e conseguiram incorporá-lo à estrutura. Fizeram o Hellfest ficar mais bonito, vistoso, menos barango. Um festival que de fato cuida dos menores detlhaes. Vejo agora uma linha de pensamento na decoração com ferro e sucata, que dá um ar selvagem e rústico para todo o espaço. Talvez ainda haja um resquício de um traço mais “adolescente” de decoração na Hellcity Square. No entanto, de forma geral, o festival conseguiu extrair o conceito e trabalhar muito bem.

Hellfest 2019. Ph: JDMK

Um pouco de gourmetização pode fazer bem?

Em alguns casos, é possível dizer que sim. Principalmente quando as condições de antes eram meio complicadas pra quem paga um ingresso não tão barato (quase 250 euros p/ 3 dias). Assim, o Hellfest fez mudanças estruturais que têm cara gourmet, mas na verdade eram essenciais. Por exemplo, a praça de alimentação era um verdadeiro deserto com altas temperaturas e poucos lugares para comer se abrigando sob uma sombra. No entanto, além de repaginada, agora esta praça ganhou espaços de descanso e para se refrescar, mesas, cadeiras e locais para apoio não só mais bonitos como também melhor distribuídos e funcionais.

Veja nos destaques dos stories do nosso Instagram “Hellfest 2019” mais detalhes sobre a estrutura do festival neste ano.

Hellfresh delícia

Falando sobre deserto e altas temperatutas, o Hellfest sempre foi um festival bem quente. Além disso, o chão com britas, areia e cascalho levantavam um poeirão terrível. A secura trazia inevitável irritação para o sistema respiratório. Felizmente, a organização percebeu que era preciso mudar isso. Por isso, além de trocar boa parte do piso em algumas áreas, também instalaram várias fontes de água e locais climatizados. Assim, construíram espaços como o Hellfresh, que pode ser resumido como um superumidificador em meio ao festival. Além dele, havia também várias fontes. Duas delas com cortinas de água programadas, que variavam em letras e formas durante a queda d’água. Lindo de se ver e delicioso de se refrescar!

Música: palcos principais brilham (mas a missa é rezada mesmo no Altar e no Temple)

Como já era de praxe de outras edições, da música não havia muito espaço para reclamar do Hellfest 2019. Afinal, a organização sabe fazer um lineup diverso e com bandas relevantes. No entanto, este ano eu não fui uma pessoa muito dos “mainstages”, assim dizendo. Mais à frente eu explico.


Mas é claro, não faltaram ótimas apresentações nos palcos principais! Com destaque para o showzaço de aniversário de 50 anos de ZZ Top, a apresentação do Lynyrd Skynyrd, a despedida francesa do Slayer (show de tirar o fôlego, mesmo de quem já estava cansadx de ver a banda, como eu!). E evidentemente, um dos espetáculos que mais tinha vontade de ver: o show do Kiss.

Kiss

Até abri um intertítulo aqui pois era necessário. Nunca fui fã de Kiss, confesso. No entanto, sempre tive a curiosidade de ver a banda ao vivo, pois é uma das maiores bandas de rock de todos os tempos. Não sei se eu pagaria/viajaria para ver um show dos caras. Assim, a coisa tinha mesmo que acontecer em um festival. Então, foi ótimo ter acontecido no Hellfest, pois foi um dos melhores números de entretenimento musical que vi em minha vida! Os caras realmente sabem como prender atenção do público.

Além de um rock n roll preciso e gostoso de ouvir, os efeitos e toda a pirotecnia fazem do concerto irresistível. Ainda é impressionante o fato de que um “senhor” de quase 70 anos saia por aí se empoleirando em uma tirolesa, passeando sobre o mar de gente durante o festival. Foi demais conferir toda a disposição de Paul Stanley e sua turma de perto. E claro, foi adorável ver todo o teatro sangrento de Gene Simons.

Hellfest 2019

Paul Stanley na tirolesa no Hellfest 2019. Ph: JDMK

Mainstage 2 nacional

Uma das iniciativas bem legais do festival este ano foi dedicar um dia de atrações em um dos palcos principais (mainstage 2) às bandas nacionais. Foi assim, por exemplo, que conheci o som do No One Is Innocent, quem levantou geral. As pratas da casa Gojira e Mass Hysteria também fizeram shows empolgantes.

O meu Hellfest foi do altar pro temple e do temple pro altar

Depois de baixar o meu app do Hellfest, comecei a marcar minhas bandas favoritas, fazer minha grade de shows. Foi então que percebi o quanto o meu festival seria “sagrado”, pois a maioria das bandas que eu queria ver estavam no Altar e Temple, palcos que lidam com o lado mais obscuro do metal nesse festival, digamos assim.

Encantos em Altar e Temple

  • O show do Possessed foi sem defeitos! Ver os caras na ativa com material novo depois de 3 décadas é emocionante!
  • Candlemass, vocês são fodaaas! Doom de verdade, peso sentido lá dentro da alma!
  • Moonspell sempre carismático, pesado na medida certa e quebrando a ideia de que show gótico tem que ser chato.
  • Combichirst foi quente, foi intenso, foi insano. Que rave gótica industrial maluca no calorão de 30 e tantos graus foi aquela, gente? Puro suor gótico na pixxxta!
  • Carpathian Forest, causando, sempre!
  • Carcass não decepcionou, como de costume.
  • Hellhammer – que showzaço feito pelo Tom Gabriel e sua galera. Já tinha visto o cara com o Trypticon, mas esse tributo ao Hellhammer foi demais, superou!

Desencantos em Altar e Temple

  • Clashes injustos: muitos shows que rolaram no Altar e Temple coincidiam com shows legais em outros palcos. Por exemplo, um clash maldito foi Slayer x Deicide, acontecendo praticamente no mesmo horário. Brutus x Municipal Waste também foi outro clash  injusto pra mim. O mesmo rolou com Lamb of God x Emperor. Complicado tudo isso para uma pessoa com gostos amplos como eu.
  • Eldritch me fez sofrer: É horrível admitir isso. Mas, mesmo sendo fã, é preciso dizer que a apresentação do Sisters Of Mercy foi uma decepção para mim. Ter faltado as minhas músicas favoritas no setlist foi o de menos. O ruim mesmo foram os delírios vocais de Eldritch (que foi aquilo, cara?) e também dos deslizes do guitarrista. Poxa vida, como fã, acho que eu preferia ter ficado na ilusão de que era bom.
  • King Diamond:  Palco reduzido que comprometeu um pouco a performance. Isso eu pude perceber pois vi o mesmo concerto, dessa mesma tour, pelo menos 3x, em palcos bem maiores. Também me pareceu que o público meio que deu uma esfriada. Mas também pode ser só impressão minha ou cansaço pelo horário. Pois o rei fez uma das últimas apresentações daquele dia.

Outros infortúnios musicais

Foram poucos mas é importante falar. O primeiro deles não tem a ver diretamente com o Hellfest, mas como uma prática geral de muitos festivais. Várias das bandas com letras pequenas que eu estava planejando ver tinham shows em pleno meio dia, ou até antes.  Como o calor é de rachar, às vezes ficou complicado chegar a tempo de conferir tais apresentações. Por isso, perdi alguns newcomers que queria muito ver nesta edição do festival. Esse foi o caso da Stinky. Mesmo assim, ainda foi possível conferir a apresentação impecável da Brutus, na Warzone. Foi muito empolgante e aconselho conferir o som da banda! Outra banda supreendente foi Wiegedood, black metal belga feito com vontade.

Mas voltando aos infortúnios, não consegui ver Myrkur, banda da qual sou fã. Amalie, líder da banda teve que cancelar o show por motivos de saúde. Foi uma pena, pois eu sou muito fã da banda e queria ver o show versão folk, o qual ainda não havia visto. Além disso, teve também o cancelamento do Manowar. Mas é preciso explicar: não sou tão fã de Manowar. No entanto, o fato de eles terem cancelado fez com que o buraco do show deles fosse tapado com mais um show do Sabaton. 2X Sabaton, uma noite seguida da outra, foi meio torturante para mim que sou ainda menos fã deles do que do Manowar. Mas enfim, pra quem é fã, certamente foi motivo de muita alegria.

Sem tempo para o Valley (mas não propositalmente!)

Por fim, não tive muito tempo para conferir as atrações que rolaram no Valley, palco que tem uma pegada stoner que adoro, inclusive. Mas com este palco os clashes foram ainda maiores. Assim, fiz um esforço para curtir parte da apresentação da Cult Of Luna, o que compensou bastante, e também da Acid King. No entanto, sinto que preciso ver um show de ambas as bandas quando estiver menos cansada.

Hellfest 2019 foi mesmo amor à segunda vista?

O Hellfest cresceu e apareceu ainda mais. De 45 mil pessoas, passou a ter 60 mil por dia. Por isso, mesmo que ainda tenha havido melhorias na estrutura, é preciso dizer que nem tudo foram flores neste segundo enlace amoroso.

Por exemplo, nas últimas horas de cada dia, muitas torneiras de água estavam secas em alguns pontos. Além disso, até na área vip o papel higiênico estava sem reposição. Sem contar as enormes filas e tempo de espera para ir ao banheiro na área de shows. E ainda que o sistema cashless agilize muito as coisas, ainda sim havia um pouco de tumulto para comprar comida e bebida – principalmente no sábado, dia em que o festival estava visivelmente mais cheio.
Também faltou bebida e comida em alguns pontos nas últimas horas do festival. Mas enfim, são pontos que ainda podem ser melhorados pela organização. E a gente espera que o façam para as próximas edições.

Embora tudo isso cause certo impacto, é preciso reconhecer que o Hellfest deu um salto de qualidade em várias direções. Por isso, sim, é amor à segunda vista, até que o próximo festival mais legal nos separe, rsrsrs.

hellfest 2019

Hellfest 2019. Ph: JDMK

 

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Gracielle Fonseca

Não faço nada na vida sem paixão. Tanto que, pra me formar em Jornalismo, tive que fazer um TCC sobre metal, o Ruído das Minas: a origem do heavy metal em BH. Também decidi que faria o primeiro documentário no mundo sobre Mulheres no Metal, o Women in Metal, e fiz. Comecei a ir em festivais de metal internacionais em 2009. Desde então, viajar em busca da música, essa outra paixão, tornou-se um projeto profissional que hoje chamamos de Festivalando.

6 comments

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  1. José Paulo Gallego de Carvalho 28 junho, 2019 at 22:09 Responder

    Estive no Hellfest pela primeira vez em 2019, e, agora, de volta ao Brasil, começo a sentir o que tudo significou!!! Transitei por muito mais tempo entre o Altar e o Temple, meus preferidos… rsrsrs, mas Adorei tudo, Obrigado Festivalando!!!

    • Gracielle Fonseca 30 junho, 2019 at 10:43 Responder

      Que demais, José Paulo! Também achei que essa edição do Hellfest foi muito foda! Fico feliz que você tenha tido as mesmas impressões e que a gente tenha ajudado você nessa viagem \m/. Beijão!

  2. Vinícius da Silva Paiva 1 julho, 2019 at 08:56 Responder

    Eu e minha esposa estivemos na edição de 2018 e foi incrível, nosso primeiro festival europeu de metal. Em 2020 será o Wacken!!!

  3. Paulo Marcelo 3 julho, 2019 at 11:49 Responder

    Eu nunca fui ao hellfest, mas sempre assisto a live stream, só uma dúvida, o som dos palcos não coincidem um com o outro? tipo mainstage-temple ou altar- valley que são bem pertos um do outro já que a área do festival é “pequena”. Bela resenha e obrigado festivalando!!!

    • Gracielle Fonseca 3 julho, 2019 at 16:04 Responder

      Olá, Paulo! Tudo bem? Muito obrigada pelo seu comentário e pelo elogio =). Sua dúvida é super pertinente. Eu também tinha ela antes de estar em festivais assim. Mas respondendo: não, não coincide. A galera faz estudos de engenharia de som para que isso funcione bem. No enanto, é claro que quando você está em áreas intermediárias, tipo, a uma determinada distância do palco principal e quase perto do temple, aí é uma confusão sonora horrível. Mas à medida em que você está dentro de uma área razoável de abrangência de cada palco, tudo fica tranquilo. Por exemplo, nunca escutei interferência do som do mainstage lá no temple quando eu estava totalmente dentro do temple, mesmo que em lugares mais atrás no público. Agora, quando você sai um pouco do temple, como te disse, vai embolar um pouco com o que tá rolando lá fora.E não rolam shows no temple e altar ao mesmo tempo, pois eles são de fato “parede com parede”, bem colados. Beijão!

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