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festivais e coronavirusCoachella. Chris Miller/Divulgação

Os festivais e o coronavírus: o saldo até aqui e as perspectivas lá na frente

Atualizado em 18/03/20 às 20h34 – O adiantamento do Lollapalooza Brasil de abril para dezembro em função das medidas de contenção do coronavírus é só o exemplo mais próximo de nós de como a pandemia de Covid-19 está afetando o calendário dos grandes festivais internacionais neste ano. Dos vizinhos da América do Sul, passando por Estados Unidos, Europa, Ásia e Oriente Médio, foi difícil manter de pé eventos de larga escala até então programados para março e abril (veja mapa mais abaixo).

Mais que isso, os festivais agendados para a alta temporada de verão do Hemisfério Norte – a partir de maio nos EUA e de junho na Europa – já estão se posicionando sobre eventuais medidas que possam vir a ser tomadas nos próximos meses.

Cancelamentos e adiamentos

Até o momento, o adiamento do Coachella (de abril para outubro) e o cancelamento do South by Southwest e do Ultra Miami, todos grandes nomes da indústria dos festivais, puxam a fila dos impactos nos Estados Unidos, o país com maior número de festivais atingidos até aqui. São, por enquanto, seis festivais cancelados e dez adiados para o segundo semestre.

Todos os afetados ocorreriam entre março e abril, com exceção do Lightning in a Bottle, na Califórnia, que estava agendado para o fim de maio. A organização do festival se antecipou e justificou o cancelamento dizendo que está ciente de que “recursos significativos da região dos quais dependemos para produzir um evento seguro não têm garantia de estarem disponíveis nos próximos meses para serviços não-essenciais”.

É possível que o número de festivais atingidos nos Estados Unidos aumente, pois neste domingo (15) o Centro de Controle e Prevenção de Doenças do país (CDC na sigla em inglês) recomendou que eventos com público superior a 50 pessoas sejam cancelados ou adiados nas próximas oito semanas – o equivalente a até 15 de maio.

Fallow Year forçado

Na Europa, a maior baixa no momento é o Glastonbury, que comemoraria seus 50 anos em julho e até semana passada transmitia otimismo quanto a sua realização, por meio de mensagem da co-produtora Emily Eavis em sua conta pessoal no Instagram. Segundo a organização, esta foi a única alternativa diante do cenário atual. Para que o festival pudesse acontecer no fim de junho, seria necessário passar os próximos meses com milhares de pessoas trabalhando em campo na construção da estrutura do evento.

Como o governo britânico determinou nesta semana uma política de distanciamento social, o trabalho prévio necessário para a realização do festival fica inviabilizado. Deste modo, o Glastonbury terá um fallow year forçado – o fallow year é a pausa que o festival faz normalmente a cada quatro ou cinco anos para dar um descanso à Worthy Farm, à comunidade que vive no entorno e à equipe de trabalho.

Pelo mundo

Produtores também tomaram a decisão de cancelar o Tomorrowland Winter (que ocorreria em março, nos alpes franceses), o Knotfest Japão e o Ultra Abu Dhabi, que faria sua estreia nos Emirados Árabes Unidos.

Na Austrália, um cancelamento de festival veio por outras vias. A versão local do Download deixou de acontecer porque o My Chemical Romance, headliner do festival, decidiu não viajar até a Oceania para preservar a segurança da banda e sua equipe. Sem tempo hábil para encontrar um substituto, a organização optou por cancelar o festival.

No Brasil, além do Lollapalooza, o Abril Pro Rock também foi adiado para o segundo semestre. O festival Música em Trancoso, inicialmente previsto para março, foi cancelado.

No mapa: cancelamentos em laranja e adiamentos em amarelo

Temporada de verão em monitoramento

Diante da imprevisibilidade do quadro futuro, alguns dos grandes festivais de verão na Europa e nos Estados Unidos já estão se posicionando. Principalmente aqueles agendados para maio e junho, pois são os que têm uma janela temporal menor – ainda que razoável – até a desejável contenção da pandemia causada pelo coronavírus.

Na Europa

Primavera Sound (Espanha), Sweden Rock (Suécia), Rock am Ring (Alemanha), os três agendados para o início de junho, Roskilde Festival (Dinamarca) e Hellfest (França), ambos programados para o fim do mesmo mês, divulgaram comunicados ao público.

Festivais mais à frente no calendário, como Wacken (Alemanha) e Sziget (Hungria), planejados para o fim de julho e início de agosto, respectivamente, também fizeram comunicados. Alguns adotaram perspectivas sutilmente diferentes face o problema, mas todos se posicionaram com cautela, sem excluir o coronavírus do horizonte.

Primavera Sound

Leia aqui o comunicado completo sobre o Primavera Sound, em Barcelona, e também sobre a edição que acontece no Porto, o NOS Primavera Sound.

Neste momento, estamos trabalhando de casa no planejamento e organização das edições deste ano do Primavera Sound Barcelona e do NOS Primavera Sound Porto. Mas também estamos estudando outras possibilidades para o que o festival possa ser realizado este ano.

Sweden Rock

Leia o comunicado completo aqui.

“Compreendemos que a atual situação gera preocupação e estresse, mas como ainda há alguns meses até o festival, o plano de realizar o Sweden Rock Festival de 3 a 6 de junho permanece. Seguimos trabalhando duro para preparar uma ótima experiência neste verão. Estamos monitorando a situação, com a maior atenção à segurança e bem-estar do nosso público e equipe. Todas as decisões que tomarmos serão feitas em concordância com as regulamentações correntes e em diálogo com as autoridades.”

Roskilde Festival

O Roskilde Festival criou uma longa sessão de FAQ dedicada às principais dúvidas do público sobre como a disseminação do coronavírus pode afetar o festival.

“Primeiro de tudo, mantemos nosso planejamento na expectativa de que o Roskilde Festival aconteça como esperado. O RF50 só será daqui a alguns meses, e as recomendações das autoridades para que eventos com mais de 100 pessoas sejam limitados se aplicam apenas ao mês de março. (…) Ao mesmo tempo, a situação – e as recomendações das autoridades – mudam quase que de um dia para o outro. Por isso, é difícil para nós darmos respostas claras para todas as questões que vocês estão nos enviando, porque nunca estivemos em uma situação como esta antes.”

Rock am Ring

Acesse o comunicado aqui.

“No momento, o Rock am Ring 2020 acontecerá conforme planejado e os preparativos estão a todo vapor. A saúde do público, dos artistas e funcionários é a nossa principal prioridade e, é claro, acompanhamos de perto os acontecimentos. Caso algo mude na situação atual e as autoridades de saúde decidam sobre possíveis ajustes, nós os informaremos imediatamente.”

Hellfest

Leia aqui o comunicado completo, que trata também de outros eventos realizados pelos mesmos organizadores.

“Hellfest, que acontecerá daqui a três meses, não tem sua realização questionada no momento. Estamos alertas diante da situação atual e continuamos trabalhando duro (de casa!) para abrir as portas do inferno!”

Wacken

A íntegra do comunicado do Wacken está aqui.

“Estamos empolgados para celebrar com vocês o Wacken 2020. (…) Nossas operações seguem normais e estamos em contato próximo com as autoridades assim como com nossos prestadores de serviços, bandas e todas as outras partes interessadas. Caso haja quaisquer mudanças em relação ao festival, nós iremos informar vocês sobre elas.”

Sziget

Leia aqui a nota completa do Sziget.

“Faltando cinco meses, seguimos os preparativos pra que vocês tenham uma ótima experiência com a gente entre os dias 5 e 8 de agosto. Estamos monitorando de perto as determinações oficiais e gostaríamos de assegurar que, caso a orientação seja de que o festival não se realize, todos que compraram ingressos serão reembolsados.”

Nos Estados Unidos

Hangout Festival e Rolling Loud (agendados para maio), Electric Forest (previsto para junho) e Pitchfork Music Festival (julho) também fizeram comunicados relativos ao quadro atual. Assim como os europeus, os festivais dos Estados Unidos priorizaram a cautela.

Hangout Festival

O festival se manifestou brevemente via redes sociais.

“O Hangout 2020 será daqui a dois meses e, no momento, seguirá como planejado. Vamos continuar trabalhando com as autoridades para criar um festival seguro e saudável. Fiquem ligados para mais informações e atualizações sobre instruções, protocolos e recursos para garantir a saúde e a segurança de todo o público.”

Rolling Loud

Íntegra do comunicado aqui.

“Por enquanto, decidimos seguir com os preparativos para o Rolling Loud Miami (…). Queremos continuar produzindo o festival, mas ao mesmo tempo estamos flexíveis para adiá-lo caso seja o melhor para o nosso público.”

Electric Forest

Acesse a nota completa do Electric Forest.

“O Electric Forest, no momento, segue como planejado e vai continuar trabalhando com as autoridades para realizar um festival seguro e saudável. À medida que os dias passam, nós aprendemos e tentamos nos ajustar a uma situação que muda rapidamente.”

Pitchfork Music Festival

Leia aqui o posicionamento na íntegra do Pitchfork.

“Faltando dois meses para o festival, estamos planejando fazer um grande evento pra todos vocês de 17 a 19 de julho de 2020 em Chicago. Vamos continuar monitorando à medida que a indústria, a cidade e as autoridades de saúde atualizam os procedimentos para eventos de grande porte, e vamos implementar e comunicar esses procedimentos aos portadores de ingressos.”

Prevenção do coronavírus

Informe-se sobre prevenção do coronavírus, sintomas e tratamento no site do Ministério da Saúde e no aplicativo do SUS para Android e IOS. Lembre-se também de seguir todas as diretrizes das autoridades aplicáveis à sua cidade.

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Sou uma das mães do Festivalando e fiz Paul McCartney falar uai no Mineirão. Só porque eu gosto de música. Nas horas vagas, faço coisas sérias e tento salvar o jornalismo.

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