Knotfest FranceKnotfest France. Ph: JDMK

Como foi o Knotfest France 2019

Ao chegar em Clisson, a única coisa que nos fazia entender que ali também ocorreria o Knotfest foram as placas da triagem de voucher e troca de pulseira e um banner de frente para a “Catedral”, ou entrada principal da área de palcos do Hellfest. Além disso, os copos para bebidas normalmente grafados somente com Hellfest também tinham algo pra lembrar da dobradinha de festivais. E é claro, de uma forma ou outra, a presença do Slipknot e das bandas com quem saem em turnê pelo festival, também. Então, de uma certa maneira, ao te contar como foi o Knofest France 2019 eu vou te falar, na verdade, sobre como foi um dia “plus” do Hellfest, ou o preâmbulo/aquecimento para o festival.

Knotfest france

Knotfest France. Ph: Nicko Guihal / Divulgação

Knotfest France 2019

Knotfest é um festival originalmente americano, fundado em 2012 pela banda Slipknot. Em 2019, o Knotfest resolveu colar com o Hellfest Open Air, realizando o primeiro Knotfest France, no dia 20 de junho. A princípio, pensávamos que muita gente iria pegar carona em um festival ou outro para comparecer em todos os dias. No entanto, não foi bem assim. Apesar de ter havido um grande gargalo com a chegada de pessoas para se instalar nos campings dentro e ao redor do local do festival, a presença do público dentro do festival mesmo não foi tão grande. De acordo com a assessoria do festival, 37 mil compareceram ao knotfest, enquanto há a estimativa de 60mil pessoas por dia no Hellfest. Assim, durante o Knotfest era possível circular de maneira bem tranquila, mesmo que a área do festival tenha sido resumida aos dois palcos prinicpais, os únicos na ativa para o Knotfest.

Slipknot foi headliner, mas outros roubaram a cena

Parece que os dois palcos principais tiveram escolhas bem claras e direcionamento de públicos bem diferentes: um com uma pegada melódica dentro de vários subgêneros (death, power metal e symphonic) – exceto pelo black metal do Behemoth que estava por ali de bobs; e outro palco dedicado ao metal mais moderno e pesado – que muita gente chama de new metal, em sintonia com o que faz o próprio Slipknot.

No entanto, ainda que para a gente esta pegada seja mais clara e as divisões façam mais sentido, o público europeu, e o francês em particular, não funcionam exatamente assim. Ninguém fica preso a regras invisíveis do que escutar ou não. Curtiu black metal? Foi conferir! Curtiu new metal, foi curtir também.

Lineup de peso

Apesar de o Slipknot ter feito um grande espetáculo, é incrível o potencial que os suecos do Amon Amarth têm de roubar a cena em festivais. Existe um público muito fiel e que se comove muito com as temáticas vikings. Portanto, o show deles no Knotfest não deixou de chamar essa galera toda pro mosh que toda vez é transformado em campo de batalha de Midgard. Além deles, Rob Zombie e Ministry também merecem várias estrelinhas por terem feito uma ótima lição de casa.

Já os demais, alguns perdi enquanto estava em uma fila de carros, outros enquanto dava uma conferida na área do festival e comia. Mas é preciso confessar que alguns eu de fato evitei. Por exemplo, não tenho a menor paciência para Sabaton ( me desculpem os fãs, entendo que há uma base grande e tal). Mas não me castiguem com comentários maldosos, pois já tive o que mereço: teve bis sabatônico em pleno primeiro dia real oficial de Hellfest. Rolou repeteco pra tapar o buraco do Manowar, que simplesmente não se apresentou, mesmo estando na área (o que para mim também é indiferente, já que acho esses caras outra banda pedante pra kct).

Knotfest brilhou de carona com o Hellfest

Não se sabe dizer quais são os termos dessa parceria ou quem sai ganhando dela, pois é coisa bem restrita ao mundo dos negócios dos festivais de música. Mas, em princípio, parece que o Knotfest ganha muito, pois saiu muito bem na fita nesta edição francesa. Afinal, teve toda a sua existência vinculada ao Hellfest, festival que só teve melhorias para este ano. No entanto, a imagem do próprio Knotfest ficou pouco trabalhada em termos visuais e tal. Mas aí é um assunto pros caras do marketing deles resolverem lá.

Estrutura

Sem dúvida, o sucesso do Knotfest France não seria possível sem a mega estrutura do Hellfest. Apesar de eu ter revisado a estrutura do Hellfest 2015, vai ser necessário fazer outra versão pra 2019, pois houve um enorme salto de qualidade e atenção a vários itens os quais eu já tinha dado bronca. Será que eles me leram? Meu crush me nota? Hahaha.

Mas já vou dar alguns spoilers: houve uma melhoria bem grande com relação aos espaços de descanso e alimentação, além do destaque muito especial à aquisição de telões muito maiores e mais nítidos!

Na chegada ao festival, havia fila normal para trocar as pulseiras e entrar na área de shows, com fluxo relativamente rápido. No entanto, fila de verdade enfrentaram mesmo as pessoas que foram ao Knotfest de carro, como eu. Pois houve muito engarrafamento, pouca gente para ordenar o trânsito ou fornecer informações sobre o tempo de espera, ou mesmo para distribuir o fluxo por outras vias.

Knotfest france

Knotfest France. Ph: Nicko Guihal / Divulgação

Faltou um pouquinho de informação

Apesar de terem cartazes, websites, redes sociais e eventos na internet separados, ainda rolou muita confusão com relação ao Knotfest e Hellfest. Parece que os franceses pensaram que muitas coisas estariam subentendidas, assumindo que muita gente que iria ao Knotfest já teria o lido o F.A.Q do Hellfest e tal. Porém, não foi bem assim.

Por exemplo, um dos pontos que achei mais complexos foi a falta de informação sobre o shuttle. Não sabíamos previamente se o shuttle do Hellfest também funcionaria no dia de Knotfest, pois no F.A.Q do Knotfest não havia menção a isso – e sim, funcionou dentro do esquema Hellfest.

A informação sobre o camping foi a única de fato presente no F.A.Q de ambos os festivais. Ainda sim, muita gente achou que tinha que acampar do lado de fora do camping oficial do Hellfest. Também teve um desencontro sobre horário de abertura dos portões: em alguns lugares dizia às 16h e outros às 16h30.

A primeira impressão é a que fica (mas ela é do novo Hellfest)

Tive uma ótima experiência no Knotfest France, mas não senti que de fato estava no Knotfest. Na verdade, o tempo todo era impossível desvincular o festival do Hellfest. Para nós aqui no Festivalando, festival é muito mais do que um lineup. Festival é uma experiência sensorial e estética que vai além das bandas.

Por isso, importa a decoração, importa o tipo de comida, o chão, as árvores presentes ou não, o que há para fazer além da música e etc. Então, pensando nisso, o Knotfest não ofereceu nada além de um “dia extra” de bandas para o Hellfest.

Assim, acho que ainda precisamos colocar o Knotfest original como meta para de fato avaliar o festival como deve ser.

knotfest france

Ph: JDMK

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Gracielle Fonseca

Não faço nada na vida sem paixão. Tanto que, pra me formar em Jornalismo, tive que fazer um TCC sobre metal, o Ruído das Minas: a origem do heavy metal em BH. Também decidi que faria o primeiro documentário no mundo sobre Mulheres no Metal, o Women in Metal, e fiz. Comecei a ir em festivais de metal internacionais em 2009. Desde então, viajar em busca da música, essa outra paixão, tornou-se um projeto profissional que hoje chamamos de Festivalando.

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