budapesteFotos Gracielle Fonseca e Priscila Brito

Turismo à noite: uma experiência em Budapeste

Praticamente de maneira involuntária e automática, é durante o dia que a gente sai para visitar os pontos turísticos de uma cidade, não é mesmo? Mas numa sequência nada planejada de passeios junto com a Gra lá em Budapeste, na Hungria, eu percebi que turistar à noite pelos cartões postais de uma cidade pode ser uma alternativa surpreendente para se conhecer um lugar. É uma outra beleza que se vê, numa experiência com um jeitão muito mais exploratório – meio outsider, meio misterioso, com a cidade mais vazia e silenciosa, como se aquilo tudo estivesse ali só pra você.

Era o último dia do Sziget Festival e eu e a Gra já havíamos decidido no dia anterior que simplesmente não iríamos desperdiçar mais um dia no festival depois de tantos aborrecimentos que tivemos, a maioria deles em função de falhas da organização. Era hora de aproveitar Budapeste (até então só tínhamos tido tempo para o Sziget), e a cidade pedia isso, pois, além de linda, a capital da Hungria não tinha nada a ver com as trapalhadas do festival.

De manhã fomos ao Sympla tomar café e à tarde fomos ver qual era o borogodó das famosas piscinas térmicas do Hotel Gellért (uma delícia a água quentinha, mas minha pele saiu incrivelmente ressecada de uma tarde banhada nessas águas). A noite chegou e o senso comum sugeriria que fôssemos para um restaurante, um bar ou algum outro passeio com mais cara de noturno pra ver qual era a cara da ~night~ de Budapeste.

Só que eu e Gra estávamos ávidas para ver a Budapeste turística, e em seis dias na cidade simplesmente não havíamos tido tempo pra isso ainda. Até que veio a ideia de irmos dar um passeio no Parlamento e naqueles arredores do Danúbio, que até então só tínhamos namorado de longe no trajeto de ida e volta do Sziget.

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Como cartão postal da cidade que é, o parlamento estava pronto para nos receber, mesmo à noite. Quer dizer, não estava pronto do ponto de vista tradicional porque lá pelas oito, nove da noite ele não estava aberto para visitação. Mas estava pronto de um outro jeito: todo iluminado, com uma outra atmosfera, coberto por uma misteriosa revoada de pássaros. Havia alguns poucos turistas noturnos como nós. Nada de frenesi, de bololô, de gente involuntariamente enfeitando a cena na sua foto. Muito sossego e muito espaço para contemplação.

Ainda caminhamos pela margem do Danúbio, vimos algumas das pontes que cortam o rio lindamente iluminadas e o Castelo de Buda na margem oposta. Todos devidamente destacados na paisagem noturna da cidade, como se a luz sobre eles fosse um filtro para colocá-los em relevo em meio ao breu.

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É claro que há alguns poréns nessa aventura noturna, como a carência de fotos boas caso sua máquina não seja uma Brastemp, ou se deparar com lugares fechados (o que pode ser um problema caso você não se contente em visitar os lugares só por fora). Além disso, nem toda cidade pode realmente ser um espetáculo à noite e em algumas delas a noite talvez não seja o momento mais seguro para você andar na rua – mas este não era o caso de Budapeste.

Sendo assim, fica a sugestão para trocar o dia pela noite de vez em quando. Viajar é, em partes, sair da rotina, e turistar à noite pode ser uma forma de fugir da própria rotina típica das viagens em geral. Com outro foco, boas surpresas podem te esperar pelo caminho.

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora também coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Além de uma das mães do Festivalando, sou colaboradora da Mixmag e do Brasil Post e autora do Porque eu gosto de música. Também ajudei Paul McCartney a falar uai em pleno Mineirão.

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