silêncio como se comportar em copenhague

Na Dinamarca, faça silêncio ou sobre como se comportar em Copenhague

Nós, brasileiros, somos um povo muito barulhento. De verdade. A gente fala alto, faz bagunça, fica batucando e não para de falar um minuto. Bom, estou aqui caracterizando talvez um limitado grupo de pessoas ou amigos, nada em específico. Sei que as generalizações são meio ruins, mas é um traço que reconheço em mim e em várias pessoas um monte de vezes. Acho que somos bem expansivos, talvez por conta do clima  que faz o sangue correr com mais intensidade pelas veias e tornar todo sentimento mais intenso. Talvez.  Nossas expressões poucas vezes são comedidas – sim, me incluo perfeitamente nesse padrão hahaha. E, em função disso, passei por experiências aqui nas terras vikings que me fizeram pensar nessa regra/conselho/dica, whatever: na Dinamarca, faça silêncio! É uma das regras de ouro quando se trata de diferenças culturais e para saber como se comportar em Copenhague.

O silêncio aqui é muito valorizado. Não quer dizer que os dinamarqueses não fiquem loucos e não façam festas, gritem, fiquem bêbados e barulhentos. Eles realmente têm hora e lugar para fazer isso. Mas o fato é que, essa é uma das sociedades mais silenciosas com as quais já me deparei. O barulho aqui enche o saco e leva à irritação.

Moro em um prédio com vários apartamentos e nunca, nunca ouvi muitas risadas e conversas nas horas convencionais e, muito menos nas horas não convencionais. E isso acontece direto no Brasil, como sabemos. O silêncio é algo raro nas terras tupiniquins. Sempre há carros, ônibus, crianças brincando, chorando, pessoas discutindo, gritando, rindo, cantando, alegres… fato: somos muitos e fazemos barulho.

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Vagão do silêncio

Aqui na Dinamarca, o silêncio tem até seus espaços institucionalizados. Por exemplo, no S-tog, o trem que corre entre as regiões de Copenhague, existe um vagão exclusivo do silêncio. Eu e meus amigos voltávamos do aeroporto para casa um dia, para logo em seguida seguir para Hamburgo e o Wacken Open Air.

Sentamos no vagão do silêncio. Eu já sabia mas, cansada que estava, não avisei aos que não sabiam. Um deles começou a falar comigo, de forma discreta com voz bem baixa inclusive. Imediatamente levantou-se um senhor e falou bem bravo se não tínhamos visto que aquela era uma zona do silêncio. Eu fiquei olhando estranho para meu amigo, que ficou puto, mas depois entendeu. A gente estava no vagão especial, né?!

silêncio como se comportar em copenhague

Também quando eu e a Pri voltávamos do Roskilde, estávamos bem cansadas e nos sentamos onde foi possível. Mas, quando vimos, era a silent zone( essa da foto acima)… Falando e rindo sobre as peripécias do dia, obviamente fomos interrompidas pela “fiscal” do silêncio do vagão.

Quando falo sobre isso, parece que existe um pouquinho de raivinha, mas na verdade acho muito admirável. As regras, mesmo que mínimas e do cotidiano, devem ser obedecidas. Como há um vagão exclusivo para brincar de “vaca amarela pulou a janela…”, por que você vai ficar igual maritaca nele, né? Evidentemente, nas outras áreas do trem em que a conversa é permitida os excessos são muuuuito repreendidos apenas pelos olhares. Assim como nas ruas, lojas, museus e pontos turísticos de Copenhague. Comportem-se pessoas, comportem-se.

Barraco na sauna

Há alguns meses eu também resolvi ter um dia de princesa na sauna da academia. Lá não existem quaisquer restrições a respeito do barulho. Porém, nesse dia comecei a conversar com uma mulher dentro da sauna. Na verdade, ela puxou assunto e tal… E ela, dinamarquesa, não parava de falar. Duas outras senhoras entraram depois e começaram a falar em tom meio alto, de reclamação.

Até que levantaram, mudaram a tecla sap para o inglês para eu entender em alto e bom som que elas queriam relaxar, mas nossa conversa sem fim não as deixava em paz e que ali era um lugar de silêncio. Fiquei muito constrangida, e ainda mais porque a outra dinamarquesa que conversava comigo resolveu fazer um mini barraco com as véia! Que dia, viu…

O valor do silêncio

Já nesse fim de semana, dois episódios me levaram a refletir de novo sobre essa valorização do silêncio aqui. Comecei a trabalhar num café de um museu há uma semana. Sábado e domingo tivemos muitas atividades. No sábado à noite rolou uma festa de aniversário de uma mulher que completava uns 50 ou algo assim. As amigas faziam discurso e eu preparava o café para acompanhar o bolo.

A máquina fez um chiado com a fervura da água. A aniversariante parou tudo, virou-se para mim e disse: você pode ficar quieta? Bom, fingi que ela estava louca falando com a máquina e deixei todo mundo sem café para o bolo. O que eu poderia fazer? Alguém teria que ser sacrificado em nome do silêncio! Sacrifiquei 24 xícaras de café!

Já no domingo, enquanto atendia e fazia mil coisas na cafeteria, uma senhora se aproximou de mim só para me parabenizar: ” estou muito contente nessa cafeteria por que você é uma pessoa delicada, sorridente e que não faz barulho excessivo enquanto passa o café. Isso é fantástico por que a maioria dos atendentes de cafeteria fazer muito barulho para passar o café”.

Barulho, um inimigo

Fiquei surpresa e vi que o tal do barulho parece ser um dos maiores inimigos da galera aqui. Será que os vikings eram mais quietinhos do que os filmes e séries nos contam? Será que tinham códigos de batalha silenciosa, morte muda, sei lá? hahaha. Será que o segredo da felicidade está no silêncio? Sim, porque esse povo quietinho foi eleito o mais feliz do mundo! Enfim, fazer silêncio às vezes pode ser bom, desde que você consiga ouvir coisas mais importantes dentro de você- uuuuhhhh, que clichê! Então, quando vier turistar por aqui, fique quietinho. Faça silêncio entre  o povo mais feliz do mundo. Essa é a dica hahaha.

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Gracielle Fonseca

Não faço nada na vida sem paixão. Tanto que, pra me formar em Jornalismo, tive que fazer com 2 colegas um TCC sobre metal, o Ruído das Minas: a origem do heavy metal em BH. Também decidi que faria o primeiro documentário sobre as Mulheres no Metal, o Women in Metal, e fiz. Foi por paixão também que larguei um emprego público, para me aventurar pelo mundo dos festivais com a Pri.

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