mini guia da bicicleta em copenhaguePhoto: User Heb on Wikimedia Commons

Mini guia da bicicleta em Copenhague

Pedalar o mais rápido que conseguir e gritar o quão alto puder. Isso foi o que um dos locais  disseram para me aconselhar sobre a minha primeira incursão no trânsito intenso de bicicletas na capital dinamarquesa. Pensei: imagina, essas pessoas são tão educadas, nada vai me acontecer e pedalar na cidade vai ser uma experiência muito tranquila. Apesar de eu ter sido contrariada por algumas vivências e também por relatos- não é tão tranquilo quanto se pensa, mesmo – ainda assim aconselho. Quando estiver na capital dinamarquesa, pedale! E, por isso, decidi fazer um mini guia da bicicleta em Copenhague.

Nada me deu tanta sensação de empoderamento e dever cumprido quanto andar de bicicleta para lá e para cá nesse país. Você faz o seu horário, vai aonde quiser, na velocidade que for necessária. Além disso, meu deslocamento não polui drasticamente o mundo e ainda adianta meu exercício cardiovascular, o qual passaria no mínimo 30 minutos fazendo trancada em uma academia abafada.

Um meio de locomoção fantástico, com faixas largas e exclusivas para bicicletas na maioria dos locais aqui na Dinamarca. Também são permitidas motos de cilindradas bem reduzidas na mesma faixa dedicada às bicicletas – o que às vezes é meio tenso. Mas essas motos são em um número bem menor do que as bikes: Em Copenhague, o número de bicicletas é maior do que o número de habitantes!

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Mais de um século de história com ciclovias

A cultura da bike aqui é antiga: a primeira ciclovia apareceu por já em 1910. Mas, foi nos últimos 25 anos que mais da metade do país tornou-se ciclável, com muitas ciclovias e estradas para bicicleta. Ou seja, dá até para viajar pedalando. Eu mesma vou de uma cidade à outra todos os dias aqui, de bicicleta. Somente em Copenhague são mais de 400 km reservados às ciclovias, por onde passam aproximadamente 40.000 bikes por dia. A ciclovia mais movimentada do mundo está na cidade, na ponte Dronning Louises, um dos locais mais bonitos da capital, que foi nomeada cidade ciclável em 2008.

 

cyclist old times denmark

Foto: visit Denmark

Em copenhague, pelo menos 1/3 dos moradores pedalam para chegar ao trabalho, independentemente da classe social ou traje que se deva vestir – já vi mulheres a pedalar lindamente de salto alto e terninho, bem como homens muito alinhados em cima de uma bike. Aqui, até mesmo os políticos pedalam para chegar ao trabalho: 63% dos membros do Parlamento dinamarquês, que fica no centro da cidade, pedalam para chegar ao trabalho. (Brasília é plana e essa moda poderia pegar!).

Outro ponto forte dessa cultura é que as crianças aprendem desde cedo que esse é o meio de transporte mais legal e mais usado no país. Muitas são as bikes de carga, em que você leva em um compartimento compras ou então, carrinhos de bêbê. Também há as bicicletas com cadeirinha na garupa, para levar as crianças.

As ciclovias ainda nos levam a atrações maravilhosas do país: praias, florestas, museus, parques

mini guia da bicicleta em copenhague

Gra feliz depois do passeio de bike até o Bakken, na Dinamarca.

Mini guia da bicicleta em Copenhague: aspectos práticos

Tudo é lindo e maravilhoso até aqui e os números nos impressionam. Mas para quem chega desavisado, é preciso abordar alguns pontos e voltar à primeira frase desse post, que foi um conselho dado por um dinamarquês a respeito do uso da ciclovia na capital. Realmente, não é nada fácil pedalar no meio da multidão de bikes e muitos ciclistas são apressados e mal educados, bem como pedalam em velocidades muito altas e não hesitarão em gritar com você caso faça uma cagada. Por isso, é bom prestar atenção às regras, tomar cuidado e estar equipado com os acessórios de segurança- alguns acessórios para a bike são obrigatórios, como as luzes dianteiras e traseiras.

Também não é só pedalar e pronto. É preciso respeitar a sinalização das ciclovias e dos que pedalam. Existem semáforos e placas para ciclistas como existem para os motoristas de trânsito. Assim como condutores de carro, ao fazer conversões também temos que sinalizar e, isso se faz com o braço – o que exige uma certa destreza para se equilibrar e sinalizar ao mesmo tempo. Quando parar, também é necessário levantar uma das mãos e reduzir a velocidade gradativamente. Nas rotatórias, deve-se sinalizar as conversões da mesma forma. Ao ultrapassar outra bike devemos bater o sininho ou buzinar, da mesma forma quando precisamos que alguém seja avisado para sair do caminho.

mini guia da bicicleta em copenhague

Pequenos acidentes

Nem sempre todos os dinamarqueses respeitam tal sinalização. Eles costumam fazer tarefas multivariadas enquanto pedalam, como por exemplo, atender ao telefone ou conversar no Facebook. Daí, quando dei sinal uma certa vez para fazer uma conversão, fui ignorada e a pessoa passou com tudo por cima de mim. Resultado: algumas lesões pouco sérias e um Iphone 6 (dele) estraçalhado. O bom é que todo mundo aqui tem sido bem solidário nas experiências que tive.

mini guia da bicicleta em copenhague

Foto: Visit Denmark

Na ocasião desse acidente, um carro parou e nos ofereceu ajuda. Outro dia também caí, de bobeira, por conta da neve. Um carro parou e a pessoa me ajudou a levantar, ofereceu carona e tudo mais. Aqui incentiva-se o uso da bike e se respeita muito os ciclistas. Os carros na maioria das vezes esperam, param. Atitudes muito mais educadas do que a de alguns moradores de são paulo que, em protesto contra as ciclovias, colocaram garrafas de vidro quebradas no caminho dos ciclistas. É mole?

Estrutura

Além de favorecer, ajudar e incentivar ciclistas, os residentes, lojas e aparelhos públicos sempre mantêm a estrutura limpa e adequada para os ciclistas. Por exemplo, tem estacionamento em vários lugares, esquinas, e alguns estabelecimentos têm os próprios estacionamentos para a bike. A academia que frequento tem esse aqui, por exemplo:

mini guia da bicicleta em copenhague

Foto: Gracielle

Segurança

Na região de CPH nem sempre é muito seguro deixar a bike. Os roubos são muito frequentes e não adianta muito colocar a tranca traseira, ou qualquer outro tipo de cadeado. De qualquer forma, recomenda-se que mantenha as bikes sempre trancadas, ateadas aos estacionamentos em lugares mais óbvios. No entanto, caso cismem de roubar, vão levar sua bike com tranca e tudo.

Eu até hoje não tive nenhum problema. Mas foi bem raro eu deixar a bike em CPH também, talvez tenha sido 3 ou 4 vezes apenas. Também tem gente que retira as luzes de sinalização, quando é possível. Eu nunca passei por nenhum furto de nada na bike. Inclusive, teve uma vez que fui a uma loja, esqueci o capacete no cestinho e, depois de quase 1 hora voltei e estava tudo lá. Assim, use o bom senso e leve em consideração a região aonde a sua bicicleta é deixada.

 

mini guia da bicicleta em copenhague

Tranca comum para bicicleta

Alugar ou comprar?

Como turista, você poderá alugar uma bike em vários das lojas de bike espalhadas pelo país. Por dia, você paga em média 25 reais. Para alugar por uma semana, 150 reais. Há também uma outra alternativa, super moderna inclusive. São as bicicletas da ByCyklen, espalhadas em vários pontos do centro da cidade.

Essas bicicletas possuem motor elétrico auxiliar e também um tablet acoplado, para te ajudar a estabelecer rotas, obter sugestões de restaurantes e atrações, assim como pagar pela bike, reservar e devolvê-la. Você paga 25 coroas dinamarquesas (o equivalente a 11 reais) pela hora.

Para se inscrever por mês, paga-se pouco mais do que 30 reais. Você pode fazer os pagamentos via telefone, ou com cartões de crédito pelo website. As bicicletas são retiradas em uma estação específica e devem ser retornadas para a mesma. Mas, caso não haja espaço para bicileta ser estacionada na estação em que você a retirou, não tem problema! É só trancar a bike e deixar em frente à estação, sem ter que pagar nada a mais por isso.

Aqui, um vídeo da BBC que ilustra bem a praticidade dessa magrela que é uma opção para um turismo sustentável, prático e divertido:

Alternativas

Para quem vai ficar mais tempo, tem até um aplicativo muito bacana que indica rotas e tempo estimado para a sua pedalada.  Também é preciso ficar atento à integração do transporte. Cansou, tá longe ou você quer pedalar menos num certo percurso? É possível e muito tranquilo levar as bikes no S train. Inclusive, é gratuito e tem espaço reservado para as mesmas. No chão das estações a bike está sinalizada, pois é ali que o trem vai parar com o vagão especial para bicicletas. Assim, você só espera quietinho ali, sem precisar sair correndo atrás do vagão especial.

Você também pode levar a bike no metrô, mas não é de graça e o horário deve ser observado. Você precisa comprar um bilhete de bike, que custa 13 coroas ( 6 reais) e não pode levar a bike no metro entre 7 e 9 da manhã, e de 15.30 às 17.30, pois são os horários em que o metrô ficar super lotado.

mini guia da bicicleta em copenhague

Bike no S-Tog (trem) na Dinamarca

Comprando uma bike

Quando você mora em Copenhague e decide ter uma bike como seu meio de transporte, você pode se deparar com vários preços, estilos e funcionalidades. Em média, você pode comprar um boa bicileta usada por 1.200 ou 1.300 coroas ( entre 500 e 600 reais). As biciletas novas dos modelos mais simples são vendidas em torno de 5.000 coroas e até 18.000 coroas ( entre 2.500 e 9.000 reais). Algumas vezes, como foi o meu caso, os donos das casas que alugamos deixam bicicletas para serem usadas pelos residentes, sem custo adicional, apenas como uma facilidade do local. Você ainda pode encontrar bons negócios nos grupos de brasileiros na Dinamarca, ou grupos específicos para classificados no facebook, que geralmente você vai achar com essa definição “Køb og salg af cykler og cykel dele”.

Manutenção

Bicicleta também exige certa manutenção. Portanto, prepare-se para gastar um pouquinho de grana com caixinha de ferramentas, lubrificantes e limpeza, bem como entre 75 e 150 coroas (30 e 70 reais) para pagar por uma pequena revisão ou conserto de pneu furado – tive os dois furados esse ano! Ah, só para finalizar, as bikes daqui têm um freio nos pedais – pedalando para trás se freia! E eu tive que cair da bike para descobrir isso! hahaha

Hoje tenho certeza que não ficaria mais feliz de outra maneira. Pedalar é muito bom – e mesmo no frio ou sob neve ou chuva, como tenho feito aqui de vez em quando!

Vai viajar para a Dinamarca? Faça agora o seu seguro viagem. Ele é exigido para entrar na Europa, e se você não apresenta-lo será barradx na migração. Além disso, é a garantia de que você estará amparadx caso haja algum imprevisto com a sua saúde. Aqui você pode pesquisar o melhor preço em várias seguradoras, comprar o que se adequar ao seu orçamento, conseguir um desconto e parcelar sem juros.

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Gracielle Fonseca

Não faço nada na vida sem paixão. Tanto que, pra me formar em Jornalismo, tive que fazer com 2 colegas um TCC sobre metal, o Ruído das Minas: a origem do heavy metal em BH. Também decidi que faria o primeiro documentário sobre as Mulheres no Metal, o Women in Metal, e fiz. Foi por paixão também que larguei um emprego público, para me aventurar pelo mundo dos festivais com a Pri.

2 comments

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  1. Possibilidades de cicloturismo em Fortaleza - Festivalando 24 agosto, 2015 at 04:13 Responder

    […] Fortaleza é uma cidade plana e com o clima agradável da brisa do mar – apesar de que o sol do dia pode arrancar o seu couro. Pedalar é uma proposta de mobilidade, mas também de lazer e convívio com as belezas locais. Apesar de ter apenas 74 km de ciclovias que nem sempre estão em condições muito dignas- o que pude confirmar – a cidade se organiza em um pretensioso projeto de chegar a ter 500 km de ciclovias, de acordo com o Plano Diretor Cicloviário, que está sendo construído pelo poder local – espero que isso realmente se realize e Fortaleza ofereça um pedalar tão seguro e confortável como acontece em Copenhague, experiência que já te contamos aqui. […]

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