comida em festival Copenhell/Divulgação

Comida em festival: um guia para os festivais tomarem jeito

É normal por aqui no Festivalando a gente fazer guias pra quem vai a festivais, mas desta vez foi necessário inverter o pólo da orientação. Desta vez, o guia vai para os festivais acertarem o passo quando o assunto é comida em festival.

A história de como aconteceu essa inversão é a seguinte: a leitora Louyse Damázio sugeriu escrever sobre sugestões de como se virar sendo vegana ou vegetariana em festival.

Pensa daqui, pesquisa dali e basicamente há duas coisas que podem ser feitas:

1. Levar os seus próprios lanches, adaptados às restrições da dieta alimentar
2. Pesquisar antecipadamente sobre as opções de comida e bebida à venda no festival para saber se vai ser possível consumir algo lá dentro

O problema é que de nada adianta fazer isso se os festivais não dão condições para tanto. E aplicando a questão para outros tipos de restrições alimentares, voluntárias ou não, e até para direitos garantidos por lei que não têm nada a ver com escolhas alimentares, fica claro que o “outro lado” precisa colaborar minimamente quando o assunto é comida em festival.

Sendo assim, caríssimos festivais:

Deixem as pessoas entrar com comida. Sempre.

Proibir a entrada de alimentos em eventos contraria o Código de Defesa do Consumidor. Ponto. Isso já deveria ser razão o suficiente pra que qualquer pessoa pudesse entrar com alimentos em um festival. Mas, fora a garantia de direitos do consumidor, é preciso respeitar outros aspectos.

É uma forma de atender a quem adota dietas (vegetariana) ou filosofias (veganismo) específicas. É também uma maneira de não prejudicar quem, sem opção, sofre de alergias ou intolerâncias alimentares ou tem restrições temporárias na dieta por alguma condição de saúde.

“Ah, não deixamos entrar com alimentos, mas a nossa praça de alimentação vai ter opções pra todo mundo!” (já ouvi esse argumento de festival que eu fui aqui no Brasil). Sinceramente, não dá pra saber se as suas opções vão servir pra todo mundo, meu caro festival.

Por exemplo, hoje existem pelo menos 170 alimentos que conhecidamente causam alergias. Há condições muito específicas que nem 30 food trucks e 50 chefs podem ser capazes de resolver – até porque quantidade não necessariamente corresponde a variedade e diversidade.

E, acima de tudo, cada um é quem sabe dizer por si o que pode e o que quer comer.

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Se o lineup gastronômico é um destaque da programação, faça uma divulgação completa

As atrações gastronômicas hoje são quase tão importantes quanto as atrações musicais, principalmente nos festivais maiores e mais bem estruturados. Tanto que muitos deles adoram fazer um carnaval em cima disso com divulgação especial das opções de alimentação, por exemplo.

Pois bem, façam o serviço de informação completo. Divulgar somente o nome dos estabelecimentos presentes não ajuda ninguém – ninguém MESMO, nem quem come toda e qualquer coisa nem quem tem super restrições. O que ajuda é divulgar o cardápio que será servido, porque afinal de contas é isso o que a gente vai comer, né não?

Melhor ainda se vier com sinalizações da composição (vegano, vegetariano, glúten, etc). Gente, não é difícil! Os cardápios dos estabelecimentos que são selecionados para os festivais já são assim normalmente nos pontos físicos. É só fazer um repasse de informação.

Com esses dados prévios, quem quiser ou precisar se programar de antemão, vai poder decidir se consumir alimentos lá dentro vai ser viável e/ou interessante (sempre supondo que no mundo ideal entrar como comida é uma opção, néam?).

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Divulguem os preços antes (pedindo demais sem vergonha nenhuma na cara)

Agora esse guia foi longe demais, porque pedir para os festivais divulgarem preços de alimentos e bebidas antecipadamente é quase como pedir para um técnico revelar estratégia na véspera de uma final decisiva. São poucos os que fazem isso, e às vezes o fazem só pra deixar a gente pistola (alôu Popload cobrando preços diferentes na pista premium e pista comum, tudo bem com você?).

Mas, por piores que sejam os preços estampados no cardápio, saber isso de antemão é fundamental para o planejamento. Com festivais cada vez mais caros, e com tanta gente se deslocando de longe, fazendo viagens para participar de festivais, os gastos dentro do evento também entram no planejamento financeiro. Colaborem.

Pela atenção, obrigada.

Ainda cri-cri: confira os dramas, erros e acertos dos festivais quando o assunto é comida

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Tags comida

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Sou uma das mães do Festivalando e fiz Paul McCartney falar uai no Mineirão. Só porque eu gosto de música. Nas horas vagas, faço coisas sérias e tento salvar o jornalismo.

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