I Hate Flash/Esper/Divulgação

Quatro desejos para o Lollapalooza Brasil 2015

Falta pouco mais de um mês para o Lollapalooza Brasil, que acontece nos dias 28 e 29 de março no autódromo de Interlagos, em São Paulo, e há mais expectativas para se alimentar em relação ao festival do que simplesmente a divulgação dos horários dos shows e as divisões por palco. O Lolla é lindo, mas tem lá seus problemas que ameaçam uma experiência 100%. A organização andou prometendo corrigir alguns deles, não disse nada sobre outros e ainda há aqueles que só as circunstâncias do dia podem resolver. Na esperança de dias (ainda) melhores para o Lolla, segue uma breve lista de expectativas que eu espero que virem realidade nos dias em que Pharrell, Jack White e cia forem se apresentar pra gente aqui no Brasil:

Menos andança

I Hate Flash/Lolapalooza BR

I Hate Flash/Lolapalooza BR

Lá em setembro do ano passado o diretor artístico da Time For Fun, Alexandre Faria, fez uma promessa dias antes da abertura da bilheteria do festival (só pra gente ficar empolgado e sair correndo pra comprar ingressos): vão ser feitas melhorias na circulação do público em Interlagos. Segundo ele, serão retirados alguns guard rails (aquelas muretas metálicas típicas das pistas de automobilismo), principalmente entre os palcos Skol e Ônix, com a finalidade de ampliar as passagens e o espaço para o público. Espero que isso também ajude a criar atalhos que atenuem as grandes distâncias entre os palcos (700 metros entre os palcos Skol e Ônix e 2,5 quilômetros (!!!) entre os palcos Ônix e Interlagos).

Andar muito a pé pode não ser exatamente um problema para muita gente (pra mim não é), mas caminhadas tão longas assim podem limitar seriamente a experiência do festival de quem tem alguma limitação de mobilidade. Além disso, acho que é um problema para todo mundo ter que abandonar um show bom bem antes do fim só para conseguir chegar a tempo em outro, situação muito comum em um festival que tem horários de shows tão apertados e tantos conflitos de horário como o Lolla.

Mais sonzeira

I Hate Flash/Lollapalooza BR

I Hate Flash/Lollapalooza BR

Outra promessa do diretor artístico da produtora responsável pelo Lolla foi a melhoria da potência do som. Na entrevista de Faria divulgada pela organização, essa questão foi colocada como uma das “preocupações principais” do festival. Que bom. Vejo pelas redes sociais gente reclamando do som baixo nos shows do Lolla desde as primeiras edições. Eu, particularmente, me lembro de como foi minguado o áudio do show do Black Keys, em 2013, quando o festival ainda era no Jockey.

O lugar do evento mudou, mas o volume do som, não. Destaquei aqui como o som nos palcos Skol e Ônix, lá em Interlagos, só era realmente bom para quem estava muito perto dos mesmos. Nas laterais, inclusive nas “arquibancadas naturais” (uma característica natural do relevo do autódromo que de um jeito bem legal foi destacada pela produção e apropriada pelo público), o som era distante e abafado, e até uma conversa do seu lado era capaz de atrapalhar um show que é para ser naturalmente estridente, como o do Muse, grande atração do Lolla no ano passado.

Que a promessa se cumpra, pois um festival que vai receber um show de Jack White não pode ter um palco com volume de música em sala de espera de consultório.

Menos corrida para o metrô

Assim como os problemas com o som, os problemas com o metrô (e trem, com a mudança para Interlagos) têm melado o Lolla de muita gente desde as primeiras edições. Neste caso, o que pega é o pouco tempo disponível para utilizar o metrô depois que se encerra o último show. A organização faz o que pode lá dentro e é pontualíssima na realização dos shows, mas a distância que o público tem que andar do Autódromo até a estação da CPTM, somada ao não prolongamento do horário de funcionamento do metrô já deixou muito gente na rua em Lollas anteriores. Quem, por direito, quer ver o último show até o fim tem normalmente meia hora para andar 1,5 quilômetro do Autódromo até a estação, pegar o trem e fazer as transferências, quando necessário.

Sobre esse aspecto não houve nenhum pronunciamento da organização até agora, mas fica a corrente de oração para que neste ano seja diferente (porque este parece ser um caso que só fé e milagre resolverão). Na dúvida, reze para os dois lados: para que a organização tenha disposição para brigar e bancar a ampliação do horário de funcionamento dos trens e metrô e para que a CPTM e outros responsáveis pela administração do transporte tenham disposição para colaborar.

Mais tempo bom

Raul Aragão/I Hate Flash

Raul Aragão/I Hate Flash

Povo de São Paulo, a necessidade de chuva é gritante, mas vamos combinar com a Fundação Cacique Cobra Coral de fazer a água cair em cima da Cantareira e passar longe de Interlagos nos dias 28 e 29 de março. O desejo não chega a ser nojinho do lamaçal em potencial em que o autódromo pode se converter em caso de chuva (há quem ache que lama é a cara de festival de música, culpa dos clichês involuntariamente herdados de Woodstock). Mas é um medinho com fundamento derivado dos relatos de shows em Interlagos sob chuva, como o do Iron Maiden, em 2009, quando rolou até alagamento de palco (aqui e aqui). Sem caos, por favor.

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Sou uma das mães do Festivalando e fiz Paul McCartney falar uai no Mineirão. Só porque eu gosto de música. Nas horas vagas, faço coisas sérias e tento salvar o jornalismo.

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