preparar para o glastonbury volta dos festivaisAndrew Allcok/Glastonbury/Divulgação

Glastonbury, Hellfest, Rock in Rio e três jeitos de lidar com a (não) volta dos festivais

No espaço de pouco mais de uma semana, vimos três mega festivais se posicionarem firmemente sobre seu (im?)possível retorno em 2021: Glastonbury, Hellfest e Rock in Rio.

Mais que isso, foram três posicionamentos completamente diferentes. Enquanto o Glastonbury jogou a toalha de cara, o Hellfest partiu para a briga com o governo francês e o Rock in Rio se cobriu de um otimismo mais raro que espaço na grade de um show da Lady Gaga.

A complexidade por trás da organização de festivais tão grandes como estes e a complexidade maior ainda da situação que a gente vive no momento pode explicar respostas tão diferentes.

Na sequência, detalhes e explicações sobre a posição de cada um desses festivais e também um pouco de contexto sobre as perspectivas (ou não) de vacinação nos países onde eles ocorrem.

Glastonbury: o realista precavido

Curto e grosso, pra evitar mais dor, o Glastonbury cancelou no último dia 21 de janeiro sua edição que ocorreria no próximo mês de junho.

As incertezas trazidas pela pandemia e as muitas mudanças de cenário – às vezes diárias, fizeram a organização concluir que simplesmente não seria possível realizar o festival neste ano.

Além disso, Michael Eavis, o fundador do Glasto, e sua filha Emily Eavis, hoje à frente da organização, disseram ao The Guardian que antecipar o cancelamento para janeiro, em vez de aguardar mais uns meses, foi uma forma de proteger o festival contra eventuais prejuízos financeiros. Quanto mais tarde viesse o cancelamento, mais dinheiro haveria sido gasto no tempo decorrido.

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E quais são as perspectivas de imunização no Reino Unido?

O plano mais recente do governo, segundo o secretário de estado do Reino Unido, Dominic Raab, é vacinar a população adulta até setembro.

À NME, o pesquisador de saúde global da Universidade de Southampton, Michael Head, disse que com 50% ou 60% da população vacinada até agosto ou setembro, seria possível retomar eventos com público maior.

Porém, ressaltou que “se está planejando algo muito grande como o Glastonbury, eu provavelmente esperaria até o ano que vem, certamente”.

Festivais menores ainda estão confiantes por lá de que ainda poderão acontecer em algum momento ainda este ano, com base nas perspectivas de vacinação.

Também se apoiam no fato de que, por serem menores, precisam de uma janela menor para se organizarem e correm riscos menores, na comparação com um evento do porte do Glastonbury. Por isso, podem esperar mais alguns meses até tomarem a decisão final.

Hellfest: o kamikaze que faz pressão

Com a cara, a coragem e um monte de ressalvas, o Hellfest afirmou que segue trabalhando em sua edição 2021, em junho.

No entanto, o festival não disse que vai acontecer e sim que precisa de garantias para ter certeza que poderá acontecer.

Ben Barbaud, fundador do Hellfest, mostrou estar bem ciente de todos os riscos envolvidos e disse estar pessimista, principalmente após o cancelamento do Glastonbury.

Mas ele ainda aposta na pressão sobre o governo francês para conseguir o mais rápido possível o sinal verde para seguir em frente.

Em um vídeo postado pelo próprio Hellfest, Barbaud cita uma declaração da ministra da cultura francesa, Roselyne Bachelot, dada no último dia 5 de janeiro, segundo a qual os festivais poderão acontecer neste verão.

O Hellfest também escreveu uma longa carta endereçada a Bachelot, formalizando todas as cobranças e propondo algumas soluções, como testes rápidos combinados com a vacinação, mas ainda não obteve resposta.

Barbaud cobra um posicionamento imediato do governo porque, segundo ele, a palavra final das autoridades dará segurança para que o evento seja cancelado sem incorrer em prejuízos financeiros, principalmente com os artistas que já estão em negociação com o Hellfest.

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E quais são as perspectivas de imunização na França?

O ministro da Saúde da francês, Olivier Verán, disse que, em uma projeção otimista, em condições nas quais todas as vacinas encomendadas pela França sejam aprovadas e liberadas para uso no país, toda a população poderá estar vacinada até o fim de agosto.

No mesmo planejamento, até o fim de junho, quando aconteceria o Hellfest, o objetivo é de já ter vacinado 43 milhões de franceses, o equivalente a aproximadamente 60% da população.

Os grupos menos vulneráveis devem começar a ser vacinados a partir de março, desde que seja cumprido o planejamento original.

Rock in Rio: o otimista da realidade paralela

Sem a dose de realismo que sobrou ao Glastonbury e sem o pessimismo do Hellfest, mas com um otimismo que não dá para saber onde se encontra neste início de ano (bem diferente de setembro do ano passado, quando começaram as divulgações sobre o festival), o Rock in Rio afirmou no último dia 26 que confirma sua edição para o fim de setembro de 2021.

O comunicado do festival fala em esperança e no “progresso das vacinas” e, com isso, justifica o posicionamento de seguir confiante com os preparativos para o evento.

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E quais são as perspectivas de imunização no Brasil?

Aqui vocês já sabem, né? As perspectivas não são das melhores. Além de o Brasil ter largado atrás na vacinação, ela não acontece na velocidade necessária.

Indisponibilidade de doses, atraso em entregas, dependência da China para início da produção local (o Ingrediente Farmacêutico Ativo usado na fabricação da Coronovac e na vacina de Oxford vem de lá), fura-filas e todo o desgoverno travam o processo.

Mais que isso, o plano (?) de vacinação é vago com relação a prazos para vacinação da população e indica intervalos de tempo superiores ao desejado.

O documento, que está no site do Ministério da Saúde para todo mundo ver, prevê que “os grupos de maior risco para agravamento e de maior exposição ao vírus estariam vacinados ainda no primeiro semestre de 2021. O Ministério da Saúde estima que no período de doze meses, posterior à fase inicial, concluirá a vacinação da população em geral”.

Há até uma estimativa bem mais otimista feita pela consultoria científica britânica Airfinity, segundo a qual o Brasil poderia vacinar 75% da população até outubro. No entanto, como o próprio prognóstico deixa claro, este seria o cenário mais perfeito para o país, sem problema algum pelo caminho.

A volta dos festivais ainda é mais incerta do que a gente imaginava

PRAY FOR VACINA. E é isso.

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Sou uma das mães do Festivalando e fiz Paul McCartney falar uai no Mineirão. Só porque eu gosto de música. Nas horas vagas, faço coisas sérias e tento salvar o jornalismo.

2 comments

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  1. Marcio 28 janeiro, 2021 at 09:19 Responder

    O Brasil pode ter começado atrás na questão da vacinação mas não se podia fazer as coisas a toque de caixa como queriam alguns governadores. A ANVISA precisava aprovar (e nos proteger, é claro!) Com pouco tempo já estamos entre os 20 países que mais vacinam no mundo e nossa mídia podre não mostra isso. Apenas bate no governo, sufocada e abstinente das verbas públicas que a sustentavam no passado. Não creio que seja um desgoverno,(termo militante de esquerda) com a devida venia. Pelo contrário. Existem realizações fantásticas (não mostradas) passando pela infraestrutura, ciência e tecnologia até direitos da mulher , família e crianças em situação de risco etc etc. 2 anos sem um escândalo de corrupção nos ministérios(algo inédito!) Gostemos ou não da figura do Bolsonaro, penso que é preciso analisar o governo em si e suas realizações , sobretudo tendo em vista uma pandemia global que assola a todos.
    Enfim, a despeito disso tudo (respeitando seus posicionamentos) espero que as coisas voltem ao normal e possamos curtir nossos bons e velhos festivais. Sucesso e paz!

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