Museu dos Ramones e outros esbarrões com o punk em Berlim

O que você faz em Berlim nos intervalos de um festival de punk? Visita um museu dedicado a uma banda punk, oras: o Museu dos Ramones. Quando eu fui para a Alemanha acompanhar o Resist to Exist, o maior festival de punk open air da Europa, eu não estava exatamente atrás de experiências punk em Berlim, mas foi bem mais fácil do que eu imaginava esbarrar em elementos que fazem a cultura punk ainda bastante presente na capital alemã.

Antes que chegasse o fim de semana do Resist to Exist, por duas vezes nas minhas caminhadas próximas à Potsdamer Platz vi o mesmo casal de punks debochados que pediam “esmolas” aos milhares de turistas que passam pelo local todos os dias: “beer or weed” (cerveja ou maconha) dizia o cartaz que a moça segurava enquanto o cara brincava com um cãozinho. O festival em si foi um intensivão do punk em Berlim: o Resist to Exist é realizado e bancado há mais de 15 anos só com o custo dos ingressos, toda produção é de voluntários, nenhuma das bandas recebe cachê e atrai milhares de punks que passam longe da boutique em um ambiente altamente politizado. Mais do it yourself, impossível.

museu dos ramones em berlim

Ainda nesse intervalo, na minha busca por museus menos óbvios e menos turistões, foi que descobri a existência do Ramones Museum, o único museu dedicado aos Ramones no mundo. A identificação de Berlim com o movimento punk poderia ser uma explicação para o fato de o museu estar localizado lá, mas a verdade é que a história é tão do it yourself quanto manda o princípio punk: um fã insano dos Ramones passou 20 anos acumulando tudo quanto é tipo de quinquilharia relacionada à banda. Chegou a ter 300 itens estocados num apartamento. A namorada encrencou e disse que os objetos deveriam sair do apartamento. O fã levou tudo para um outro local e o transformou em um museu. Fim.

Pesquise hotéis em Berlim

Hoje o Museu dos Ramones em Berlim soma mais de 500 peças que ajudam a contar a história da banda, conservam memórias e também mostram a idolatria do cara pela banda. E tão interessante quanto a presença de alguns objetos originais que ajudaram a construir toda a simbologia que deu sentido aos Ramones é a história de como eles foram parar ali.

Estes jeans detonados modelo Levi’s 517 de Johhny Ramone foram doados em troca de um poster do filme “Blue Hawaii”, estrelado por Elvis, um de seus ídolos.

museu dos ramones

Já estes tênis surrados de Marky Ramone foram trocados por um par novinho de Converse.

museu dos ramones

Não sei da história de como esse material aí da foto abaixo foi parar no museu, mas uma das melhores surpresas da visita foi me deparar com o programa da turnê derradeira da banda em sua passagem pelo Brasil/América do Sul.

museu dos ramones

O Museu dos Ramones também tem um bar aberto a qualquer um que quiser parar para tomar uns bons drinks. Aberta também é a conexão wi-fi: a senha é gabbagabbahey. Se for pagar algo, lembre que eles aceitam apenas Ca$h.

museu dos ramones

O ambiente do bar é uma atração à parte. Além de tocar punk (óbvio) o tempo todo, as paredes são decoradas por grafites, fotos e autógrafos de bandas que já passaram por lá, como Green Day e No Use for a Name.

museu dos ramones

A visita ao museu tem uma cobrança simbólica: três euros quando eu fui (julho de 2014). Juntei as três moedinhas de um euro e aguardei que a moça me desse o ingresso. Esperava por um papel daqueles igual extrato de banco, que logo desbotam, e ela me deu um botón. “Este é o seu ingresso”, ela me explicou. Devem ter aprendido com o Johhny e o Marky que vale a pena trocar coisas de valor, ao invés de simplesmente vendê-las. Encarei como um presente e um souvenir.

museu dos ramones

O Ramones Museum está no Mitte, bairro super central de Berlim, acessível facilmente por trem (S-Bahn) e tram e perto de mais um monte de lugares que certamente você vai querer visitar na cidade.

Museu dos Ramones em Berlim/ Ramones Museum
Krausnickstraße, 23
Mais informações: www.ramonesmuseum.com

Gostou deste post? Temos muito mais pra você!

Receba sempre nossas dicas, histórias e novidades sobre viagens para os melhores festivais de música do mundo.

Compartilhe este post

Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora também coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Além de uma das mães do Festivalando, sou colaboradora da Mixmag e do Brasil Post e autora do Porque eu gosto de música. Também ajudei Paul McCartney a falar uai em pleno Mineirão.

4 comments

Add yours
      • mmidias 6 dezembro, 2015 at 17:15 Responder

        Claro, eu entendo totalmente! Mas a questão não é nem os equipamentos…talvez vale a pena pedir umas dicas pra amigos fotógrafos e melhorar um bocado nos ângulos, foco e edição pra melhorar a qualidade. Já ajuda bastante! Como falei, o site é ótimo, só precisa ter umas fotos melhores e acredito que isso possa ser melhorado mesmo sem um equipo caro 🙂

        • Priscila Brito 6 dezembro, 2015 at 20:13 Responder

          Te peço paciência. A qualidade dos equipamentos manda muito, sim. Não consegui fazer nenhuma foto digna no EDC porque meu celular simplesmente não se presta a fotos noturnas. E o meu celular é o que eu tenho. A Gracielle é diretora de dois documentários e sofre porque a única coisa que temos para fazer vídeos são celulares, e ela sabe que precisávamos de aparato melhor. Além disso, somos apenas duas pra cuidar de toda a cobertura de festivais imensos. Na maioria das vezes, na verdade, somos uma só porque não tem como nós duas irmos juntas em todos os festivais. Ou se concentra em fazer foto boa, ou se concentra em ver shows, ou bater perna no festival inteiro para analisar as condições do evento. Como somos um site informativo, nossa prioridade vai ser a análise e a informação enquanto nossas condições de trabalho forem essas. Portanto, mais uma vez, paciência. 😉

Deixe uma resposta