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Quatro coisas para saber antes de ir a Praga

Praga é altamente visitável, recomendável, admirável. Mas tem lá os seus poréns, como qualquer lugar e coisa nesse mundo. Nenhum desses poréns tira a beleza e a validade de uma viagem até a capital da República Tcheca, mas estar ciente deles pode evitar quebras de expectativa muito bruscas, ao meu ver. Só li maravilhas sobre a magia, o mistério, o encanto da cidade antes de ir pra lá. Fui alimentada com tanta perfeição que bobagens muito pequenas viraram motivo de irritação durante os dias que passei lá. Se tivesse chegado lá num clima mais pé no chão, se tivesse lido mais listas sobre coisas para saber antes de ir a Praga, ao invés das inúmeras listas de coisas pra fazer em Praga, talvez tivesse aproveitado mais.

Pode ser que alguém que já tenha visitado a cidade tenha um ponto de vista completamente diferente do que eu vou expor abaixo, o que é natural, mas mesmo assim compartilho algumas impressões que inevitavelmente eu trouxe de lá:

1. A cidade é um formigueiro. De turistas.

É claro que as capitais da Europa são lugares abarrotados de turistas e não seria diferente em Praga. O que há de peculiar nesse caso é que a área da cidade é pequena se comparada com outras cidades (metade da área de Berlim e um quarto da área de Londres, aproximadamente), e as áreas turísticas estão muito próximas entre si. Há poucos pontos de fuga da turistagem na cidade e as ruas são estreitas, o que é lindo do ponto de vista histórico e urbano, porque mantém as características originais do local, mas acaba fazendo parecer que a cidade está mais cheia do que ela realmente está.

coisas para saber antes de ir a Praga

Muvuca! /Foto: Priscila Brito

Contemplar as belezas arquitetônicas da Charles Bridge ou da cidade velha tem um quezinho de corrida de obstáculos. O fato de eu ter ido no verão pode ser um agravante, portanto me pergunto internamente se no outono/inverno, em tese baixa temporada, as coisas são diferentes. Ainda vou arriscar um tour em Praga em tempos de neve. Quem sabe?

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2. Não espere se comunicar o tempo todo em inglês

Não vejo problemas da população em geral não se comunicar no idioma – eles não são obrigados. Mas é surpreendente ver que, por exemplo, funcionários da casa de câmbio instalada na estação de trem central não têm desenvoltura para falar em outra língua – logo eles, que devem receber pessoas aos milhares falando inglês todos os dias.

3. Há um “jeitinho tcheco”

A Gra foi quem notou a existência dessa iguaria comportamental tão conhecida da gente aqui no Brasil. Mas, você sabe, esse maldito jeitinho é como jogar poeira debaixo do tapete, ou seja, ele não resolve os problemas de fato, apenas os disfarça. O jeitinho mais notável na nossa passagem por lá diz respeito a uma gambiarra presente em algumas estações de trem (não de metrô) e também na rodoviária da cidade.

Na ausência de elevadores e escadas rolantes para facilitar a mobilidade, põe-se duas placas de ferro paralelas nas extremidades dos degraus da escada para torná-la uma superfície plana. O problema: a distância entre as duas placas não necessariamente é a mesma distância entre as rodas de uma cadeira de rodas ou de uma mala pesada, o que torna a eficiência da gambiarra uma questão de aleatoriedade. Além disso, a inclinação continua sendo a inclinação projetada para uma escada e não para uma rampa, o que torna o deslocamento sobre essa rampa improvisada um troço meio perigoso, senão complicado.

Outro micro-exemplo do jeitinho: no hotel não havia mapas da cidade em inglês. Aí a moça da recepção ofereceu um mapa em russo no lugar. Tá de brinks?

4. A cidade é bela e você vai amá-la de qualquer jeito

Não tem jeito, eu avisei lá no início: nada consegue apagar a beleza arquitetônica da cidade e o charme daquelas ruelas e das placas com aquelas palavras estranhas escritas com um z que leva acento circunflexo de ponta-cabeça 😛

E, no fim das contas, viajar não é só glamour; tem perrengue, tem mico, tem aborrecimento. A gente só faz de conta que não é assim e tenta se divertir acima de tudo.

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P.S. I love you, Prague (até com gente ~enfeitando~ a minha foto). /Foto: Gracielle Fonseca

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Sou uma das mães do Festivalando e fiz Paul McCartney falar uai no Mineirão. Só porque eu gosto de música. Nas horas vagas, faço coisas sérias e tento salvar o jornalismo.

2 comments

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  1. Guilherme 3 fevereiro, 2015 at 16:47 Responder

    Quando fui à Praga era outono, mas saí de lá com a impressão de que a cidade estava apenas menos cheia do que estaria no verão. A sensação de formigueiro estava lá do mesmo jeito.

    E não me lembro de ter sofrido problemas pra me comunicar em inglês, mas achei que o pessoal lá é bem menos receptivo e solícito do que estamos acostumados no Brasil, e até mesmo que em outros países da Europa.

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