festivais testeAranxa Esteve/Unsplash

Os festivais teste e a pontinha de esperança que vem da Holanda

Finalmente, os festivais vão passar por um experimento científico para determinar se há possibilidade – ou não – de um evento desse tipo em um cenário de pandemia. Nos próximos dias 13 e 14 de março, o projeto holandês Back To Live, uma iniciativa conjunta de organizadores de eventos e do governo local, vai realizar dois festivais teste para avaliar medidas de segurança e de contenção de riscos em festivais de música.

O experimento é motivo de, no mínimo, alguma esperança para os festivais. Até o momento, os shows teste realizados por pesquisadores não simularam de fato o ambiente de um festival típico, ao ar livre.

Mesmo tendo apresentado resultados animadores, dois destes principais eventos piloto, o PRIMA-Cov (Espanha) e o Restart-19 (Alemanha), foram realizados em ambientes fechados. O estudo espanhol chegou um pouco perto do ambiente de um festival no quesito público em pé e ausência de distanciamento, enquanto o experimento alemão foi realizado com público sentado e distanciamento.

Os festivais teste do Back to Live

O Back to Live vai realizar dois festivais para 1.500 pessoas cada em ambiente aberto e com livre circulação do público, no mesmo local onde acontece o Lowlands e o Defqon.1, dois dos principais festivais do verão holandês.

O objetivo dos cientistas é construir um modelo de gestão de riscos com base na análise do comportamento do público, soluções de triagem e rastreamento de contatos, testagem rápida, controle de qualidade do ar, dinâmica do evento, medidas de higiene pessoais, higiene de superfícies e presença de grupos vulneráveis.

Além dos dois festivais, outros dois shows teste em arena fechada serão realizados pelo Back to Live nos dias 6 e 7 de março. Outros eventos piloto conduzidos pelo projeto incluem uma conferência de negócios e partidas de futebol.

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Vem aí… Na Dinamarca

O projeto Dansk Live, outra iniciativa europeia voltada para a retomada dos eventos com público presencial, também vai simular um festival. Este será o terceiro de uma série de três experimentos dos dinamarqueses.

O primeiro deles será uma partida de futebol com 30 mil pessoas na torcida e o segundo, a simulação de uma conferência de negócios sem distanciamento. Os resultados destas duas primeiras fases do estudo vão definir o modelo que será aplicado para realizar o festival teste.

E no Reino Unido e em Portugal também

O primeiro ministro do Reino Unido, Boris Johnson, anunciou um plano de relaxamento do lockdown que prevê, dentre uma série de medidas, a realização de eventos piloto a partir de abril.

Dependendo dos resultados, festivais de música e outros eventos de grande porte poderiam voltar a ser realizados sem restrição de público e sem exigências de distanciamento a partir do dia 21 de junho, a quarta e última fase do plano de retomada das atividades.

É importante lembrar que o Reino Unido chega ao fim de fevereiro com 25% da população vacinada e a expectativa de atingir toda a população até o fim de julho, antes do previsto inicialmente.

Em Portugal, a Associação Portuguesa de Festivais de Música e outras associações de produtores de eventos criaram um grupo de trabalho em parceria com o governo para o desenvolvimento de eventos teste. Uma das propostas iniciais é fazer dois eventos piloto, um em Lisboa e outro no Porto, com testagem de público.

Enquanto isso, a realidade ainda é difícil

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Ainda sem uma resposta da ciência sobre os festivais e com a vacinação em andamento paralelamente ao controle da pandemia, a incerteza ainda define o momento. De todos os países europeus com uma forte cena de festivais, somente a França já bateu o martelo sobre a temporada do verão 2021.

Por lá, os festivais poderão acontecer neste ano, mas com limite de cinco mil pessoas sentadas.

Depois de uma queda de braço com o governo, o Hellfest optou por cancelar a edição 2021, mas o tradicional Vieilles Charrues decidiu se adaptar e vai seguir as regras do governo para realizar uma série de dez shows em julho.

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Tags covid-19

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Sou uma das mães do Festivalando e fiz Paul McCartney falar uai no Mineirão. Só porque eu gosto de música. Nas horas vagas, faço coisas sérias e tento salvar o jornalismo.

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