guia prático para o coachellaBrian Willette/Coachella/Divulgação

Um guia prático para o Coachella

Senta que lá vem alguns dos melhores conselhos que você poderia ouvir para organizar uma viagem para o Coachella. Eles vêm do nosso [email protected] [email protected] Thiago Almeida, um planejador impecável. Ele está com tudo pronto para ir pro festival em 2018, mas já vem se organizando desde 2016. Nesse guia prático para o Coachella, ele compartilha dicas valiosíssimas pra facilitar a vida de quem sonha em ir para a meca festivaleira em Indio, na Califórnia.

Se você também tem uma história de viagem pra festival e quer vê-la publicada aqui, entre em contato com a gente 😉

Coachella: um guia prático – por Thiago Almeida

Dentre todos os festivais obrigatórios na bagagem de um bom festivaleiro, talvez o Coachella seja um dos mais proeminentes. Foi com esse pensamento que eu decidi desenhar um plano básico para seguir viagem à Indio, na Califórnia, onde acontece o evento.

Estou de ‘malas prontas’ para fazer parte da edição 2018. E sim, o fato do festival acontecer apenas em abril do ano que vem e eu já estar com tudo planejado e ‘pago’ (tudo no parcelamento) é essencial para conseguir prestigiar o evento.

Vou ser bem franco, bem direto: NÃO É FÁCIL para um brasileiro ir ao festival. Estou encontrando dificuldades desde o momento em que decidi ir. Mas, até o momento, tudo está correndo nos trilhos. E, para que outras pessoas não passem a mesma dificuldade que eu passei, seguem abaixo algumas coisas que eu aprendi neste processo.

1. Planejamento é mais que fundamental

Estou indo para o Coachella 2018, mas acredite, estou planejando essa viagem desde 2016. Passei este tempo estudando tudo: desde as datas de divulgação dos dias que o festival ocorrerá, vendas de ingresso, localização de hotéis no entorno, transporte, etc. Isso ainda em 2016. Alguns textos já publicados aqui no Festivalando foram um ponto de partida fundamental para a minha busca.

Já em 2017 a estratégia foi outra: acompanhei todo o festival e baixei o aplicativo do Coachela apenas para entender como a dinâmica da coisa funcionava. Acredito que isso vai ser bem útil para quando eu estiver lá. Afinal, estarei sozinho.

Paralelo a isso, ainda em janeiro deste ano, fiz questão de aumentar o limite do meu cartão de crédito e me esvaziar de qualquer parcelamento que pudesse ter. É nesse ponto que eu digo que tu não precisas ser rico para fazer a viagem dos sonhos. É necessário apenas um pouco de disciplina e planejamento. Se eu consigo, qualquer um consegue. Sério.

Ah sim, e corra atrás do seu visto, o quanto antes.

guia prático para o coachella

Jose Negrete/Coachella/Divulgação

2. Mergulhe de cabeça no desafio de ir

Se você não vencer o medo, você não vai. Fato. Isso aconteceu comigo nas primeiras edições do Lollapalooza Brasil. Como moro em Cuiabá (MT), a questão de logística pra mim sempre foi um problema. Por isso, só conseguir ir de fato em 2015, após colocar na minha cabeça que iria comprar o ingresso independente da divulgação do line-up. Após isso percebi como é simples ir a festivais e que grande parte da impossibilidade de ir vai mais do nosso medo de tomar a iniciativa do que de qualquer outra coisa.

Por isso, uma vez que você já está financeiramente preparado para a aventura, não pense duas vezes.

3. Comece pelo ingresso

Não compre aquele pacote maravilhoso para a Califórnia sem a certeza de que você tem seus ingressos em mãos. Eu te digo isso com conhecimento de causa: não é fácil comprar o ingresso para o Coachella.

O festival é dividido em dois fins de semana, com a mesma programação. A primeira semana (que ano que vem acontece entre 13 e 15 de abril) e é a mais disputada, pois tem todo aquele ar de novidade além de diversos famosos circulando. Já a segunda semana (de 20 a 22 de abril) tende a ser mais tranquila, e é nela que você vai escolher ir. Por quê? Para se ter uma ideia, precisei ficar 1 hora na fila para comprar a entrada para a segunda semana. Quando concluí a compra, não tinha chegado nem à metade da fila para os ingressos da primeira semana. Mas vai da escolha (e da sorte) de cada um.

Os ingressos de pré-venda, este ano, custaram US$ 429 para os três dias. Paguei US$ 504 pelo ingresso mais um shuttle que você pode utilizar em qualquer momento e qualquer linha disponível pela empresa parceira do Coachella. Vou utilizar o Shuttle? Não sei. Mas comprei por via das dúvidas.

A parte bacana da pré-venda é que você pode parcelar o seu ingresso em sete vezes. Mas o mais legal disso é que o parcelamento é diferente do que nos acostumamos aqui no Brasil. O sistema do site permite que você vá pagando o ingresso aos poucos, ao invés de jogar todo o valor das entradas no limite do seu cartão. A única coisa que você precisa se preocupar é em monitorar o plano de pagamento. Caso passe o prazo de 10 dias após o dia da compra do convite, automaticamente você perde o ingresso e eles te devolvem a grana investida. Por isso é bom ficar sempre de olho.

4. Tenha um bom (e paciente) agente de viagens

Faça amizade com um agente de viagens. E rápido. Ele vai ser um aliado neste momento pois é ele quem vai fazer a emissão da sua passagem. Digo isso porque, apesar da facilidade dos sistemas de busca (google flights, voopter, etc), o que me garantiu uma passagem mais barata foi aliar os sistemas de busca a um bom amigo que é agente de viagens (se quiserem passo o contato dele, só pedir).

A passagem mais barata disponibilizada pelo Google Flights, no meu caso, não era possível de se comprar online, pois se tratava de trechos separados. Coube a um agente de viagens me ajudar nessa questão.

Comprei um voo para Los Angeles, pois pretendo dar umas voltas na cidade também. Mas uma opção, que não encarece muito o voo, é pousar em Palm Springs: um município que fica mais próximo da cidade onde acontece o Coachella.

Mas na aquisição da passagem não há muito segredo. Vamos logo para o principal ponto, que vem a seguir.

guia prático para o coachella

Charles Reagan Hackleman/Coachella/Divulgação

5. Procure formas alternativas de estadia

Se comprar os ingressos do festival já foi um desafio, a busca por estadia é um pouco mais complicada. Inicialmente, não crie nenhuma esperança de ficar na região próxima ao festival. Os hotéis geralmente já estão reservados meses antes da divulgação da data e, quando disponíveis, cobram preços exorbitantes na diária.

Neste aspecto, a procura por formas alternativas de estadia pode facilitar a vida do festivaleiro. A primeira delas é acampar. O Coachella oferece espaços para tendas a partir de US$ 130, para montar sua própria barraca, ou mais caros, com espaço para dormir.

Outra opção que me indicaram foi procurar espaços para camping na região, que custam em torno de US$ 30 a diária. Mas para isso, você precisa levar seus próprios equipamentos (tendas, mantimentos, etc), além de ter um veículo à disposição para o deslocamento.

Agora, para quem quer ao menos um pouco de conforto a saída é o AirBnb. Na cidade de Palm Springs, a 40 minutos do festival, existem uma série de anfitriões que alugam seus quartos ou até mesmo casas inteiras em locais próximos aos pontos de Shuttle da cidade. Fora isso, o AirBnb parcela o valor da estadia em até três vezes no cartão de crédito, a preço fixo, com o câmbio congelado do momento da compra. É unir o útil ao agradável. Escolher um local em Indio (onde acontece o festival) pode sair mais caro que a encomenda, pois os anfitriões costumam até dobrar o preço pelos espaços, e a região é bem carente de transporte público. Fora que a busca por locais nessa área é feroz.

(Logicamente, não estou ignorando o que já foi publicado pela leitora Karina Bernardo. Existem pessoas na cidade que dão apoio. Mas, como é a minha primeira experiência e sou meio que o louco do planejamento, prefiro evitar situações adversas)

Yes, we can

Finalizando, por difícil que pareça, realizar o sonho de visitar o Coachella não está fora do alcance. Basta um pouco de persistência e muito (mas muito) planejamento. Vou ficar 10 dias na Califórnia e, quando pegar meu voo de Cuiabá, já estarei com tudo pago.

Para esses 10 dias, gastei pouco mais de R$ 6 mil incluindo passagens, estadia, o ingresso para o festival, seguro de viagem e o aluguel de um carro pelos 10 dias. Sem o aluguel do carro, o custo cairia para R$ 5.500. Tudo isso parcelado no cartão de crédito, sem precisar fazer um rombo na minha conta bancária.

Um investimento suado, mas que tenho certeza que vai valer a pena. Em breve compartilho mais sobre essa aventura.

Serviço:

  • Passagens Aéreas (Cuiabá x Los Angeles x Cuiabá) – R$ 2.500,00
  • Ingresso para o Festival + Shuttle – US$ 504 – R$ 1.587,60
  • Estadia (AirBnB – Em Palm Springs – 4 dias) – R$ 763
  • Estadia (AirBnB – Em Los Angeles – 6 dias) – R$ 438
  • Seguro Viagem – R$ 199,65
  • Aluguel do Carro – R$ 1262,25

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4 comments

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    • Thiago Almeida 5 setembro, 2017 at 20:51 Responder

      Olá, Karina. Obrigado pelo comentário. Já estou contanto os dias. Então, o ponto de partida dos transfers geralmente são de hoteis. Mas você pode pegá-los sem estar necessariamente hospedado neste local. Na verdade, o ‘Any where, any time bus’ (como eles chamam) é o que a tradução diz: você pode pegar um dos ônibus oficiais em qualquer ponto de partida, a qualquer momento.

      Então, neste caso a dica é procurar os hotéis onde saem os ônibus e localizar por ‘hosts’ do airbnb próximos destas regiões. Isso é super fácil de encontrar. Uma pequena conversa com os anfitriões já resolve o problema.

      Espero que eu tenha esclarecido.

    • Thiago Almeida 5 setembro, 2017 at 20:53 Responder

      Te digo uma coisa. O maior frio na barriga é o de comprar o ingresso. Mas é aquela sensação gostosa… de ‘abraçar o desconhecido’. Com o ingresso já comprado, você meio que tá obrigado a ir fazendo o resto.
      Super encorajo!

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