zeeltje 2018Festival Zeeltje 2018. Ph: Jan Derk Kos.

Estrutura do Festival Zeeltje é pequena, mas feita com carinho

Antes de avaliar a estrutura do Festival Zeeltje, é preciso tecer algumas considerações. Estamos falando de um festival muito pequeno, que acontece em um vilarejo holandês de menos 2 mil habitantes. Por isso, não se pode esperar que este lugar esteja totalmente preparado para promover eventos de grande porte.

Mesmo assim, com todas as suas limitações o Festival Zeeltje teve compromisso em fazer bem aquilo que foi possível, dentro do contexto de um pequeno festival alternativo. É claro que, para o festival crescer e atrair mais público, é preciso repensar locação dentre outras coisas.

Saiba como é a experiência de estar no Festival Zeeltje 2018.

Estrutura do Festival Zeeltje é pequena, mas atende às proporções atuais do evento

Estamos falando de um festival de 3 dias cujo público máximo de pessoas foi 5mil, no total do fim de semana. Ou seja, é de fato um festival pequeno, ainda com poucas pretensões, apesar de já estar na sua 27ª edição.

Com dois palcos, nos quais tocam artistas locais e também internacionais, o festival tem a vantagem de trazer bandas como Nashville Pussy, Danko Jones e Kadavar para o pequeno vilarejo de Deest.

Apesar da lentidão da programação, os dois palcos funcionaram bem, com boa qualidade de som. Também vale destacar a atenção do festival com as áreas pra descanso e também para alimentação. Haviam muitas mesinhas espalhadas pelo local. Também havia até mesmo sofá para descanso e tudo mais. Pra além disso, cabe a nossa típica avaliação de outros quesitos do festivalômetro.

Pra complementar, entenda mais sobre a estrutrua do Festival Zeeltje nos stories do Festivalando no Instagram

Transporte

Partindo da estação central de Amsterdã, era possível chegar a Deest em menos de 3 horas, por meio das conexões de trem e ônibus. Também havia boas conexões partindo de cidades como Eindhoven e Arnhem. Porém, os horários eram limitados. Portanto, você deveria se planejar para não perder trens e conexões.

Do centro de Deest até o festival é muito fácil, sem longos percursos caminhando. Por isso, apesar de não ter transporte público passando na porta do festival com muita frequência, isso é algo que não faria falta, já que as distâncias dentro do vilarejo são tão curtas.

Além disso, a produção do festival também se organizou para garantir ônibus para os horários de menor oferta de ônibus e maior demanda do público. É realmente algo carinhoso um festival tão pequenino pensar sobre tal questão.

estrutura do festival zeeltje

Informações

As informações básicas sobre o festival são disponibilizadas. Porém, tudo em holandês. Poucas vezes foi possível ler alguma coisa que estivesse em inglês. Evidentemente que é muito diferente de falar num Hellfest da vida que já é um festival super internacionalizado e insiste e não tem informações em inglês sobre as vans, por exemplo. Ou de não ter todas as pessoas na equipe falando inglês para atender ao público.

O Festival Zeeltje ainda não chegou nesse nível de internacionalização. Poranto, é bem aceitável que ainda não haja tanta coisa escrita em inglês. Contudo, quando pedíamos informações em inglês, a equipe se comunicava bem e esclarecia as dúvidas.

também na parte de alimentação e dos caixas tudo estava em Holandês. Felizmente, algumas comidas são mais ou menos uma linguagem universal, tipo pizza, hehehe.

Hidratação e Comida

O Festival Zeeltje perdeu muitos pontos ao violar um dos princípios mais caros para a gente aqui no Festivalando: água de graça. O Zeeltje não tinha qualquer ponto com água de graça. Tampouco se poderia pedir uma kraanwater (água da torneira) nos stands de alimentação ou nos bares. Portanto, foi feio, foi lamentável.

Já as bebidas pagas, essas existiam em uma boa oferta e variedade, cerveja gelada e de boa qualidade, drinks e até mesmo café e capuccino. Os preços eram bem razoáveis comparando-se com a média dos festivais grandes. Por exemplo, era possível comprar cerveja de 500 ml por menos de 5 euros.

Na parte da comida, havia muita opção de fritas, pizzas, snacks em geral, hambúrgueres e outros tipos de sanduíche. Nada de comida saudável e leve, entretanto. Além disso, poucas opções vegetarianas/veganas que também estavam muito escondidas. Contudo, é preciso admitir que a comida estava muito saborosa, inclusive as batatas fritas e a pizza, hehe.

estrutura festival zeeltje

Conectividade

Outro ponto em que o festival falhou muito foi a conectividade. Talvez por ser tão pequeno, não estivessem tão preocupados em garantir wifi para o público em nenhuma parte do festival. Contudo, ainda era possível ter um sinal razoável de 3G e bom sinal telefônico para operadoras locais. (5)

Limpeza

Certamente, esta é uma das partes em que o festival fez mais bonito. Os banheiros eram de água corrente e estavam limpos e abastecidos do início ao fim do festival. Além disso, eram equipados com lavabos com sabonete, alcool em gel, secadores de mãos e espelhos. Isso é um luxo quando falamos de festivais de música.

O chão da área do festival também ficou muito limpo do início ao fim dos concertos. Haviam muitas lixeiras disponíveis e as pessoas também eram bem educadas.

estrutura festival zeeltje

estrutura festival zeeltje

Segurança

Por ser um festival pequeno, bem a cara de um festa da comunidade e pouco internacionalizado, senti que esse quesito ficou esquecido. Na verdade, não totalmente. Quando eu entrei, a pessoa responsável pela portaria pediu para ver a bolsa. Apertou com as mãos, não abriu e me deixou entrar.

Também aconteceu de sairmos do festival várias vezes e não passarmos por revistas nestas ocasiões. Portanto, a segurança ficou muito a desejar, mesmo que a gente esteja falando de um festival pequetito e provinciano.

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Transporte9
Informações7
Hidratação e Comida5
Conectividade4.5
Limpeza e Banheiros10
Segurança3
O Festival Zeeltje tem uma estrutura compacta e bem montada para atender as dimensões atuais do evento. Apesar disso, falhou em fornecer água de graça, na segurança e também na conectividade. Caso o festival cresça e se internacionalize, será necessário pensar melhor a disponibilidade de informações em outras línguas também.
6.4

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Gracielle Fonseca

Não faço nada na vida sem paixão. Tanto que, pra me formar em Jornalismo, tive que fazer um TCC sobre metal, o Ruído das Minas: a origem do heavy metal em BH. Também decidi que faria o primeiro documentário no mundo sobre Mulheres no Metal, o Women in Metal, e fiz. Comecei a ir em festivais de metal internacionais em 2009. Desde então, viajar em busca da música, essa outra paixão, tornou-se um projeto profissional que hoje chamamos de Festivalando.

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