download festivalPaulo Gonçalves/Download Festival

Alguns fatos pra entender o Download Festival

Certamente você já fixou o olhar embasbacado pra algum lineup do Download Festival, que ano após ano vem recheado dos principais headliners de peso (com o perdão do trocadilho) da temporada. Mas um festival há muito tempo não se resume apenas ao seu lineup e, possivelmente, você também já sabe disso.

No caso do Download, falando mais especificamente da sua matriz na Inglaterra, temos camping, batalhas medievais, aulas de ioga, globo da morte, palco de stand up e mais um monte de atrações, só que este ainda não é o ponto.

É sempre interessante, e às vezes surpreendente, escavar um pouco mais a história de um festival pra entender melhor de onde ele vem e porque ele virou o que virou. Com o Download é mais ou menos assim:

O festival é “herdeiro” do Monsters of Rock e do Ozzfest

Desde que nasceu, em 2003, o Download Festival acontece no mesmo lugar, o Donington Park, em Leicestershire, cidade próxima a Birminghan. Não é uma mera questão de fidelidade a um local, é também o reconhecimento de toda uma tradição que foi criada por lá.

De 1980 a 1996, o Donington Park (que não é um parque e sim um autódromo) foi a casa de nada menos que o Monsters of Rock. Mais tarde, no início dos anos 2000, recebeu o Ozzfest. Coube ao Download manter a tradição.

[Licença poética] Se ele fosse criado nos dias de hoje, poderia se chamar Streaming Festival 😛

Quando o Download Festival teve sua primeira edição (2003), uma das principais tretas da música eram os downloads gratuitos (ou ilegais, dependendo do seu ponto de vista) e os efeitos ~nefastos~ dessa prática na indústria. Incorporando o espírito da época, o festival encontrou seu nome.

Inclusive, no primeiro ano, os ingressos do festival vinham com um código que dava direito ao download de faixas de algumas das bandas que tocaram naquela estreia do festival: Evanescence (by the way, a primeira apresentação da banda no Reino Unido), Iron Maiden, Ministry e Audioslave, dentre outros.

Será que, se nascesse hoje, o nome do festival seria Streaming e todo mundo ganharia um código premium do Spotify? 😛

Dexter, um cachorro demoníaco-fofinho, é o grande astro do festival

Eu não tenho na minha memória nenhuma recordação de um festival que tenha mascote. Talvez, por isso, o Dexter, mascote do Download Festival, seja mais que um mascote. Ele é o astro que chama tanta atenção e gera tanta admiração quanto os headliners.

Se você seguir a conta do festival no Twitter, vai ver frequentemente as fotos mandadas por fãs de suas tatuagens em homenagem a Dexter. Ou, então, fotos de viagens pelo mundo com seu próprio Dexter de pelúcia (o item de merchadising mais vendido da loja online) em cenários turísticos (sim, headbangers viajando com um cãozinho de pelúcia só pra fazer fotos pras redes sociais).

Como não poderia deixar de ser, Dexter é também garoto propaganda de muitas ações do festival, por exemplo, o anúncio das aulas de ioga, uma das atividades paralelas do festival. É o nosso Download Facing Dog (entendedores entenderão).

Aparentemente existe um plano de dominação mundial do Download Festival

Bom, talvez não exista exatamente um plano de dominação nesse nível Pinky & Cérebro. Mas dá para assegurar, ao menos, que o Download Festival está em plena expansão. Desde 2016, ele também tem uma edição francesa, o Download Paris. A partir de 2017, foi a vez da Espanha ganhar sua própria edição, na capital, o Download Madrid. Ambas as edições acontecem também em junho.

Já neste ano o festival resolveu sair da Europa e ir para a Oceania. Em março, aconteceu o primeiro Download Festival na Austrália, realizado em março. Pelo visto, o espírito conquistador do império britânico ainda ronda por aí.

Download Festival na Europa em 2018

Inglaterra – 8 a 10 de junho, em Donington. Informações aqui
França – 15 a 18 de junho, em Paris. Informações aqui
Espanha – 28 a 30 de junho, em Madrid. Informações aqui

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Sou uma das mães do Festivalando e fiz Paul McCartney falar uai no Mineirão. Só porque eu gosto de música. Nas horas vagas, faço coisas sérias e tento salvar o jornalismo.

2 comments

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  1. Renan Esteves 29 maio, 2018 at 00:41 Responder

    Será que o Dexter é uma homenagem ao Dexter Holland, vocal do The Offspring? O Download Austrália foi o único dos quatro a ter apenas um dia. Um detalhe curioso é que aconteceu no mesmo fim de semana do GP da Austrália de Fórmula 1, sendo que o festival foi no sábado e a corrida, no domingo, ambos na mesma cidade. Como é que deve ser a cena de festivais na Austrália? Eu escuto muito pouco sobre isso. Conversei com algumas pessoas que moram lá e me disseram que a cena de lá é bem fraca. Outro detalhe legal é que o Download Madrid vai ser na Caja Mágica, onde é realizado o Masters 1000 de Madrid. Dos quatro festivais, eu acho o Download UK o mais interessante, sem falar que tiveram que mudar a estrutura do line up, ao longo dos anos, para atender a diversos públicos. Eu diria que é um Rock am Ring/Rock in Park mais extremo.

    • Priscila Brito 29 maio, 2018 at 12:28 Responder

      Olha, tem uns festivais bem legais na Austrália, viu? Se não tem mais, acho que é porque a distância impõe obstáculos logísticos pra ter mais coisa rolando por lá. E no caso da gente aqui no Brasil, especificamente, o custo de uma viagem até lá acaba colocando as coisas meio na sombra. Mas uma das minhas viagens dos sonhos é passar a virada de ano lá e ir no Field Day, que acontece sempre no dia 1º de janeiro! O Download UK é o pai de todos, né? Tem história e ainda acontece na Inglaterra, lugar que sabe como fazer festival MESMO. Mas o Download Madri e Espanha, por serem mais urbanos, acabam sendo uma opção legal pra quem não curte camping ou ir longe demais por causa de um festival.

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