viagem para o estereo picnicEstereo Picnic/Divulgação

Viagem para o Estereo Picnic, o “Lolla” diferentão da Colômbia

Quando voltei do Estereo Picnic, em Bogotá, na Colômbia, defini o festival como Alice no País dos Hipsters encontra Salvador Dalí aos pés da montanha no frio. Essa atmosfera diferentona é um pontapé inicial para considerar uma viagem para o Estereo Picnic e variar um pouco a paisagem dos grandes festivais internacionais que acontecem na América do Sul na virada de março pra abril.

Apesar de compartilhar boa parte do lineup gringo dos Lollas (Brasil, Argentina e Chile) e do Asunciónico (Paraguai), o Estereo Picnic tem variações de tom que o colocam num espectro diferente dos demais. Coincidência ou não, o slogan do festival é “Un Mundo Distinto”.

Dessa turma toda, ele é o mais antigo. Foi lançado em 2010, um ano antes da chegada do Lolla à América do Sul (que se instalou primeiro no Chile). Com isso, criou uma identidade descolada muito própria, pois cresceu sem as referências vizinhas, que por sua vez vieram importadas.

A campanha da edição 2019 é uma amostra de como o festival tem uma linguagem bem peculiar, olha só:

Apelo visual

O cuidado com a cenografia, uma grande responsável por criar o ambiente cool-surrealista que eu descrevi no início, além de singular, é raro de se ver nos outros festivais. O cenário natural não fica atrás. Tudo acontece ao longo de três dias no Parque Deportivo 222, aos pés da serra que rodeia a região. Só a visão da Cordilheira dos Andes de dentro do Lolla Chile, no Parque O’Higgins, rivaliza com um cartão postal desses.

Além disso, ao contrário do calor – ou ao menos do clima ameno que prevalece nos demais festivais da época, no Estereo Picnic o frio é a regra. Bogotá está acima da linha do Equador. Portanto, com estações invertidas, o festival acontece com os termômetros entre 15° e 20º.

No pacote da experiência do Estereo Picnic ainda temos a própria Bogotá, uma das capitais sul-americanas mais interessantes. Caótica, sim, mas um prazer pra quem se sente bem em grandes metrópoles.

Depois disso tudo você tá considerando uma viagem para o Estereo Picnic?

Se o Estereo Picnic e/ou Bogotá estão na sua mira, reserve os meses de março e abril para fazer essa viagem. As datas do festival oscilam por estes meses. Quando fui, em 2015, ele foi em meados de março, o primeiro no calendário da região. Já em 2019, ele encerra a temporada dos festivais internacionais de março. Mais precisamente, ele vai coincidir com as datas do Lollapalooza Brasil (5, 6 e 7 de abril).

Em geral, as datas são confirmadas em junho/julho do ano anterior, quando saem também as datas de todos os outros festivais mencionados neste texto. Tendo isso em mente, é possível começar a planejar a viagem para o Estereo Picnic

Ingressos

A venda de ingressos normalmente em agosto ou setembro; vale acompanhar as redes sociais do festival para não ficar refém dessas variações. Também compensa comprar o primeiro lote, que eles chamam de “creyentes” (os crentes que confiam no festival antes do anúncio do lineup).

Um passe de três dias parte de algo próximo de R$ 700 (algo em torno de 500 mil pesos colombianos). E existe a possibilidade de parcelar a compra neste primeiro momento, uma modalidade de pagamento que pode ajudar muita gente. Para isso, é preciso cadastrar-se no site para entrar no sistema de “alcancía” (o nosso bom e velho porquinho de economias).

Passagens

Este pode ser o item mais pesado de um orçamento de viagem para o Estereo Picnic, pois as passagens até Bogotá não têm preços muito amigáveis. Menos ainda com o dólar subindo tanto. Um preço baixo, na média, fica na casa dos R$ 1.800, mas é possível os preços baterem até os R$ 3 mil, dependendo da data.

Criar alertas para monitorar os preços é a melhor recomendação para tentar obter preços melhores nesse caso.

Hotéis

Financeiramente falando, felizmente, o custo com hotéis em Bogotá não pesa como as passagens, caso você precise de opções econômicas. O único segredo é entender bem a lógica do traçado da cidade na hora de escolher onde ficar. Basicamente é assim: as ruas (calles) são ordenadas numericamente e cortadas pelas carreras (avenidas), também numeradas.

Neste texto sobre onde ficar em Bogotá, eu explico em detalhes essa matemática da capital colombiana e em cima dela dou sugestões de hotéis para o festival (inclusive o que eu fiquei).

os festivais não estão ficando iguais

Priscila Brito

Dinheiro

Leve reais e você conseguirá facilmente trocá-los por pesos colombianos em Bogotá. Apenas habitue-se antecipadamente com a escala da moeda local. Na cotação de setembro de 2018, por exemplo, R$1 equivale a 700 pesos colombianos.

Para ter uma noção melhor dos valores, neste site você pode consultar o custo de serviços, bens e mercadorias em Bogotá e fazer as conversões da moeda local para o real e vice-versa.

No festival

Se eu tivesse que dar apenas uma dica para aproveitar bem o Estereo Picnic, seria: planeje bem o seu meio de transporte para ir e voltar do festival. O Parque Deportivo 222, onde ele acontece, fica no norte de Bogotá. É uma região bem afastada do centro e mal servida de transporte público. Em resumo: fora de mão.

Atualmente o festival tem um esquema de transfer oficial com ônibus e vans e pode compensar optar por este serviço. Porém, não posso dizer se funciona na prática, pois eles não ofereciam isso quando estive lá. Verifique os detalhes no site do festival. Por sorte, na minha viagem, o hostel onde me hospedei organizou uma van com todos os hóspedes que iam ao festival. Isso salvou todo mundo. A outra opção na época era táxi, o que ficaria bem caro por conta da distância.

Planeje também o seu tempo de deslocamento com antecedência, pois o trânsito de Bogotá é pesado. Por fim, já contei em outra ocasião como é a estrutura do Estereo Picnic.

Em Bogotá

Na minha viagem para o Estereo Picnic, reservei quatro dias apenas para Bogotá. Achei que foi o bastante, mas essa percepção pode variar conforme for o seu ritmo de viagem. Como toda grande metrópole, não falta o que fazer.

Em meio às ruas cheias de gente e muita buzina (eles buzinam demais lá!), tem muita história. O bairro histórico da Candelária é o básico do básico do turismo, onde estão muitos pontos de interesse turístico da cidade. O Cerro Montserrate, que percorre o horizonte da cidade, é outro passeio que vale a pena. Pode ser de teleférico ou na coragem mesmo, com uma caminhada a pé (eu fui na opção do teleférico).

Além disso, quem curte arte urbana vai gostar mais ainda da cidade. Mantenha o olhar atento por onde passar e você vai se surpreender com a quantidade de grafites que colorem a cidade.

Por último, mas não menos importante, atenção mais uma vez ao transporte. Bogotá não tem metrô e o transporte público gira em torno basicamente do sistema rápido de ônibus (BRT). Entender como funciona o Transmilenio, o BRT deles, vai facilitar sua viagem.

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Sou uma das mães do Festivalando e fiz Paul McCartney falar uai no Mineirão. Só porque eu gosto de música. Nas horas vagas, faço coisas sérias e tento salvar o jornalismo.

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