tempelhoferFotos Priscila Brito

Tempelhofer: ex-aeroporto, parque do futuro e casa do Lolla em Berlim

Que utilidade tem um aeroporto desativado em Berlim? Inúmeras. Experimentação urbana, parque e lugar para eventos e festivais de música. Pois, para uma cidade que teve que se reconstruir quase toda após a Segunda Guerra, encontrar vida num lugar intacto é fichinha. É por isso que o aeroporto Tempelhofer, desativado desde 2008, vem sendo transformado desde 2010. Hoje rebatizado de Tempelhofer Freiheit (freiheit é liberdade em alemão), ele é majoritariamente usado como parque pela população (e turistas, por que não?). É também laboratório para ideias inovadoras no uso de seu espaço e será a sede do Lollapalooza Berlim, em setembro de 2015. Será a primeira edição do festival na Europa.

Primeiro, é preciso dizer que o Tempelhofer jamais seria deixado às traças por sua importância histórica para Berlim. Durante 15 meses, no auge da Segunda Guerra Mundial, quando os soviéticos fecharam todos os acessos por terra à capital alemã, Tempelhofer foi a salvação da cidade. Foi por via aérea, no aeroporto em questão, que Berlim e seus 2,5 milhões de habitantes à época foram abastecidos. Talvez até por isso a desativação do aeroporto seis anos atrás tenha gerado protestos de parte da população.

Segundo, o conceito de parque cabe mais para definir o uso do lugar que o espaço em si. Não foram feitas mudanças no espaço físico para que o aeroporto ficasse com a cara das imensas áreas verdes e arborizadas que vêm a nossa cabeça quando pensamos em parque. Tudo continua como era antes. As pistas de pouso e decolagem são o espaço para caminhadas e para pedalar (onde há sinalização); o gramado existente é o mesmo de antes, usado para separar as pistas. Mas a maioria parece ter entendido a proposta e usa livremente o agora maior parque público de Berlim.

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Uma geral no Tempelhofer

A futura casa do Lolla na Europa tem espaço de sobra para a prática de esportes. Fui lá num meio de semana, numa manhã bem cinzenta, mas tinha gente fazendo de tudo: patinando, andando de skate, de bicicleta e até arriscando um parapente, já que os ventos que chegam na direção do local facilitam a prática dessa atividade.

Fora isso, há áreas reservadas para recreação de cães e para churrasco – é comum pelas bandas de lá o pessoal fazer churrasco em parques, com umas mini-churrasqueiras, além de um mirante de onde é possível ver a skyline da cidade e alguns de seus símbolos, como a torre de TV da Alexander Platz. Tem também uma reserva de pássaros, com espécies típicas do local – fico imaginando como os shows do Lolla vão perturbar o sossego dos bichinhos, coitados. Já os prédios, onde antes funcionavam as salas de embarque, check in e afins, são alugados para realização de eventos diversos, como congressos e feiras.

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Uso inteligente dos espaços da cidade

Conforme indicam as placas no próprio parque, o Tempelhofer em sua versão recreativa nasce da capacidade natural que Berlim tem de usar de maneira espontânea e não planejada espaços públicos. A diferença é que agora o processo é meticulosamente planejado pelas autoridades da cidade, que vão desenvolver até 2017 projetos que adaptem e enriqueçam o espaço onde um dia funcionou o aeroporto, em uma experiência de desenvolvimento urbano sustentável. Como eles mesmos resumem: “um espaço criativo para o século 21”.

A direção encoraja grupos organizados a proporem suas ideias de uso do espaço e, em último caso, coloca-lás em prática. Para isso, há um cantinho no parque designado “Pioneers”. Dentre as ideias, aulas de teatro, oficinas educativas e a ideia de construir uma biblioteca. Como se vê tem espaço pra tudo, até para festival indie. Lolla Berlim 2015, o Tempelhofer te espera (e espera você também, que pretende um dia visitar essa cidade incrível).

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Tempelhofer Freiheit

Aberto diariamente (horários variam conforme a época do ano
Para chegar:
– Trem: linhas S41, S42, S46, S47 (estação Tempelhof)
– Metrô: linhas U6 (estação Tempelhof ou Paradestraße), U7 (estação Südstern) e U8 (estaçãões Hermannplatz, Leinestraße, Boddinstraße)
– Ônibus: linha 104 (parada Friedhöfe Columbiadamm ou Golßener Straße)

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Sou uma das mães do Festivalando e fiz Paul McCartney falar uai no Mineirão. Só porque eu gosto de música. Nas horas vagas, faço coisas sérias e tento salvar o jornalismo.

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