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O Tomorrowland 31.12.20 e uma lição sobre festivais on demand

Eu decidi que iria passar as últimas semanas de 2020 o menor tempo possível conectada e de frente pra uma tela. Por causa disso, deixei para acompanhar o Tomorrowland 31.12.2020 dias depois da virada do ano, aproveitando o recurso on demand, essa maravilha que chegou ao mundo dos festivais com um empurrãozinho da pandemia.

Oh, wait!

As palavras maravilha e pandemia não fazem o menor sentido numa frase, e eu sabia disso quando decidi incluir os festivais on demand no meio e assistir o Tomorrowland 31.12.2020 dias depois do evento em si.

Uma lição sobre os festivais on demand

Ver shows de um festival na hora que eu escolhi, no dia que eu escolhi, no melhor momento pra mim. O que poderia dar errado? Resposta: o fato de festivais não serem como uma série que você maratona depois que todo mundo já falou sobre ela e ainda assim consegue sentir a mesma emoção.

Festivais são experiências coletivas e simultâneas. Presenciais também, obviamente, num mundo (hoje quase utópico) sem pandemia.

Mas, mesmo quando o encontro físico não é possível e a única coisa que resta é uma tela de computador ou de celular, eles continuam fazendo sentido se forem compartilhados simultaneamente.

Até mesmo se os shows foram gravados, como foi o caso do Tomorrowland em suas duas edições virtuais (31.12.2020 e Around The World), o fato de você saber que tem mais gente assistindo aquilo ao mesmo tempo que você e comentando nas redes faz toda diferença pra experiência final ter algum sentido.

E foi essa diferença que eu senti comparando esse momento de agora com o fim de semana do Around The World.

O Tomorrowland não tem nada a ver com isso

É claro que a experiência vazia que eu tive tem a ver com a minha escolha e não com o que foi entregue nesta edição do Tomorrowland. A equipe do festival manteve o nível do que já tinha sido feito em julho e soube adequar bem o conceito para o momento.

Desta vez, tínhamos um festival noturno, meio com jeito de balada, e a ambientação dos palcos e do ambiente de NAOZ como um todo (o mundo de entretenimento digital criado pelo Tomorrowland) conversavam bem com isso.

O resultado foi uma audiência de 151 países, mais de 20 horas de música (somados todos os palcos) e um bocado de IDs (65 mais precisamente). Ah, e uma profusão de “Dreams”, do Fleetwood Mac em vários sets, reforçando hit improvável do ano sem noção que foi 2020.

Nada contra os festivais on demand

Veja bem, saí disso tudo com a conclusão de que assistir um festival exclusivamente on demand não é a melhor experiência, mas não quer dizer que o recurso on demand seja dispensável. Muito pelo contrário!

Voltar pra casa depois de um festival e ficar vendo e revendo eternamente vídeos dos shows que você mais gostou. Quem nunca? E esse é o ponto da questão.

A gente sempre vai querer reviver um momento bom e o material on demand supre muito bem essa necessidade. Afinal, qualquer hora é hora de relembrar uma experiência única.

Mas uma experiência única, como um festival, não acontece a qualquer hora e de qualquer jeito. Tem que ser junto dos outros, esteja a gente fisicamente perto ou virtualmente longe.

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Sou uma das mães do Festivalando e fiz Paul McCartney falar uai no Mineirão. Só porque eu gosto de música. Nas horas vagas, faço coisas sérias e tento salvar o jornalismo.

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