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“Ou eu ou o festival”: problemas com relacionamentos, liberdade e viagens para festivais

Há menos de um mês, eu recebi um comentário de uma pessoa que nos lê aqui no blog, em um dos meus posts, e fiquei impressionada com a situação. A pessoa contou sobre um problema que ocorreu durante um relacionamento, por causa de uma viagem para festival. Desde então, eu estava convicta de que era preciso falar sobre problemas com relacionamentos, liberdade e festivais de música.

Escolhi escrever dentro da categoria ‘viagem’, porque o caso contado remete a uma preparação de viagem para festival. No entanto, a ideia central é válida para qualquer ida a festival, sendo na gringa ou a dois quarteirões da sua casa.

“Ou eu ou o festival”

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Imagine que você namora e que, junto com seu/ sua [email protected], decidem que vão juntos para um festival de música no exterior. Esse era um dos seus grandes sonhos. Você ficou meses planejando isso, juntando grana, comprou ingresso e passagem para os dois.

Mas aí, faltando pouco tempo para o sonho se realizar, seu/ sua [email protected] fala que não vai mais. Pior do que isso. Além de não ir, a pessoa te coloca contra a parede e te faz escolher entre ela, ou seja, o namoro, ou ir ao festival – É, leitoras e leitores: precisamos falar sobre isso!

Afinal, quanta gente por aí tem desistido de seu sonho de viajar para festival por causa de uma questão que poderia ser resolvida com maturidade pelos envolvidos? Garanto que não são poucas as pessoas. Estamos [email protected] a isso, em geral, quando começamos algum namoro ou relacionamento. Infelizmente, às vezes tendo a achar que as mulheres são automaticamente as que mais sofrem com esse tipo de privação, devido a todo o histórico de repressão e de domínio do patriarcado. Mas, recentemente, tenho visto que homens também estão sofrendo com essa questão.

‘Ou eu ou o festival’ não traduz uma equivalência justa. É, na verdade, um golpe baixo. Algo assim está muito longe de ser amor. Na verdade, parece mais sentimento de posse.

Liberdade e relacionamentos

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Antes de qualquer coisa, ninguém é obrigado a nada nessa vida. Nem você é obrigado a ficar em casa por que seu/sua [email protected] não quis ir ao festival, nem seu/sua [email protected] é [email protected] a ir com você.

Respeitar os limites e os direitos de ir e vir de cada um é imprescindível para qualquer tipo de relação, ainda mais amorosa. Não é mantendo a pessoa colada em você o tempo inteiro que você vai garantir o amor dela. Ainda mais com o mundo em que vivemos hoje, em que as redes sociais e aplicativos fazem transcender qualquer questão de espaço. Ou seja, se a pessoa quiser te trair, ela vai dar um jeito, indo ao festival ou ficando em casa bodando com você!

A liberdade não tem que depender da confiança. A liberdade é algo que deveria ser nosso desde que nascemos. O que quero dizer é que, não tem essa de “precisamos ter confiança um no outro, para depois podermos sair sozinhos por aí”. Não é assim. A pessoa que quer ter um relacionamento monogâmico vai saber como respeitar o acordo, independente de onde ela esteja.

Abrir o jogo desde o início facilita a vida nos relacionamentos

Voltando ao caso do/da [email protected], é preciso entender que alguém falhou em não comunicar o que realmente pensava sobre festivais de música desde o início. Por algum motivo, guardou, ’empurrou’ a questão com a barriga, até deixar que outra pessoa perdesse tempo e dinheiro planejando uma viagem para dois. E o planejamento de uma viagem para dois é diferente do planejamento de uma viagem para um. Ou seja, a pessoa causou uma confusão gigante na vida do/da [email protected]

Esse tipo de situação relatada não envolve somente perda de grana. Mas também, dá uma brochada na vida a dois e tira menos 10 de life no nível da paciência e compaixão.Se alguém está mesmo afim de namorar com você, essa pessoa vai entender que em algumas áreas da vida você sente, pensa e quer coisas diferentes do que ela. E isso não vai ser um obstáculo para o relacionamento acontecer. Mas, se você não fala, essa pessoa nunca vai saber. E não sabendo, as consequências são ruins para ambas as partes.

A possibilidade de a ‘parte festivaleira’ também esconder que tem planos de ir a um festival, a princípio [email protected], também existe. E daí acontece aquela situação chata do ‘mas você nem me falou!’. Por isso, a melhor coisa é abrir o jogo logo de cara: sou [email protected] por festivais, vou em todos. Se quiser ir comigo, bora! Vai ser um prazer. Mas se não quiser, eu vou mesmo assim!

O que você procura em um relacionamento?

Por outro lado, sabemos que algumas pessoas estão buscando ideais um pouco controversos de relacionamentos amorosos. Aquela ideia de querer um amor com quem se possa fazer tudo junto, viver grudado é bem recorrente. E são bem recorrentes também as falhas deste tipo de relação, bem como as separações.

A minha opinião sobre isso é que é muito chato não ter espaço para ser você mesmo, para fazer aquilo que você realmente gosta sem estar acompanhado. As pessoas precisam ter seus espaços próprios. Aprender a gostar de si mesmo como companhia é uma das melhores coisas a se fazer. Não precisa procurar uma namorada ou namorado que curta festival para ter companhia. Amigos, conhecidos da internet podem ser boas opções. Não adianta você buscar em uma pessoa que não gosta de festivais uma companhia para ir em festivais. A frustração vai ser grande, para ambos.

Por fim, sua namorada ou namorado não gostar de festivais não é o fim do mundo. Desde que ela ou ele não te proíbam de ir. Não podemos fazer todas as projeções de vida em cima de outra pessoa, ou exigir que ela goste das mesmas coisas que gostamos, só porque você achava que ela era sua ‘alma gêmea’!

Fuja das relações abusivas

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Se alguém chegou a te pedir para escolher entre ele ou o festival, sinto muito, my friend, mas preciso te informar que você está em uma relação abusiva. Alguém está abusando de você, usando da violência simbólica e reivindicando poderes que não tem, ou não deveria ter.

Um dia, a pessoa faz isso com relação a um festival. No outro, pode ser que ela te faça escolher entre um amigo ou amiga e ela, entre seus familiares e ela, entre seu carro, cachorro, gato, papagaio e ela… enfim. Uma vez que você abre um precedente, a pessoa ganha poder e acha que te tem nas mãos. Vai fazer isso sempre, sem limites.

Se eu pudesse dar um conselho, acenderia uma luzinha vermelha para esse seu relacionamento, migue.

E se fosse eu nesse relacionamento?

Deixei para o final a solução que eu daria para a situação, caso tivesse chegada a tal nível. É óbvio que eu iria para o festival! Sei que nem sempre é fácil. Eu mesma já tive que fazer essas escolhas injustas, já fui colocada na parede. Mas não é só uma ida a um festival que está em jogo aqui. Está em jogo a sua liberdade, que deve ser mais valiosa do que qualquer relacionamento.

É preciso se amar para ter a coragem de fazer isso. De certa forma, pode até fortalecer um relacionamento. Mas se a pessoa quer te privar de algo que você adora, repito a sabedoria presente na música popular brasileira: não é amor, é cilada! hauahauahau. E olha, se a pessoa terminar com você, tendo a achar que você ficou foi livre de um encosto, viu? hahaha, levanta, se arruma e vem festivalar! Viaje para um festival, e pronto!

Mas se viajar  para festival for uma prioridade com seu/ sua [email protected]?

Caso viajar/estar com a pessoa amada em um festival faça parte do seu sonho e você não gostaria de abrir mão disso, acho que algumas precauções devem ser tomadas:

•Conversar exaustivamente sobre o tema festival de música e viagem para festival, de forma a ver os pros e contras para ambos deste empreendimento;

•Deixar claro gostos e intenções para os parceiros desde o início. Nada disso de aparecer com surpresa de ingresso comprado e hotel reservado;

Uma vez que ambos entraram em um acordo de destino e festival, é necessário um esforço conjunto de planejamento de toda a viagem e do festival;

•O processo de planejamento deve ser democrático, com concessões que não vão limar muitas vontades nem de um, nem de outro;

Para guardar em uma nota mental: vocês não precisam estarem grudados o tempo inteiro dentro do festival, ou na viagem. Dêem espaço uns para os outros.

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Gracielle Fonseca

Não faço nada na vida sem paixão. Tanto que, pra me formar em Jornalismo, tive que fazer um TCC sobre metal, o Ruído das Minas: a origem do heavy metal em BH. Também decidi que faria o primeiro documentário no mundo sobre Mulheres no Metal, o Women in Metal, e fiz. Comecei a ir em festivais de metal internacionais em 2009. Desde então, viajar em busca da música, essa outra paixão, tornou-se um projeto profissional que hoje chamamos de Festivalando.

4 comments

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  1. Renan 14 setembro, 2016 at 16:58 Responder

    Fico feliz e lisonjeado por ter colocado a minha dúvida em seu post, Gra. Na verdade isso nunca aconteceu comigo, pelo menos ainda. Mas conheço pessoas que passam e vão passar por essas situações. O que eu reparo nas pessoas, é que as que são festivaleiras ou não, trabalham com produção musical, no meio televisivo ou radiofônico estão mais propensas a passar por um tipo de situação dessas que eu mencionei e que vocês expôs aqui. É claro que não é todo mundo, mas existem muitos casos assim. Hoje em dia, ninguém quer ceder e ai a relação fica estrangulada, vira um egoísmo, uma chantagem emocional. Isso é muito foda, Gra! Eu sou um cara que tenho muito dessa veia festivaleira e boemia e vou continuar a fazer enquanto eu tiver vontade de fazer, se não me aceitar do jeito que e sou, paciência! Haverá outras pessoas legais para se conhecer. Mas é aquilo que eu também cheguei a comentar aqui com você: é preciso colocar no pacote do relacionamento que você gosta de fazer tal coisa, se não ele(a) vai ter chamar de egoísta e vai rolar aquele dramalhão de novela mexicana com direito a choradeira e tudo, e até mesmo uma separação. Quando a gente envelhece e amadurece mais, vamos adquirindo um nível de experiência em que temos mais facilidade de falar isso. Se rolar tipo um ou o festival ou eu, não tenho dúvida no que falaria hoje. Mas a base para um relacionamento sólido e a confiança, o respeito e o bom senso nessas horas. Eu aconselho a todos buscarem seus sonhos no que quer que seja e sabermos respeitar o espaço do outro, não é verdade? Se a gente tira o espaço da pessoa, vai ter uma hora em que ou a coisa vai desandar ou esse alguém vai continuar te dominando. No mais, valeu por esclarecer essa minha dúvida. Nem esperava que fosse respondê-la por aqui no Festivalando.

    • i am yanka (@killedbydwones) 30 setembro, 2016 at 22:38 Responder

      Nunca me identifiquei TANTO com essa materia como agora! Sei perfeitamente o que é isso!
      Mumford and Sons é uma das minhas paixões e eu fui aos dois shows aqui no Brasil esse ano. Meu ex não queria de jeito nenhum que eu fosse, eu fui brigada com ele mas depois que passou os shows eu me acertei com ele, mas no final de tudo acabamos não dando certo por causa dessas e outras questões.
      Como o colega Renan falou anteriormente: É preciso ser aberto com a pessoa sobre os seus hobbies, sobre seus divertimentos, senão vai dar treta.

      E o principal: seja quem você é e continue festivalando, com o namorado(a) junto ou não. Seja feliz!

      • Gracielle Fonseca 4 outubro, 2016 at 11:24 Responder

        Que linda, Yanka!!!! Adoro ver essas mulheres empoderadas como você! É isso aí! Vamos ser felizes e fazer os outros felizes, cedendo quando preciso, negociando sempre, mas nunca abandonando os nossos sonhos e hobbies de vez! Bom que você curtiu o post. Obrigada pelo comentário e volte sempre, hehe. Beijão!!!!

    • Gracielle Fonseca 4 outubro, 2016 at 11:32 Responder

      hehehe, então, Renan, mas outra pessoa tb me chamou no face para contar que viveu a mesma treta, acredita? Por isso falei de forma genérica, heheh. Mas o post foi motivado por vc que cutucou a gnt para esse assunto e sugeriu. Adoramos sugestões, viu?1 As suas, então, são sempre bem vindas!! Obrigada e um bj!

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