beatles em londresfuturistman via Shutterstock / Demais fotos: Priscila Brito

Os lugares óbvios e não óbvios dos Beatles em Londres

Eu relutei bastante tempo em escrever obre lugares dos Beatles em Londres. Se, por um lado, o turismo musical é um olhar exclusivo do Festivalando, por outro, turismo relativo aos Beatles na capital da Inglaterra, pela dimensão que a banda tem, é o típico turistão; todo mundo faz e já sabe o que visitar, não importa se é muito ligado em música ou não. O que mais eu poderia acrescentar?

Resposta: alguma coisa de novo, ao contrário do que dizia minha suspeita inicial. Com alguma pesquisa, descobri que dentre os lugares que visitei, alguns eram, sim, dos mais óbvios, outros nem tanto, outros muito menos. E, nessas últimas categorias, alguns deles ainda rendem experiências legais dentro de Londres, independentemente da sua correlação com os moços de Liverpool.

Chiswick House – um lugar pouco óbvio

A menos que você seja um nerd de Beatles, chances são poucas de que passaria pela sua cabeça ir até Chiswick House, um jardim/mini-parque localizado no oeste de Londres, no distrito de Chiswick. Se você é um turista com outro tipo de prioridade, menos ainda. Dentre os muitos parques londrinos, seria o 349º parque na sua lista de visitas. Ele fica fora da grande área turística de Londres,delimitada no mapa do metrô pelas zonas 1 e 2. A estação que dá acesso ao parque, Turnham Green, já é território da zona 3.

O passeio, porém, é muito valioso, pois foi lá que foram gravados os clipes de “Rain” e “Paperback Writer” – exatamente os primeiros vídeos promocionais dos Beatles e considerados por alguns a pedra fundamental da MTV.

As esculturas que a gente vê nos clipes estão agora bem mais conservadas. E a árvore gigante com zilhões de galhos (aos moldes do cajueiro gigante de Natal) continua lá, imponente e livre para tirar um monte de fotos, sem o congestionamento de turistas em Abbey Road.

beatles em londres beatles em londres

Beatles à parte, adorei ter ido lá para experimentar uma outra Londres, com cara de bairro, vida normal e banquinhas de frutas na calçada. A cidade tem outro ritmo por lá. O passeio no parque também foi uma delícia – cachorrinhos brincando, família fazendo pique-nique, meninos jogando futebol (um deles foi quem tirou minha foto na árvore galhuda) e um solzinho pra esquentar.

Ah, como Chiswick House não é um ponto turístico, a sinalização até lá quase não existe, mas nada que usar o GPS do celular ou pedir informação na rua não resolva. Fui caminhando do metrô até lá e um casal simpático me ensinou o caminho.

British Library – um lugar nem tão óbvio assim

Bibliotecas nacionais costumam ser lugares de interesse turístico pela sua história e acervo inigualável, mas talvez não estejam na lista de top atrações de uma determinada cidade. E quando se trata da fórmula Beatles + Londres, talvez não seja o primeiro lugar que vem à sua cabeça. Mas deveria.

A British Library tem uma exposição permanente com publicações raras. Tem uma sessão toda dedicada aos Beatles, com os manuscritos originais de “Help”, “Yesterday”, “Michelle” e “Ticket to Ride”. Invaluable, diriam os britânicos. Tem também algumas fotos e memorabilia.

A exposição como um todo já vale a visita. Dentre os documentos, você pode ver de perto a Magna Carta, um dos exemplares da bíblia de Gutenberg e diários de contemporâneos de Shakespeare. O melhor de tudo: é de graça. A estação Euston é a mais próxima.

Detalhe: não sei como estão as coisas hoje, mas quando fui lá eram proibidas fotos no interior. Veja tudo e guarde na memória e no coração 🙂

Baker Street – um lugar óbvio com razões não óbvias

Baker Street é o lugar que você vai em Londres se quer fazer um passeio pelo universo de Sherlock Holmes. É lá que fica o museu dedicado ao personagem, por exemplo. Mas é lá também que fica a Beatles Store London, o melhor lugar para comprar souvenir dos Beatles em Londres. Você vai achar esses produtos em qualquer lugar (inclusive na lojinha da British Library), mas a quantidade de opções da loja oficial justifica a visita.

lojas em londres

Lá também ficava a Apple Boutique, mais precisamente na esquina com a Paddington Street. A loja de roupas fundada pela banda hoje é só mais um prédio no meio dos demais e o passeio é meio “meh”. A fachada coloridona que caracterizava a loja é só história e o máximo que você pode ver disso é a réplica no Beatles Story, em Liverpool.

St. John’s Wood – o lugar mais óbvio de um jeito nada óbvio

Tem uma estação de metrô em Londres chamada Abbey Road. Mas não é na direção dela que você vai pegar o transporte se quiser tirar uma foto na famosa faixa de pedestre. Se você fizer isso, vai parar do outro lado da cidade. A estação correta para os estúdios de Abbey Road é St. John’s Wood, que dá nome ao distrito onde se localiza a faixa e o famoso estúdio dos Beatles. Quem iria imaginar? A propósito, acho que St. John’s Wood é um mini-complexo beatle dentro da cidade. A atmosfera já começa na saída do metrô.

1) Beatles Coffee Shop

Na saída da estação fica o Beatles Coffee Shop, um pequeno café todo decorado com produtos da banda e com músicas dos fab four de fundo. Se você pedir informação sobre como chegar até a travessia de pedestre, eles vão te dar um mapinha com tudo explicado.

2) Abbey Road

Com dez minutos de caminhada dá para chegar, enfim, em Abbey Road. Não tem congestionamento de carro, o que facilita tirar a foto com a rua livre veículos, mas tem congestionamento de turistas, o que dificulta tirar a foto com a rua livre de gente. A não ser que você tenha paciência e espere a galera se dispersar, como eu fiz.

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Já os motoristas, normalmente tão respeitosos com os pedestres no restante de Londres, não têm o menor saco para esperar o pessoal tirar a foto em Abbey Road. Eles até param o carro, mas fazem cara feia e praguejam alguma coisa.

Mais divertido que posar pra foto atravessando a faixa é  tirar um tempo para ler as mensagens que as pessoas deixam no muro do estúdio. Tem muita mensagem fofucha – paz, amor, etc, mas não só.

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3) Casa do Paul

Saindo de Abbey Road a pé, com mais uns dez minutos de caminhada, você chega até a casa do Paul. Cavendish Avenue, 7. Paul comprou essa casa nos anos 1960 para poder ir a pé até o estúdio e segue morando lá até hoje.

Ele tem o hábito de andar a pé pelas redondezas, e por essa razão muito fã vai lá com a esperança de vê-lo. Conheço fãs que conseguiram. Eu não tive essa sorte (até porque era um domingo de dia dos pais em Londres, e é CLARO que ele deveria estar almoçando com os filhos e netos), mas teria sorte maior um ano depois.

Eu também não fiquei muito tempo, pois tive medo de levantar alguma suspeita. Apesar de oficialmente chamar-se “avenida”, o lugar é uma rua bem pequena, sem saída e sem movimento algum. Qualquer pessoa parada lá por muito tempo chama atenção.

Savile Row – outro lugar óbvio

Mais precisamente, no número 3 da Savile Row fica o prédio onde funcionava o escritório da Apple e onde a banda fez sua última apresentação ao vivo, o rooftop concert. Como a única coisa que você pode fazer é olhar o prédio (não tem como entrar, não tem como subir) é outro rolé “meh”. Pra mim foi pior ainda, pois quando estive lá o prédio estava em obras e havia um tapume horroroso cobrindo a entrada. Mas vale pelo valor histórico e simbólico.

Mais além

Os endereços dos Beatles em Londres não se limitam a estes pontos que citei (foram apenas os que tive tempo de visitar quando estive em Londres). Alguns deles eu não sinto falta de não ter ido (como o apartamento do número 57 da Green Street, onde os quatro moraram juntos por um tempo). Outros mais ou menos (como o London Palladium, palco de shows catárticos da banda). Outros eu lamento bastante (especialmente o jardim da igreja de St. Pancras, onde foram feitas parte das fotos do “Mad Day Out”, meu ensaio preferido da banda). Fica para uma próxima visita.

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora também coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Além de uma das mães do Festivalando, sou colaboradora da Mixmag e do Brasil Post e autora do Porque eu gosto de música. Também ajudei Paul McCartney a falar uai em pleno Mineirão.

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