john lennon wallFotos Gracielle Fonseca e Priscila Brito

John Lennon Wall: obra de tudo e todos (até da zuera)

Imagine all the people escrevendo e desenhando todo tipo de mensagem e conteúdo em um muro escondidinho numa ruazinha em Praga. Assim é a John Lennon Wall. Era uma parede qualquer até 1980. Virou um símbolo de resistência nos anos iniciais daquela década. Hoje é um espaço para manifestação de toda e qualquer coisa – ideias, não ideias, bobagens, protestos, mensagens aleatórias, grafites. É a liberdade de expressão ao cubo. Um troco histórico na repressão que ajudou a tornar o pedaço de concreto mais um muro famoso na Europa. De quebra, ainda é o ponto turístico com aspecto mais transitório que você vai encontrar em uma cidade que atrai visitantes por causa de sua bela arquitetura que está ali de pé há séculos.

É logo após o assassinato de John Lennon, em dezembro de 1980, que a razão desse post começa a tomar forma. Jovens fãs do beatle morto a tiros resolveram transformar o muro na praça Velkopřevorské em uma espécie de memorial. Pintaram o rosto de John, escreveram algumas mensagens. Paralelamente, conversas e debates sobre o regime comunista que regia a então Tchecoslováquia deram origem a petições diversas. Umas pediam o fim da fabricação de armas nucleares; outras, a libertação de presos políticos.

O misto de liberdade e debate político contestatório incomodou as forças do Estado, que coibiram as reuniões e as intervenções no muro. Os desenhos e mensagens foram cobertos com uma camada de tinta, que por sua vez recebeu novas mensagens, cobertas novamente pelo Estado, para em seguida novas intervenções ocuparem o espaço, em um ciclo que se fechou com o fim do regime comunista. Na verdade, as camadas de tinta, frases e mensagens continuam se sobrepondo em ritmo mais acelerado até hoje. Mas por outras razões. Agora é para abrigar as múltiplas manifestações que centenas de turistas desejam estampar diariamente no muro, que se converteu em ponto de visitação na capital da República Tcheca.

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Obra aberta

Como há gente de todo tipo, nacionalidade, crença, whatever visitando o local, gente que gosta de Beatles, gente que não gosta, gente que gosta de Beatles mas prefere o Paul (eu!), gente que sabe da história do muro, gente que não sabe, há também todo tipo de intervenção também. Na visita que eu e Gra fizemos ao local, vimos desde divagações filosóficas sobre o queijo suíço até palavras de apoio a Gaza, que sofria com o bombardeio de Israel quando estivemos lá, no início de agosto.

john lennon wall

Ou seja, o gesto dos jovens de Praga continua sendo repetido três décadas depois, mas apenas na forma e não no conteúdo. E isso é ótimo. O cabo de guerra entre a censura do regime comunista e a expressão política dos jovens se arrebentou e se espatifou em incontáveis formas de expressão que não se prendem ao engajamento e sufocam qualquer tentativa de limitação. Da seriedade à zuera, vale tudo, meu bem. Até escrever Festivalando no muro, ainda que de maneira mais comedida que os coleguinhas brasileiros da Zona Leste de São Paulo.

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Mais interessante ainda é que, provavelmente, nada ou quase nada do que vimos na primeira semana de agosto deve estar lá agora. A rotatividade das intervenções é alta e o muro nunca é o mesmo. Quer uma prova? Veja imagens tiradas nos últimos 30 anos, em 1983, 1993 e 2013, de cima para baixo.

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Fotos (de cima para baixo) David Sedlecký, WikiCommons e David Sedlecký

Onde está o John?

Talvez você encontre sempre só rosto de John Lennon pintado em algum ponto, a única constante nesse painel de variáveis. A Gra, que deve ser muito boa em brincar de “Onde Está o Wally”, conseguiu achar o Wally-Lennon da vez.

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Como chegar na John Lennon Wall

Para deixar sua marca na John Lennon Wall, cruze a Charles Bridge saindo da cidade velha. Desça as escadas à esquerda e procure pela ruazinha sem saída, onde fica a praça Velkopřevorské.

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Sou uma das mães do Festivalando e fiz Paul McCartney falar uai no Mineirão. Só porque eu gosto de música. Nas horas vagas, faço coisas sérias e tento salvar o jornalismo.

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