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Turismo musical em Buenos Aires: um tango com os Beatles numa loja de disco

Dançando um tango com os Beatles numa loja de discos em Buenos Aires. É claro que isso não aconteceu. Mas se fosse para resumir minha experiência musical pós-Lollapalooza Argentina num mashup, esta frase seria espirituosamente perfeita. Na busca pelo turismo musical em Buenos Aires, concentrada em mais ou menos uma dezena de quarteirões espremidos entre as avenidas Corrientes e Santa Fe, passei uma tarde entre as muitas lojas de discos do centrão da capital, ouvindo os Beatles e o tango de Gardel.

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Turismo musical em Buenos Aires: um mapa guia

Todos os lugares citados neste roteiro de turismo musical em Buenos Aires (em negrito) têm sua devida localização e endereço sinalizados no mapa abaixo.

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Este texto pode ser melhor apreciado ao som desta playlist de viagem para Buenos Aires 😛

Tudo começa em tango: Museo Casa Carlos Gardel e Paseo del Tango

Eu queria fazer algo relacionado ao tango, mas estava com medo de cair nas muitas pegadinhas de shows de tango para turistas em Buenos Aires. Achei mais seguro, então, ir ao Museo Casa Carlos Gardel. O caminho já te prepara para o que está por vir. A estação de metrô mais próxima é a Carlos Gardel. Grafites com o rosto do artista as ruas.

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Como o nome já indica, o museu em questão conta a história do principal nome do tango. Fica instalado na casa onde Gardel passou a infância, a três quarteirões da avenida Corrientes. O museu é tão pequenino quanto a casa, mas conta de um jeito bem estruturado, com recursos multimídia e documentos, a trajetória do artista.

Se quiser esticar a visita, é só colocar um dos fones de ouvido disponibilizados pelo museu e parar pra ouvir as centenas de tangos gravados por Gardel. Às quartas-feiras a entrada é gratuita.

Para continuar no clima de tango, é só voltar em direção à avenida e prestar atenção na ruela à direita. É o Paseo del Tango, uma ruela que ganhou estátuas de Gardel, Piazzolla e Tita Merello, outros grandes nomes do tango.

As galerias temáticas e as lojas de discos

Segui a pé pelo furdunço da Corrientes. A ideia era visitar algumas lojas de discos indicadas pela Rolling Stone Argentina. Dessas de onde o Rob Fleming pode sair a qualquer momento. Mas, muito mais que personagens pop, o que encontrei foi um padrão. Elas ficam em galerias, dessas típicas de grandes centros. O detalhe maior é que as galerias são meio que temáticas, concentrando lojas de um mesmo segmento – mas nunca da música exatamente.

Por exemplo, em uma galeria povoada de sex shops e milhões de brinquedos eróticos fica a Oíd Mortales, uma loja de discos roots, pequena, que vende lançamentos em vinil e camisetas de artistas indie. Dentre as peças na vitrine, blusas do Mogwai, Pulp e Sigur Rós.

A poucos metros dali, na galeria das óticas (assim eu concluí pela quantidade de lojas do tipo) fica a Bonus Track. Por lá o foco são vinis antigos e raridades. Quase vizinha é a El Gallo Cantor, numa galeria “SRD” (tinha lojas de vários tipos). Por lá, chamam atenção os discos de artistas latinos.

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O passeio continuou pela vitrine da chamativa C Disqueria. Esta era a única de todas as lojas citadas que tocava música no último volume. Provavelmente um recurso para chamar atenção dos muitos turistas que passam por lá. No momento em que passei, tocava “Love me Do”. Isso me fez lembrar de uma outra grande atração musical ali naqueles arredores da Corrientes.

Museo Beatle, o museu da beatlemania em Buenos Aires

museu dos beatles

Buenos Aires tem um museu dedicado aos Beatles, assim como em Liverpool. É o Museo Beatle. Mas se o exemplar britânico tem foco na história da banda, o argentino está mais para um museu da beatlemania. Basicamente, o acervo é composto por memorabília de um fã argentino. Sendo assim, é um bom exemplo das características que o fanatismo pela banda assumiu no seu auge.

Eu já tinha conhecido o espaço na minha primeira visita a Buenos Aires, portanto continuei a caminhada em direção à avenida Santa Fe, onde a melhor surpresa ainda estava por vir.

Tinha uma surpresa no meio do caminho

Fui até a avenida Santa Fe para continuar a peregrinação pelas lojas de discos. Assim como a Corrientes, lá é outro foco desse tipo de estabelecimento.

Antes, no caminho de uma avenida pra outra, passeio pelo Teatro Colón, que ficou só no plano das ideias deste roteiro de turismo musical em Buenos Aires. Eu queria fazer a visita guiada desta que é uma das mais bem conceituadas casas de ópera do mundo, mas o local estava fechado para um evento, infelizmente.

Então, o jeito foi seguir direto mesmo para mais uma rodada de disquerias, para usar o termo local. Comecei pela Abraxas e logo vi o padrão se repetir: loja de disco em galeria temática. Desta vez, era a galeria das roupas.

Dentro da loja em si, uma mistura de comércio e curadoria. Alguns discos estão organizados em ordem alfabética/estilo musical, outros pelas recomendações da loja – staff pick. O “Different Class”, do Pulp, era um deles (coincidentemente, um dos meus discos preferidos). No geral, dá pra encontrar por lá antigos compactos em vinil e lançamentos em CD.

Ainda faltava uma última loja da lista. Sem saber, o melhor tinha ficado para o final.

Bond Street, “a” galeria em Buenos Aires pra quem gosta de música

turismo musical em buenos aires

Depois de visitar lojas de discos rodeadas por sex shops, óticas e fast fashion, finalmente encontrei uma loja em seu habitat natural. A loja de discos em questão era a Anthology (uma referência aos Beatles, será?). A galeria era a Bond Street, focada em cultura rock, alternativa e afins.

Nesse cenário, a Anthology é apenas um detalhe no meio de tudo. Na Bond Street fica o mais famoso estúdio de tatuagem da Argentina, o American Tattoo. Por lá passaram Gilby Clark e outros nomes conhecidos, além de lojas especializadas em coturnos, piercings, narguilés, moda com inspiração rock e punk. Um ótimo passeio pra quem gosta desse universo.

Terminei a tarde grata com a surpresa e com a minha própria curiosidade. Quando estive na cidade pela primeira vez, passei ali do lado para conhecer a livraria El Ateneo, parada típica de um roteiro em Buenos Aires, e não tive a capacidade de ver as coisas além do óbvio.

Bruce Springsteen, que sequer faz parte da playlist que acompanha este post, tem o tema que resume a história toda. Well, surprise, surprise, come on open your eyes.

A viagem para Buenos Aires teve o apoio da eDestinos.

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Sou uma das mães do Festivalando e fiz Paul McCartney falar uai no Mineirão. Só porque eu gosto de música. Nas horas vagas, faço coisas sérias e tento salvar o jornalismo.

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